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Roda Viva

Marcelo Adnet critica Carioca e se posiciona sobre Marcius Melhem: "Não sou juiz"

Humorista disse que não sabia dos casos

 Marcelo Adnet critica Carioca e se posiciona sobre Marcius Melhem: "Não sou juiz"
Marcelo Adnet no Roda Viva - Foto: Reprodução/YouTube

Redação NT

Publicado em 18/08/2020 às 10:05:00

Marcelo Adnet foi o entrevistado do Roda Viva na última segunda-feira (17) e abriu o jogo sobre diversos assuntos, como sua forma de trabalhar. O humorista da Globo criticou seu colega de profissão, Marvio Lúcio, conhecido como Carioca, por ter sido usado pelo presidente Jair Bolsonaro para fazer piada com jornalistas em março deste ano. O comediante também se posicionou sobre a acusação de assédio moral contra Marcius Melhem.

Adnet trabalhou com Marcius desde 2018 na formatação de projetos de humor da Globo, como a criação do Tá no Ar – A TV na TV. Por essa aproximação, foi questionado se o artista “estava passando pano” ao ex-colega em relação ao tema.

"Eu acho uma coisa inadmissível. Eu fui abusado duas vezes e sei como as vítimas sofrem. Portanto, não tenho poder de polícia, porque minha opinião é da dúvida. Quando nos apressamos em dar uma opinião, condenatória ou não, estamos sendo levianos”, declarou.

Ele negou que estivesse contra as vítimas e ressaltou que não tinha consciência dos supostos assédios praticados por Marcius. “Não há como ter ambiente de trabalho convivendo com assédio. Isso é um assunto muito sério. O que estou dizendo é que não sou juiz. O dia em que tiver informações suficientes poderei emitir informações”, acrescentou.

Adnet também explicou que não vai na sede da Globo desde fevereiro, já que se isolou em casa desde o início da pandemia no Brasil. “Então fica difícil saber o que aconteceu. Quando eu tiver todas as informações, aí eu vou poder dar uma opinião mais firme”, completou.

No final do ano passado, Melhem foi acusado de assédio moral por algumas profissionais da Globo e o nome de Dani Calabresa foi dada como suposta “líder” do grupo. O humorista negou as acusações, mas se afastou da emissora em março com a alegação de ter tido problemas familiares. No dia 14 de agosto, porém, a Globo anunciou a saída de Marcius Melhem do canal após 17 anos de contrato. No mesmo dia, Calabresa citou uma série sobre assédio nas redes sociais e internautas logo entenderam uma indireta ao comediante.

Marcelo Adnet critica Carioca

Sincero, Marcelo Adnet foi questionado sobre a ação feita por Marvio Lúcio junto com Bolsonaro em março. Na ocasião, eles se encontraram em frente ao Palácio da Alvorada e o presidente deu autorização para o humorista responder aos questionamentos dos jornalistas sobre o crescimento do PIB. A imprensa não gostou, pois enxergou no episódio um deboche.

“Eu não gosto desse tipo de humor. Quem estava sendo sacaneado? Nós, a imprensa, quem gostaria de ouvir da autoridade máxima uma colocação. Eu não achei graça, não acho isso bacana, porque você está fazendo humor junto do poder. Apontando o humor para baixo”, disse Adnet. “Foi um episódio que não achei graça, não faria”, disparou.

Apesar de ter reprovado o comportamento do colega, Marcelo elogiou Carioca. “Não foi sucesso, uma coisa bacana, embora o Carioca seja muito talentoso e faça imitações autorais impressionantes”, acrescentou.

Marcelo Adnet e seu trabalho

O comediante relembrou seu período de MTV e explicou que teve muita liberdade para trabalhar no canal, porque a Editora Abril “estava mais preocupada com suas revistas e deixava a emissora de lado”. Contudo, Adnet confessou que deixou o canal quando soube que ela sairia da TV aberta.

Na Globo, ele admite que procura ao máximo fugir da sua zona de conforto e procura fazer imitações críticas. “Toda piada tem um alvo, e tento fazer com que o alvo da piada seja merecido, por isso faço imitações de figuras públicas, políticos. São pessoas que estão em posição de poder, destaque, e portanto, merecem a desconstrução”, comentou.

“Mas minha verdade é essa, escolher o alvo da piada. Isso me faz manter o senso de humor mais construtivo. Gosto de fazer humor assim, que faz pensar”, analisou. “Mas isso não é regra, acho que o humor é plural, os humoristas são diferentes, tem características diferentes”, ressaltou.

Confira a entrevista na íntegra:

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