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Quem é Sérgio Marques, jornalista que virou âncora da Globo aos 25 anos

Hoje aos 27, apresentador do Bom Dia Minas revela curiosidade do público com sua idade, opina sobre “caras novas” na TV e detalha rotina puxada para estar ao vivo às 6h da manhã


Sérgio Marques apresenta o Bom Dia Minas e participa do MG1, na Globo Minas
Sérgio Marques tem dois projetos "saindo do forno" em agosto - Foto: Divulgação/Globo
Por Walter Felix

Publicado em 29/07/2022 às 05:44:00,
atualizado em 29/07/2022 às 09:48:46

Sérgio Marques é natural de Juruaia, uma cidade do sul de Minas Gerais com 10 mil habitantes. Ele tem 27 anos – completa 28 no próximo dia 9 de agosto –, e é um rosto conhecido dos mineiros desde 2019, ano em que assumiu o posto de âncora na Globo Minas. Hoje, é um dos nomes à frente do Bom Dia Minas, além de marcar presença no MG1, e chama a atenção da audiência por ter chegado tão jovem ao posto de apresentador na emissora: quando estreou na bancada, tinha apenas 25.

“Tenho tatuado no braço o ano em que nasci [1994]. O blazer no jornal encobre, então quando me encontram na rua, sempre comentam sobre isso”, comenta Sérgio Marques, em entrevista exclusiva ao NaTelinha. Vivendo em Belo Horizonte, o jornalista encontra um público caloroso e receptivo entre os mineiros. “Entro todos os dias na casa das pessoas. Muitos me tratam como alguém da família mesmo.”

Na infância, Sérgio já brincava de apresentar jornais, mas a possibilidade de seguir na profissão se configurou mesmo na adolescência, quando venceu um concurso de redações da EPTV, afiliada da Globo no sul de Minas. Um dos prêmios foi a exibição de uma reportagem feita por ele. “A equipe foi até a minha escola e eu fui uma espécie de ‘repórter por um dia’. Segurando um microfone de reportagem pela primeira vez, aos 14 anos.”

Ele se mudou para a capital mineira para fazer faculdade. Foi durante o curso de jornalismo que conheceu Isabela Scalabrini, hoje sua colega na Globo. Entre as referências na profissão, ele cita nomes como o de Liliana Junger, que comanda com ele o Bom Dia Minas, Caco Barcellos, do Profissão Repórter, e Chico Pinheiro, com quem interagia ao vivo até o início do ano – o apresentador do Bom Dia Brasil saiu da Globo em abril.

Para estar no ar logo cedo, Sérgio enfrenta uma rotina puxada: “Antes de dormir, por volta de 20h30, dou uma olhada nos assuntos do jornal do dia seguinte. Acordo às 3h50 e olho as notícias de novo. Chego na TV por volta de 4h30. Mais uma lida nos assuntos, escrevo, passo no camarim, gravo chamadas... Bastante coisa para fazer num intervalo de 1h30. O jornal começa às 6h. Como também participo do MG1, tomo um café e começo a preparar as participações para o jornal do almoço. Vou embora por volta das 13h. Mas jornalista desliga? Não desliga!”.

Leia a íntegra da entrevista com Sérgio Marques, da Globo Minas:

Conheça Sérgio Marques, âncora de 27 anos da Globo Minas

Qual a sua idade?

Sérgio Marques - Tenho 27 anos, mas por poucos dias. Faço aniversário dia 9 de agosto.

A sua presença como âncora na Globo Minas surpreende por você ser bem jovem. Você escuta isso das pessoas, nas ruas?

Sérgio Marques - Bastante. Tenho tatuado no braço o ano em que nasci. O blazer no jornal encobre, então quando me encontram na rua, sempre comentam sobre isso. Outro dia um amigo me mandou um print dizendo que a frase mais procurada no Google com meu nome era: “Sérgio Marques Globo Idade”. Achei muito engraçado. De fato, é uma pergunta que me fazem muito. Mas não imaginei que pesquisavam sobre isso. Bom que agora a resposta fica registrada aqui, né? (risos)

O jornalismo na TV vem buscando caras novas, uma espécie de renovação. Como avalia esse movimento? Considera importante?

É um movimento natural, acontece no jornalismo e em tantas outras profissões. Tudo é questão de equilíbrio. Para que essa “nova geração” tivesse oportunidade, muita gente boa abriu os caminhos.

