Entrevista exclusiva

Regina Volpato: "Houve a época em que a TV era única e soberana. Acabou"

De volta ao SBT, apresentadora fala sobre dividir comando do Chega Mais com dois colegas e aponta diferencial da atração para fazer frente à Globo e à Record


Regina Volpato faz parte do time de apresentadores do Chega Mais, que estreia segunda-feira (11) no SBT
"Estava faltando uma atração como essa, com o DNA do SBT", diz Regina Volpato sobre a estreia do Chega Mais na segunda-feira (11) - Foto: SBT/Rogério Pallata
Por Walter Felix

Publicado em 10/03/2024 às 08:00,
atualizado em 10/03/2024 às 12:14

Regina Volpato concedeu uma entrevista ao NaTelinha na última quarta-feira, 6 de março, dia em que completou 56 anos de idade. Nem mesmo o aniversário fez a apresentadora tirar folga: ela seguia com projetos a mil – entre eles, os preparativos para voltar ao ar pelo SBT nesta segunda-feira (11), às 9h30, quando estreia o Chega Mais, também apresentado por Michelle Barros e Paulo Mathias.

“Só para você ter uma ideia da minha maravilhosa vida de artista, fiz uma pequena obra em casa que acabou ontem. Hoje, já fiz faxina, e agora estou colocando roupa para lavar e dando entrevista, tudo junto”, relatou no início da conversa por telefone, a cinco dias de voltar à TV – ela deixou o Mulheres, na Gazeta, em julho de 2023, por não aceitar a redução de 20% do salário proposta pela emissora.

No SBT – onde trabalhou entre 2004 e 2009, à frente do Casos de Família –, Regina Volpato vai compartilhar a titularidade de seu novo programa com outros dois apresentadores. Dividir atenções na TV pode ser um problema para alguns, mas ela garante que vê como uma solução. “Somos três. Isso deixa tudo mais fácil e também traz um pouco de pluralidade, o que é sempre bem-vindo.”

O Chega Mais será um programa de variedades diário, com quatro horas de duração. Baterá de frente com o Encontro e o Mais Você, da Globo, e o Hoje em Dia, da Record. Uma faixa concorrida numa época em que todas as emissoras estão vendo seus números em queda, segundo os dados do Kantar Ibope. “Houve a época em que a TV era única e soberana. Acabou!”, resume a veterana.

Um dos quadros será Dilemas para Regina, que pega carona no sucesso de suas respostas aos conflitos apresentados por seguidores nas redes sociais. Levar a iniciativa para a atração foi ideia de Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos e vice-presidente do SBT. A TV já não pode mais ignorar o que é sucesso na internet, diz a apresentadora. “Quem não quiser fazer parte, não faça, mas vai perder.”

Leia a íntegra da entrevista com Regina Volpato

NaTelinha: Chega Mais entra no ar em um horário concorrido, com vários programas já consolidados. Qual será o diferencial para atrair o público das manhãs?

Regina Volpato: O DNA do SBT. Digo isso sem sombra de dúvidas. Sempre olho com muito respeito para quem já está estabilizado no mercado há muitos anos, que é o caso da Globo, da Record e também da RedeTV!, que às vezes as pessoas esquecem, além da Band, que já teve muita coisa legal nesse horário. Olho com muito respeito os meus colegas, de emissora e de mercado, e tenho amigos em todas as emissoras. Acho que eles fazem um bom trabalho há muito tempo, e não é à toa que todas as atrações têm características próprias e estão muito consolidadas no mercado, em audiência e faturamento.

O que eu digo é que estava faltando uma atração como essa, com o DNA do SBT. Quando assisto a um programa, reconheço o DNA da emissora, e o SBT não emplacou ainda uma atração neste horário neste formato em nenhuma das tentativas. Estamos saindo do zero, o que é um enorme desafio.

"Outro diferencial é que a emissora está fazendo um grande investimento. O cenário é lindo, os profissionais contratados e os deslocados para a atração são os mais qualificados possíveis. Há uma grande expectativa e também um grande investimento financeiro. Estão todos empenhados em fazer um bom trabalho e entregar um produto de qualidade."

NaTelinha: Quais são as características desse DNA do SBT?

Regina Volpato: Ser popular e gostar de ser popular. O SBT, desde sempre, faz comunicação popular, sem vergonha, sem medo e sem pudor. Quanto mais popular melhor para o SBT e para quem assiste. É uma emissora que gosta de fazer ao vivo. Ultimamente, começou a fazer muita coisa gravada, e acho que o público que ressentiu.

