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Direto da Telinha: "Corações Feridos" foi tratada com injustiça pelo SBT

Redação NT

Publicado em 13/02/2012 às 13:51:41

Com um mês no ar, a ser completado nesta semana, "Corações Feridos" mostra a cada capítulo o quão foi injustiçada pelo SBT. A alta cúpula da emissora provou mais uma vez que pouco entende de dramaturgia e que tratou muito mal diversos profissionais envolvidos em um trabalho que vem surpreendendo até aqui.

Como se sabe, "Corações Feridos" foi gravada em 2010 e só foi tirada da gaveta neste ano. Ainda assim, por diversas ocasiões houve boatos que sugeriam que a trama jamais iria ao ar devido ao pouco potencial que tinha na disputa pela audiência no horário nobre. A ideia era preterir o trabalho de Íris Abravanel e de direção de Del Rangel em prol de uma programação de gosto duvidoso, com enlatados mexicanos ou programas de auditório de fórmulas ultrapassadas, o que foi feito e sem razão.
 


Eduardo Sotelli (Flávio Tolezani) e Amanda Varela (Patrícia Barros)
Foto: Divulgação/SBT


Até agora, "Corações Feridos" coleciona uma série de qualidades. A produção, diferente de "Amor e Revolução", não propôs nada de inovador e muito menos teve um orçamento de mais de R$ 40 milhões, mas cumpre bem o seu papel. A história e a produção são os principais destaques. Íris Abravanel, agora em seu terceiro trabalho, mostra que cresceu mesmo em cima de um texto bem amarrado e que conta com ingredientes aprovados pelo telespectador.

Já quanto a direção de Del Rangel, demitido no ano passado, também há muito o que se comemorar. Ele e sua equipe tiveram grande êxito em diversas áreas da produção. A imagem, por exemplo, é um dos principais destaques. Pouco - ou nada - se deve a Globo neste quesito. A cenografia também é bastante caprichada e supera inclusive a da Record, devido a fidelidade entre ambientes internos e externos, detalhes, objetos, posicionamento e etc. Há toda uma linearidade, como no quarto, cozinha e sala. E todos eles, juntos, combinam com a personalidade dos donos da casa - detalhe este que as vezes é esquecido pelas produções de novelas.

Outro grande destaque positivo de "Corações Feridos" está na trilha sonora. "Eu quero ser como você", do Capital Inicial, "Apenas mais uma de amor", de Lulu Santos, "Segundo Sol", de Cássia Eller e até mesmo a sertaneja "Coisa de Deus", de Rick & Renner, provam que a seleção foi muito bem feita.

Já por fim, há a necessidade de evidenciar o elenco. Apesar de poucas estrelas e de vários estreantes, nota-se que há muitos profissionais de talento. A performance de Cynthia Falabella, como a vilã Aline, é uma das melhores - tanto que a atriz conseguiu ingressar na Globo, onde está atuando em "Aquele Beijo" -. Ela se apresenta na novela de Íris Abravanel como se já tivesse uma longa experiência na TV.
 


Os vilões Aline (Cynthia Falabella) e Flávio (Ronaldo Oliva)
Foto: Lourival Ribeiro/SBT


A protagonista Patrícia Barros interpreta quase que ela mesma (uma atriz de teatro com a carreira em ascensão), não chega a animar mas mostra o quanto é esforçada. Já outros nomes, como o do veterano Antonio Abujamra, Jacqueline Dalabona, Adriana Lessa e Paulo Coronato também se destacam e compensam a inexperiência dos mais novos, que são bastante promissores.

Infelizmente, o SBT foi injusto com "Corações Feridos". Como se não bastasse o atraso para colocá-la ao ar, a divulgação foi bastante tímida e a trama ainda foi responsável por reestrear um horário de novelas desativado desde agosto de 2010.

O resultado é baixo, oscilando na casa dos 4 pontos. Mas ainda assim é um resultado bastante similar ao que "Amor e Revolução", com todo um orçamento milionário, polêmicas, grandes nomes, cenas de violência e com o peso que o texto de Tiago Santiago tem - ou deveria ter -, conseguiu.

O SBT mais uma vez soube escolher mal os profissionais que trabalham em sua dramaturgia. Del Rangel, a cenógrafa Silvia Gandolfi e a produtora Tina Pacheco Couto foram demitidos mesmo com o bom trabalho realizado.

Por mais que os resultados em audiência não tivessem vindo, a emissora jamais poderia se dar ao luxo de dispensar profissionais de tamanho gabarito, ainda mais quando se tão pouco know-how restou (no caso, apenas a equipe de Reynaldo Boury).

 

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