Eu tenho o prazer de trabalhar, por exemplo, com a repórter Isabela Scalabrini. Uma das primeiras jornalistas a cobrir esportes na Globo. Apresentou o MG1 por mais de 20 anos. Há nove, quando eu estava no segundo período do curso de jornalismo, ela me recebeu na TV para um trabalho de faculdade, sem me conhecer. Ela me apresentou os estúdios, a redação, respondeu às perguntas para o meu trabalho.

Imagina o brilho nos olhos daquele estudante? Dou valor demais a essas coisas: nessa conversa, nesse convívio, nessa troca. Sigo pegando dicas, tirando dúvidas, pedindo opinião para ela e tantos outros amigos experientes.

Quando o jornalismo surgiu na sua vida? Quando você soube que essa seria a sua área?

Sérgio Marques - Eu sou do interior de Minas, da cidade de Juruaia, com 10 mil habitantes no sul do estado. Apesar de pequena, é agitada, efervescente. Leva o título de “Capital Mineira da Lingerie”, porque é o segundo maior polo dessa área no país. Reflexo de um povo criativo e trabalhador. Por conta disso, a cidade sempre recebeu muitas equipes de reportagem.

Fui aquele menino que brincava de apresentar jornal. Empostava a voz e soltava: “Boa noite”. Mas a vontade de ser jornalista veio mesmo em 2008, quando participei de um concurso de redações promovido pela EPTV, afiliada da Globo no sul de Minas. Reunia centenas de escolas da região. Quase dois mil alunos. E fiquei entre os vencedores. Um dos prêmios? Uma reportagem, feita por mim, que foi exibida no jornal da hora do almoço da emissora. A equipe foi até a minha escola e eu fui uma espécie de “repórter por um dia”. Segurando um microfone de reportagem pela primeira vez, aos 14 anos.

Conheça Sérgio Marques, âncora de 27 anos da Globo Minas

 Quais foram as suas referências no jornalismo? Você se inspirava em algum veterano?

Sérgio Marques - Em vários. Quando o programa Profissão Repórter estreou, assistia escondido por causa do horário. O Caco Barcellos sempre foi um exemplo de jornalismo correto e humano para mim. A notícia de um ângulo diferente do tradicional me atrai. E ele e equipe fazem isso muito bem. Ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo.

Outra referência é o Chico Pinheiro. Era difícil fingir costume quando ele entrava no Bom Dia Minas para contar os destaques do Bom Dia Brasil. Você cresce admirando alguém e depois vira colega de trabalho dessa pessoa. Isso é tão forte.

Também não posso deixar de mencionar a Liliana Junger (foto). Lembro que no meu último período do curso de jornalismo, Lili foi até a minha faculdade para uma palestra. Olhava pra ela e pensava: “Que trajetória legal, sorte de quem trabalha com ela”. Quatro anos depois, começamos a apresentar o Bom Dia Minas juntos. Viramos parceiros de jornal e amigos fora dele. É uma das pessoas mais incríveis e generosas que já conheci nesse tempo.

Quando exatamente você estreou como âncora na Globo Minas?

Sérgio Marques - Em 14 de outubro de 2019. São quase três anos como apresentador. E já nos primeiros meses na nova função, muitos acontecimentos: caso Backer [mortes por intoxicação com a cerveja, no fim daquele ano], temporais na região metropolitana de Belo Horizonte, transmissão do Carnaval de 2020 e, em seguida, pandemia.

A desenvoltura com vídeo foi algo que você desenvolveu durante sua formação ou já tinha certa habilidade de falar em frente às câmeras?

Sérgio Marques - Apesar de me considerar tímido, nunca tive vergonha. Nas festas de família, eu sempre pegava a câmera, gravava tudo, entrevistava parentes. Na escola, estava em todas as apresentações.

E como foi o seu percurso até a bancada? Você já tinha interesse em apresentar, quando era repórter? Foi algo que você sempre perseguiu?

Sérgio Marques- Nunca tracei essa como a principal rota da minha vida. Minha primeira experiência na apresentação foi na faculdade, na TV Universitária. Apresentei um jornal ao vivo por um ano e gostava muito. Mas depois de formado, voltei para a reportagem e era muito feliz. Meu primeiro emprego foi na TV Aparecida, onde fiquei por 11 meses fazendo reportagens em várias partes do Brasil. Depois, voltei pra Belo Horizonte e entrei na Globo.