Em uma das conversas, assim que eu estava chegando [ela assinou o contrato em novembro de 2023], eu disse que, como público, estava com saudades das atrações do SBT. É uma emissora em que tudo é colorido, uma coisa festiva, lúdica. Como telespectadora e funcionária, quando falo em “DNA do SBT” me vem tudo isso à mente.

Regina Volpato: \"Houve a época em que a TV era única e soberana. Acabou\"

NaTelinha: Em que medida os números de audiência te preocupam? Costuma ficar ligada nos índices em tempo real?

Regina Volpato: Em tempo real, nunca fiquei, mas gosto de acompanhar. Eu trabalho para dar bons números, tanto de audiência quanto de faturamento. Meu trabalho é medido a partir dos números, sempre foi assim e faz parte da mecânica. Mas acho muito curioso saber ler os números. Não é tão simples. Às vezes, ter muita audiência nem sempre traduz um produto satisfatório e interessante, e o contrário também acontece, porque vários fatores interferem – um dia de chuva, por exemplo. Eu já vivenciei situações assim.

É inegável que uma audiência consolidada diz muito sobre o público e sobre a atração. Às vezes, posso não gostar do produto, mas se ele está estabelecido na grade por conta da audiência, então não é possível que milhões de pessoas estejam erradas e eu esteja certa. Nesses casos, quem não está sintonizada com o que está agradando sou eu. Daí, preciso me inteirar, me refazer e mudar meu olhar para entender por que esses produtos estão impactando tanta gente e não a mim.

NaTelinha: Tanto o SBT quanto as outras emissoras têm travado uma peleja por audiência. Os números de hoje não são os mesmos de poucos anos atrás.

Regina Volpato: Não são mesmo. No Casos de Família, a gente dava 10 pontos à tarde! Era um programa que ficava apenas uma hora no ar e, como sabemos, quanto mais tempo de exibição, mais chance de a média ser boa. Hoje, esse é um número inimaginável para o horário.

NaTelinha: Na sua opinião, qual caminho a TV deve trilhar para driblar essa crise?

Regina Volpato: Não sei se teremos essa audiência de novo. A realidade mudou. As pessoas assistem aos programas na hora que elas querem [pelas plataformas digitais]. Às vezes, o programa faz muito sucesso, mas as pessoas só assistem em outras mídias. Os que são fortes nas redes sociais podem não ter um bom número quando estiver no ar na TV.

"Não basta mais só olhar para os números. Essa imagem do apresentador acompanhando a audiência em tempo real talvez não faça mais sentido hoje. É possível dar um bom índice e não ter uma sobrevida nas mídias. Será que isso interessa? Particularmente, eu que consumo várias mídias e circulo por vários ambientes, acho que uma atração que não tem sobrevida nas mídias, em outros horários e plataformas, não sei se pode ser considerado um produto de sucesso."

NaTelinha: Esses programas matutinos de variedades por muito tempo foram chamados de “programas femininos”. Acha que essa definição ainda é válida? Cabe ao Chega Mais?

Regina Volpato: Não. Acho que toda definição que envolva gênero tende a não fazer sentido, porque gênero é algo cada vez mais fluido, que não diz nada nem traz nenhum valor a agregar a mim. Estou aqui conversando com você; o seu gênero ou como você se entende ou se exerce, para esta nossa conversa, neste momento, não é da minha conta. Acho que eram “programas femininos” porque eram programas ricos, coloridos, interessantes, e isso sempre foi sinônimo de femino, sinto muito (risos).

Por isso, hoje prefiro chamar de programa de variedades. No Mulheres, quando eu falava “Você, dona de casa, que está nos acompanhando”, pelas redes as pessoas respondiam: “Eu não sou mulher, não sou dona de casa, mas estou acompanhando”. Muitas crianças também assistiam. São programas para quem quiser assistir. Com quem eu quero conversar? Com quem quiser conversar comigo! Quanto mais gente melhor. Inclusive com aqueles que não têm o hábito de conversar com a televisão.

Regina Volpato: \"Houve a época em que a TV era única e soberana. Acabou\"

NaTelinha: O programa terá mais dois apresentadores, Michelle Barros e Paulo Mathias. Todos terão o mesmo espaço? Essa é uma preocupação?

