Caso Orelha

Orelha morreu duas vezes: na rua, pela crueldade, e pela abordagem que revoltou as redes

Fantástico é criticado por internautas que não viram apuração e importância devida no caso Orelha


Manifestação pede Justiça por Orelha
Fantástico é criticado por internautas que não viram apuração e importância devida no caso Orelha

A reportagem exibida pelo Fantástico sobre a morte brutal do cachorro comunitário Orelha, em Santa Catarina, não encerrou o caso, ao contrário, reacendeu uma indignação que tomou conta das redes sociais logo após o programa ir ao ar nesse domingo (1º). O que deveria aprofundar o debate sobre crueldade animal acabou, para muitos telespectadores, provocando um sentimento ainda mais amargo: o de que Orelha foi colocado em segundo plano.

No X/Twitter, Instagram e Facebook, a reação foi imediata e contundente. Internautas decepcionados acusaram a matéria de adotar um tom excessivamente complacente com os adolescentes envolvidos no crime, enquanto a violência sofrida pelo animal foi tratada de forma quase protocolar. A crítica mais repetida foi direta e dolorosa: a vítima não teve o mesmo peso narrativo que os agressores.

“É como se o cachorro fosse um detalhe e não o centro da história”, escreveu uma usuária em um comentário que viralizou. Outros foram além e apontaram que a abordagem teria “humanizado demais quem matou e silenciado quem morreu”. A frase virou espécie de mantra nos debates online da noite de domingo.

Outro ponto que inflamou a audiência foi a falta de aprofundamento sobre a crueldade contra animais como sinal de alerta social.

Psicólogos, veterinários e especialistas em comportamento defendem há décadas que a violência animal pode estar ligada a padrões futuros de agressividade. Para o público, essa discussão, que é fundamental, foi desperdiçada no programa que sempre foi crucial para questões tão pesadas como esse caso.

E vamos pensar, a morte covarde do cãozinho Orelha foi o assunto mais debatido em todas as redes sociais do Brasil e tomou até proporções internacionais sendo destaque em veículos de comunicação fora do país. Em todos os lugares, da mesa do bar ao salão de beleza não se falava em outra coisa e a indignação tomou conta do brasileiro unindo pessoas de todas as religiões, partidos idades etc.

Manifestações pela Justiça do Orelha reuniram multidões no país inteiro e em São Paulo, no domingo de manhã, na avenida Paulista parou com milhares de pessoas com um único objetivo: chamar a atenção para o triste e desolador caso.

Orelha morreu duas vezes: na rua, pela crueldade, e pela abordagem que revoltou as redes

Então era de se esperar que um dos maiores e mais importantes programas jornalísticos de domingo, que sempre primou por averiguar e investigar com exatidão casos relevantes da sociedade brasileira, desse ao caso um grande destaque e que se aprofundasse nas investigações a fim de levar luz ao caso.

ONGs de proteção animal, ativistas, artistas e advogados também se manifestaram, cobrando mais responsabilidade editorial ao tratar crimes dessa natureza. A percepção geral é de que, quando a mídia suaviza a narrativa, corre o risco de normalizar o inaceitável.

Houve, sim, quem defendesse o Fantástico, lembrando que o caso envolve menores de idade e exige cuidados legais, o que obviamente pela lei, é preciso seguir com cuidado. Mas, nas redes, essa ponderação foi engolida por um sentimento coletivo de frustração e revolta.

No fim das contas, Orelha se tornou mais do que um cachorro comunitário brutalmente morto. Ele virou símbolo de um incômodo profundo: o de que a violência contra animais ainda luta para ser tratada com a gravidade que merece. E, para muita gente, a sensação é clara: Orelha não morreu só uma vez. Ele está morrendo aos poucos, sangrando aos poucos, a cada dia que provas que diziam existir, não existem mais, que vídeos que antes foram citados, até pelo governador de SC, agora dizem que nunca existiram. Ele sangra na incerteza de que a Justiça não será feita e que assim como o caso do Índio Pataxó, ele se tornará apenas uma lembrança esquecida.

No fundo, o que todo mundo esperava é que o programa fosse a fundo no caso,. o que parece não ter acontecido. Pelo menos nessa edição.

Mas vamos torcer para que no próximo domingo, o programa traga mais luz ao tema, com sus investigações mais potentes e profundas, que sempre pautaram  sua matérias.

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