Os primeiros anos foram na madrugada, como apurador e repórter. Minha relação de amor com o Bom Dia Minas começou aí. Em 2019, saí da madrugada e passei a integrar a escala diurna de reportagem. Neste mesmo ano fui chamado para gravar um piloto e, 15 dias depois, veio o convite para apresentar as notícias do tempo e do trânsito no Bom Dia Minas.

São três anos surpreendentes. Me apaixonei pela apresentação. É uma extensão da rua. Gosto demais das coberturas ao vivo, de apurar no ar mesmo, com o celular nas mãos.

A cobertura da madrugada já te trouxe alguns perrengues ou episódios inusitados?

Sérgio Marques - Já fiquei meia hora atolado até a cintura depois de pisar numa areia movediça achando que era terra firme; filmei um casal saindo de uma padaria pensando que eram funcionários, mas na verdade tinham acabado de assaltar o estabelecimento. Pelo menos tínhamos o flagrante da fuga. São muitas histórias!

Qual sua rotina de horários à frente do Bom Dia Minas?

Sérgio Marques - Antes de dormir, por volta de 20h30, dou uma olhada nos assuntos do jornal do dia seguinte. Acordo às 3h50 e olho as notícias de novo. Chego na TV por volta de 4h30. Mais uma lida nos assuntos, escrevo, passo no camarim, gravo chamadas... Bastante coisa para fazer num intervalo de 1h30. O jornal começa às 6h. Como também participo do MG1, tomo um café e começo a preparar as participações para o jornal do almoço. Vou embora por volta das 13h. Mas jornalista desliga? Não desliga!

Como encara esse trabalho que começa tão cedo? Não é um problema para você?

Sérgio Marques - Meu desafio nem é acordar cedo, é dormir cedo. Sou bastante noturno. Mas a gente vai ajustando daqui, monitorando a saúde e dá certo.

Conheça Sérgio Marques, âncora de 27 anos da Globo Minas

As pessoas em BH têm a TV como um hábito muito forte do dia a dia. Como é a interação do público? As pessoas te abordam nas ruas, pedem fotos?

Completo, no fim do mês, 10 anos morando em Belo Horizonte. Cheguei com 17 anos para estudar. Sou apaixonado pela cidade e pelas pessoas. Amo sentar na mesa do bar e fazer amizade com o garçom, com os clientes das mesas vizinhas, com as cozinheiras. E o belorizontino é assim: receptivo.

Para quem mora longe da família, como eu, isso é muito importante. Criei grandes laços aqui na cidade, me sinto em casa e acolhido. Esse também é o sentimento em relação ao público. Quase todas as abordagens são carinhosas e eu gosto demais de encontrar com o pessoal pelas ruas e conversar. Sabe o que escuto muito? “Ah, minha mãe gosta muito de você!”, “Sérgio, minha avó acorda cedo só pra ver o jornal”, “Menino, minha tia reza por você todos os dias”. Eu fico tão feliz com isso!

Perdi minha avó há 6 anos, três dias antes da minha formatura. Ela já tava com o vestido pronto pra usar, mas não me viu pegando o diploma. Então, hoje, enxergo minha vó Landa em cada uma dessas senhoras incríveis que acompanham o meu trabalho.

Você também faz sucesso no Instagram. Como você lida com esse assédio nas redes sociais?

Sérgio Marques: Entro todos os dias na casa das pessoas. Muitos me tratam como alguém da família mesmo. Entendo que é natural que elas queiram me conhecer um pouco mais. Encaro como reflexo do meu trabalho. Mas já aprendi a lidar também com aquilo que não é muito legal. Prefiro focar na gentileza das pessoas.

Faz planos para o seu futuro na TV? Tem algum projeto, algum sonho que quer realizar?

Sérgio Marques - Profissionalmente vivo hoje algo que sempre sonhei, sou extremamente grato a todas as pessoas que dividem comigo esse trabalho tão especial. Sigo empolgado e feliz na apresentação, sempre pensando num jeito de a notícia chegar às pessoas da forma mais direta possível. Em agosto, tem dois projetos bem legais saindo do forno. O resultado todo mundo vai conferir na tela da Globo.

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