Regina Volpato: Não chega a ser uma preocupação, porque isso já está estabelecido. É um programa com três apresentadores. Quanto a isso, acho que não há dúvida para ninguém. Como vai ser dividido, é algo que ainda vamos sentir, mas cada um tem suas habilidades naturais. Nos pilotos que já fizemos, a Michelle arrasa no jornalismo. Fez isso durante anos, é a expertise dela, mas não quer dizer que ela vá fazer só isso. Quando é para ir para a cozinha, sou eu que vou, mas também farei outras coisas…

É difícil definir, porque o programa será diário, com quatro horas no ar ao vivo. Acho que a tendência natural, pelo menos nesse primeiro momento, é cada um estar mais presente nas suas habilidades e nas suas vivências. Em um mês, teremos 80 horas no ar. Então, não tenho dúvidas de que, dentro de bem pouco tempo, todos já terão habilidade para fazer tudo, e isso que é o gostoso.

NaTelinha: Dividir o comando do programa torna o trabalho mais fácil ou mais difícil?

Regina Volpato: Já fiz com a Daniela Albuquerque o Manhã Maior [na RedeTV!]. Era uma delícia! Às vezes, a gente encerrava o programa rindo de alguma coisa que aconteceu no começo do dia. O trabalho de apresentador, por exemplo, no Mulheres, é um trabalho muito solitário. Estou interagindo o tempo todo com alguém, mas as pessoas estavam passando. Quem ficava lá o tempo todo era só eu. Eu ficava acompanhada e sozinha ao mesmo tempo, não tinha uma troca sobre o decorrer do programa.

"Essa parceria torna o dia a dia mais leve e divertido. E também do ponto de vista prático é muito interessante, para sair de férias, para quando precisa faltar, para dar conta da divulgação do programa… Somos três. Isso deixa tudo mais fácil e também traz uma pluralidade, o que é sempre bem-vindo."

NaTelinha: Um dos quadros, “Dilemas da Regina”, pega carona no sucesso que você tem feito nas redes sociais com a #EuAchoRV, dando conselhos aos seguidores.

Regina Volpato: “Dilemas para Regina”! Porque se eu levar os “dilemas da Regina” para lá, eu tiro a emissora do ar, meu bem! (risos)

NaTelinha: “Dilemas para Regina”! (risos) O quadro mostra que a TV está cada vez mais ligada ao que bomba na internet. Esse diálogo é fundamental hoje em dia?

Regina Volpato: Não tem outra opção! Houve a época em que a TV era única e soberana. Acabou! Hoje, as mídias estão todas conversando. Quando posso e consigo, acho muito gostoso assistir à televisão acompanhando a repercussão no X/Twitter, no Instagram ou no TikTok. Antes, havia uma sala e um altar no meio, que era a televisão. Hoje, os telespectadores interagem entre si, com a TV e com as suas redes sociais. Virou uma festa, e quem não quiser fazer parte, tudo bem, não faça, mas vai perder!

NaTelinha: Dessas relatos que você compartilha na internet, há muitos casos que beiram o absurdo. Qual deles mais te marcou ou te divertiu?

Regina Volpato: Muitos já me divertiram, mas aqueles que mais me marcaram eu nem publiquei, porque são casos muito sérios. É só um quadro do Instagram, mas sinto a confiança dessas pessoas em fazer a pergunta. Elas chegam a escancarar suas intimidades. Quando vejo que é um assunto sério e envolve integridade física, ou um caso de muita angústia e sofrimento, prefiro nem responder, pela audiência, pela pessoa e por mim também. Seria muito leviano da minha parte, porque não sou psicóloga nem advogada. Nesses casos, respondo diretamente para a pessoa e oriento a procurar uma ajuda.

No mais, me divirto com vários casos. O que mais me impressiona é que as pessoas fazem o que querem fazer, sem nenhum juízo de valor, e querem ter razão, querem que o outro entenda e perdoe. Acho isso o fim da picada! Quer fazer, faça! Ninguém tem o direito de falar “Não pode, não deve, vai para o inferno”, mas as coisas têm consequências, e uma ação leva a outra.

NaTelinha: No Chega Mais, esse diálogo com o público terá acompanhamento de algum especialista?

Regina Volpato: Ainda não definimos. O quadro foi um pedido da Daniela [Beyruti, vice-presidente do SBT]. Só sei que a gente vai ter que dar um jeito de acertar. Não sei se vamos conseguir imprimir o mesmo ritmo, porque o Instagram é uma coisa e a televisão é outra. O mais legal seria poder responder a perguntas enviadas por vídeo, porque aí eu veria a cara da pessoa, o sotaque. Os temas também poderão ser mote de uma conversa com algum especialista. Tudo, a gente vai descobrir fazendo, errando e acertando.

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