Desligado

CNN Brasil demite Leandro Narloch após declarações consideradas homofóbicas

Jornalista foi detonado após fala na última quarta-feira (08)

CNN Brasil demite Leandro Narloch após declarações consideradas homofóbicas
Leandro Narloch será demitido da CNN Brasil

Publicado em 10/07/2020 às 15:15:49 ,
atualizado em 10/07/2020 às 19:43:20

Por: Fabrício Falcheti

A CNN Brasil decidiu pela demissão do jornalista Leandro Narloch, após ele provocar revolta na última quarta-feira (08) ao fazer um comentário sobre gays e HIV, distorcendo pesquisa para afirmar que "é pequena" a mudança na regra para doar sangue, que agora permite homossexuais do sexo masculino.

Segundou apurou o NaTelinha, Narloch será desligado do canal de notícias nesta sexta (10) após a enorme repercussão de suas falas, quando foi acusado de homofobia. Pressionada, a CNN tomou a decisão, também para passar que não compactua com as declarações do jornalista e entende as críticas que ele recebeu.

Procurada pela reportagem, o canal enviou a seguinte nota: "A CNN Brasil comunica que decidiu rescindir o contrato do jornalista e escritor Leandro Narloch. A empresa agradece pelos serviços prestados no período em que ele fez parte de nossa equipe de analistas e deseja sucesso no seguimento de sua carreira".

A polêmica com Leandro Narloch

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revogou a norma que proibia a doação de sangue por homens que praticam sexo com outros homens, cumprindo determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou a restrição discriminatória.

Durante participação no programa Live CNN de quarta-feira, Leandro Narloch foi chamado para comentar a mudança e surpreendeu. "A mudança, na verdade, é pequena. Ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual [sic] do indivíduo", começou ele, errando a expressão "orientação sexual" (a citada está em desuso porque ninguém opta por ser gay ou heterossexual).

Em seguida, o comentarista mencionou uma pesquisa de 2018, encomendada pelo Ministério da Saúde, que realizou testes de HIV em 3.958 homens de 12 capitais, detectando o vírus em 18,4% dos exames (em São Paulo, a taxa foi de 24,8%). No total, 75% dos entrevistados afirmaram transar apenas com homens.

Após ser detonado, Narloch usou o Twitter para esclarecer sua fala na CNN Brasil: negou ser homofóbico, reafirmou que o vírus HIV tem mais prevalência entre gays e discordou do uso da expressão "orientação sexual".

Autor de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, livro com distorções e inverdades a respeito de fatos históricos do país, Narloch já tem histórico de desinformação na CNN Brasil. Ele já disse, por exemplo, que 25% das mortes por coronavírus tiveram outras causas. Também citou uma frase atribuída ao escritor português José Saramago nunca dita por ele: "Fascistas do futuro se chamarão antifascistas".

Jornalista se pronuncia nas redes sociais

No final da tarde desta sexta-feira, Leandro Narloch usou seu perfil no Instagram para falar sobre a sua demissão. Afirmando que a "cultura do cancelamento" tinha causado isso, e desmentindo que seja homofóbico.

"A cultura do cancelamento me pegou. A CNN informou agora que, depois da polêmica desta semana, decidiu rescindir meu contrato. Lamento pelo motivo, tenho horror a homofobia e concordei explicitamente com a doação da sangue por homossexuais", começou.

Ele ainda refletiu sobre o que ele considera ser o clima dos tempos atuais, e afirmando que tudo acontece de forma exagerada. "Me preocupa o clima da sociedade hoje, em que é impossível discordar até mesmo de termos ou terminologias sem causar histeria, sem que o outro lado seja considerado um monstro que precisa ser banido", continuou.

Para encerrar, ele ainda fez um agradecimento para os colegas da antiga emissora e aos amigos que deram apoio. "Agradeço a todos os colegas da CNN e amigos que expressaram apoio e tristeza pelo que aconteceu. E já antecipo anúncios dos próximos dias: um curso contra a cultura do cancelamento, sobre 'temas sensíveis' e ideias proibidas, e uma frente para preservar a diversidade ideológica e a liberdade do debate. Abraços e bola pra frente", concluiu.





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