Saúde

Alerta de Carnaval: Calor e umidade elevam risco de candidíase

Especialistas dão dicas de hábitos e alimentação para se proteger da doença no feriado da folia

Alerta de Carnaval: Calor e umidade elevam risco de candidíase
Por Drika Oliveira

Publicado em 12/02/2026 às 13:30:00,
atualizado em 12/02/2026 às 13:38:13

O Carnaval já está batendo na porta e todo mundo já está se preparando para a maratona da folia. Mas todo cuidado com o corpo é pouco, principalmente para as mulheres, nos dias de maiores temperaturas.

Coceira intensa, ardor, corrimento e desconforto íntimo estão entre as queixas mais comuns nos consultórios ginecológicos durante o verão, que é bem nessa época de Carnaval. A estação, marcada por altas temperaturas e maior umidade, favorece o surgimento de infecções ginecológicas, especialmente a candidíase vulvovaginal, que atinge até 75% das mulheres ao longo da vida.

A candidíase é causada por fungos do gênero Candida, sendo a espécie Candida albicans responsável por cerca de 90% dos casos. O problema surge quando há desequilíbrio da microbiota vaginal, condição que pode ser desencadeada por fatores comuns nesta época do ano, como roupas apertadas, biquíni molhado por longos períodos, suor excessivo e alterações na rotina.

“As altas temperaturas e a umidade típicas do verão criam um ambiente quente e abafado na região íntima, o que facilita a proliferação de fungos e bactérias. Isso desequilibra a flora vaginal e aumenta o risco de infecções”, explica Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em reprodução humana pela FEBRASGO.

Segundo a especialista, os sintomas mais frequentes incluem coceira persistente, ardor ao urinar ou durante a relação sexual, vermelhidão, inchaço e corrimento vaginal espesso, com aspecto semelhante ao leite coalhado.

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A recomendação de trocar o biquíni molhado não é exagero. “A peça úmida retém calor, suor e resíduos de cloro ou água do mar, criando o ambiente ideal para fungos e bactérias. Permanecer por longos períodos com o biquíni molhado aumenta, sim, o risco de candidíase e irritações”, afirma Dra. Paula.

Não existe um tempo exato considerado seguro. Mas, a orientação prática é evitar permanecer mais de uma a duas horas com a peça molhada. “Sempre que possível, leve um biquíni seco para trocar durante o dia, especialmente se a mulher já tem histórico de infecções recorrentes”, orienta Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.

Alimentação, álcool e mudanças na rotina também influenciam

Viagens longas, sono irregular, maior consumo de bebidas alcoólicas e alimentação rica em açúcar também impactam diretamente a saúde íntima. Esses fatores reduzem a imunidade e alteram o pH vaginal, facilitando o crescimento da Cândida. “Férias e viagens geralmente alteram os horários de alimentação e descanso. A falta de sono ou um sono irregular afeta o equilíbrio hormonal e, consequentemente, o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, como a candidíase”, explica Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e pós-graduada em saúde da mulher pela PUC.

Da mesma forma, durante o feriado prolongado de Carnaval, é comum que as pessoas consumam mais bebidas alcoólicas, comidas rápidas ou processadas, além de doces e lanches de praia, que podem ser ricos em açúcar e pobres em nutrientes. “Alimentos ricos em açúcar favorecem o crescimento do fungo Candida, pois eles se alimentam desse tipo de nutriente”, alerta a nutricionista. “Além disso, o calor aumenta a perda de líquidos através do suor. A desidratação prejudica o funcionamento geral do organismo e do sistema imunológico, além de afetar a produção de muco saudável no trato vaginal, que ajuda a proteger contra infecções”, esclarece a nutricionista.

Segundo a nutricionista Amanda Figueiredo, certos hábitos podem auxiliar na luta contra a candidíase e promover um ambiente saudável. “Manter uma dieta equilibrada, hidratação constante e uma rotina saudável mesmo no verão pode ajudar a proteger o corpo de infecções como a candidíase”.

Algumas dicas de como colocá-los na rotina:

Seja na praia, seja na escola de samba ou nos bloquinhos, viver dias de alegria durante o Carnaval é bem legal e necessário, mas cuidar da saúde intima é essencial.

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