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Entrevista a Datena

"Prisão de Queiroz não é motivo para Bolsonaro sair", diz Ratinho

Apresentador nega ser bolsonarista, mas acha que presidente "apanha" da imprensa

Ratinho e Jair Bolsonaro
O apresentador Ratinho e o presidente Jair Bolsonaro
Paulo Pacheco

Publicado em 18/06/2020 às 19:08:01

Ratinho rebateu críticas e apontou erros sobre o presidente Jair Bolsonaro, e comentou a posse do deputado Fabio Faria, genro de Silvio Santos, como ministro das Comunicações. Em entrevista a José Luiz Datena, o apresentador negou ser bolsonarista e disse que o dono do SBT não tem relação com o novo cargo do marido de Patricia Abravanel.

"Vou falar bem aberto. Coitado do Silvio, não tem nada a ver com isso, sempre tocou a televisão dele independentemente de governos, nunca teve problemas. O Fabinho [Faria] foi colocado lá porque é o cara que mais facilmente fala com todas as emissoras de televisão, com todas as mídias. É aquele que coloca pano quente. Todo mundo gosta dele, tanto que foi prestigiadíssimo quando foi tomar posse. Aliás, achei que iria ser convidado e não fui convidado, porque sou muito amigo do Fabio”, disse Ratinho, em tom de brincadeira no final da fala.

Sobre Sara Winter, militante bolsonarista presa nesta semana, Ratinho a chamou de “completamente louca. Em relação à captura de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, o apresentador falou que "paguem na Justiça” se tiverem cometido crimes, "mas não é o caso de derrubar o presidente da República”.

Datena afirmou que, como Ratinho, é acusado de defender Bolsonaro, e o apresentador do SBT rebateu a crítica: "Eu consegui entrevistar Fernando Henrique, Lula umas quatro vezes, Dilma duas vezes, Michel Temer. Eu entrevistei todos os presidentes desde quando [apareci em rede] nacional. Não corri de nenhum, e em todas as vezes que entrevistei foram nos períodos em que eles estiveram em pior situação. Torço pelo Brasil, quero que o Brasil vá bem, não interessa para mim quem está na Presidência”.

Ratinho, que disse ter conversado “umas seis ou sete vezes” com Bolsonaro após a eleição, o conhece desde quando os dois ocuparam o mesmo mandato de deputado federal, entre 1990 e 1994: “Sempre foi bronco”. Para o apresentador, a entrada do Palácio da Alvorada, conhecida como “cerquinha”, é atualmente a maior vilã do presidente.

"O que eu tenho medo é que o presidente parece, a cada momento, estar perdendo a paciência, e os ministros militares, que sempre foram controlados, alguns já estão flertando com a probabilidade de um endurecimento do regime. Você não vê assim não, Ratinho?”, perguntou Datena.

"Não vejo não. Os militares que estão em volta do presidente são tão democráticos quanto ele. O negócio da grade, o presidente apanha na Globo, na Bandeirantes, no SBT, apanha em um monte de lugar e vai tentar responder naquela gradinha. Aí está o erro dele. Não tem que responder, tem que chamar entrevista coletiva e falar na entrevista coletiva, preparada. Ele vai lá, com aquele jeitão dele, vai para a cerquinha. Só que o que ele fala na cerquinha é editado pelas grandes emissoras, só colocam o que eles querem, não falam o que ele realmente falou. Só que ele não saca isso daí. Ele continua dando entrevista na cerquinha, o que eu sou totalmente contra, já tive oportunidade de falar para ele, mas ele não me ouviu. Falei para o Fabinho Wajngarten [chefe da Secom, que será extinta]: ‘Fale para o presidente parar de dar entrevista na cerquinha, bobagem isso daí’, ‘Ah, mas ele quer chegar perto do povo’. Deixe para chegar perto do povo quando for candidato de novo ou quando for inaugurar alguma obra. Penso assim”.

Outro erro de Bolsonaro, apontado por Ratinho, está na ideia do presidente de tentar confrontar as notícias sobre ele na grande mídia usando apenas suas redes sociais.

"Nunca vi um presidente da República apanhar tanto na vida. Ele apanha 24 horas por dia da grande mídia! E o grande erro do Bolsonaro, que eu vejo, é achar que a mídia social tem o mesmo alcance de uma televisão aberta. Quando a Globo abre o Jornal Nacional para bater o Bolsonaro, está falando para 50 milhões de pessoas. Até a rede social alcançar 50 milhões de pessoas no mesmo assunto leva uma semana”, avaliou o apresentador.

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