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Reunião não cessa fogo e desentendimentos entre irmãos continuam na Band

Com dívida bilionária e erros administrativos, Band vive crise sem precedentes

Foto/ilustração/NaTelinha
Por Fabrício Falcheti , com Gabriel Vaquer

Publicado em 08/02/2019 às 00:00:30

Nesta quinta-feira (07), a Band realizou mais uma de suas reuniões de conselho, em grande clima de tensão após vir à tona a briga entre os irmãos Saad pela administração de todo o Grupo Bandeirantes.

Desde 2015, a emissora vem fechando no vermelho e atualmente possui uma dívida na casa dos R$ 1,2 bilhão. Somando-se a isso os erros administrativos e de programação numa gestão considerada nada profissional, Márcia de Barros Saad e Maria Leonor Saad decidiram tentar na Justiça a interdição de Johnny Saad da presidência do conglomerado. Porém, em decisão na última segunda (04) após vários recursos, o juiz responsável negou o pedido devido à proximidade do encontro e criticou as irmãs por "inércia".

A reunião de ontem era bastante aguardada pelos executivos da Band, numa rasa expectativa de melhora dessa situação, embora soubessem que as chances de um "cessar fogo" eram mínimas.

E segundo fontes ouvidas pelo NaTelinha, acabou acontecendo a mesma coisa de sempre: muita discussão e nenhuma resolução dos problemas.

Diante de tudo que foi exposto e uma briga familiar que já dura anos, "não há clima para entrar em qualquer tipo de acordo", disse um alto executivo à reportagem.

Com isso, entre bate-bocas, foram discutidas apenas ações políticas, sem sair do lugar. Não houve a execução de exigências do lado opositor da família, que queria a demissão de diretores com salários acima de R$ 100 mil e a saída imediata de André Aguera, vice-presidente executivo responsável pela grade de programação de 2018, um grande fracasso de audiência - conforme já noticiado mais cedo.

Na esfera judicial, Johnny Saad se mostra tranquilo, já que possui um documento assinado por todos os acionistas, lhe dando plenos poderes e o comando do Grupo Bandeirantes até 2026.

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Além disso, ele transferiu para um setor privado, a Câmara do Comércio Brasil-Canadá, o processo que foi movido por Márcia de Barros Saad e Maria Leonor Saad, para retirá-lo do comando das empresas. Três conselheiros da Câmara é que irão julgar a questão.

O processo arbitral privado já havia sido determinado pela TJ-SP na decisão da segunda-feira, e ele foi protocolado a pedido de Johnny. Agora, devem ser colhidas provas e a nova audiência será marcada, ainda sem previsão de data.

Para pessoas ouvidas pelo NaTelinha, esta é a mais grave crise já sofrida pelo conglomerado em seus mais de 80 anos de história. O fato é que a caixa preta da Band está sendo divulgada como jamais antes, e ainda tem muitas coisas para se tornarem públicas.

A assessoria de imprensa da emissora não fala sobre a crise em suas esferas.

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