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Ex-apresentadora do Globo Esporte processa Globo por assédio e pede mais de meio milhão

Carina Pereira deixou a emissora em janeiro de 2021


Carina Pereira segurando troféu conquistado por um quadro do Globo Esporte
O Ge na Praça, um dos quadros de Carina Pereira no Globo Esporte, chegou a ganhar um prêmio - Reprodução/Instagram
Por Sandro Nascimento, com Jéssica Alexandrino

Publicado em 02/02/2022 às 08:15:17,
atualizado em 02/02/2022 às 09:18:02

Carina Pereira, ex-apresentadora do Globo Esporte, da Globo Minas, deixou a emissora em janeiro de 2021 e, na época de sua demissão, fez um desabafo nas redes sociais, revelando ter sofrido assédio moral por parte de seu chefe. Pouco mais de um ano depois, a jornalista está processando a antiga empresa e os valores pedidos na Justiça somam R$ 570.284,55.

O NaTelinha teve acesso com exclusividade ao processo e descobriu que, além de assédio, a ação é movida por diversos outros motivos, como acúmulo de funções, horas extras, adicional noturno, feriados, abono e participação nos lucros. Nos quase oito anos em que foi funcionária da Globo, a jornalista alega ter cumprido as funções de redatora, repórter, setorista e apresentadora, pedindo que a emissora seja condenada a remunerá-la pelo exercício de todos esses cargos.

Em relação à jornada de trabalho, a reclamação de Carina se deve ao fato de que, em seu contrato, constava que a funcionária não deveria exceder o limite máximo de horas semanais previsto em lei. Porém, a ex-apresentadora do Globo Esporte diz que seus expedientes sempre se estenderam muito e que ela nunca recebeu por isso, já que cumpria determinações superiores. De acordo com o processo, enquanto era titular do programa esportivo, ela chegou a trabalhar das 7 às 16h, de segunda à sexta-feira. Aos sábados, os horários variavam.

O documento também destaca que a jornalista não usufruía do intervalo intrajornada e tampouco dos 15 minutos de descanso diários aos quais tinha direito por lei. Já a reclamação referente ao adicional noturno se deve ao período em que ela esteve à frente do Bom Dia Minas, quando começava a trabalhar ainda de madrugada. Antes de sua efetivação como apresentadora, os feriados eram considerados dias de trabalho, mas, de acordo com Carina, as folgas compensatórias não eram concedidas. Por isso, ela está requerendo o pagamento de todos esses dias, assim como o abono e a participação nos lucros e resultados da empresa.

Ex-apresentadora do Globo Esporte denunciou superior por assédio moral

Um dos trechos do processo que Carina Pereira está movendo contra a Globo é dedicado ao assédio moral que a jornalista diz ter sofrido por parte de colegas de trabalho e de um superior. Nos dois últimos anos de sua passagem pela emissora, a apresentadora relata que sofria pressões variadas, ouvia piadas de cunho machista e sexista e era constantemente censurada.

"No decorrer do contrato de trabalho, mais especificamente, nos dois últimos anos a obreira sofria pressões de variadas formas (piadas, assédio (cunho machista e sexista), além de ser alijada das suas funções, com diminuição de matérias, troca de programa, sendo constantemente, censurada, abordada e advertida por seus superiores. No início eram piadinhas maldosas de cunho machista e sexista dos seus pares, após passou a ser do seu superior. As atitudes na ocasião eram, nitidamente, machistas colocou a figura feminina numa posição em que a beleza física é supervalorizada em detrimento dos atributos intelectuais", diz a petição inicial que o NaTelinha teve acesso.

E continuou: "Todos esses acontecimentos revelam o tratamento desumano, depreciativo, constrangedor, jocoso, discriminativo e humilhando sofrido pela empregada, no exercício de sua atividade profissional, em evidente atitude excessiva e abusiva por parte do empregador".  

"Ah, a Carina consegue essa exclusiva porque ela é mulher, Carina tem o que você não tem, oferece o que você não oferece. Se fosse eu, essa reunião não teria durado cinco minutos. Mas, mulher, né. Ser mulher é bom demais, ser mulher é fácil demais. Com você, a reunião durou meia-hora’.", exemplifica o documento, atribuindo a fala ao superior de Carina Pereira na época.

A ação ainda destaca o fato de, inicialmente, Carina ter procurado o departamento de Recursos Humanos da Globo Minas, sem sucesso. Após a denúncia, a funcionária mudou de horário e função, além do clima no ambiente de trabalho ter piorado. A jornalista é representada por André Froes de Aguilar, mesmo advogado de Rachel Sheherazade no processo movido contra o SBT. Procurado, o advogado não se manifestou sobre a reportagem.

"O que ele fazia comigo, ele fazia com outros colegas. A gente resolveu denunciar. Primeiro, a gente foi no RH. Não resolveu muito. Depois a gente fez uma denúncia na ouvidoria da empresa. Fui mudada de horário, de função. Para mim, as coisas pioraram. Eu era a única mulher dessa galera que denunciou e sinto que fui a única prejudicada. Aquilo me entristecia. Aquilo ficava na minha cabeça. Por que para mim as coisas eram mais difíceis?”.

Camila Pereira

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