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Em 1999

Aposta do Globoplay, A Usurpadora já foi pedra no sapato da Globo

Novela mexicana exibida pelo SBT foi comentada até por Jayme Monjardim, que viu números de Terra Nostra caírem com sucesso da trama rival

Gaby Spanic e Fernando Colunga em cena da novela A Usurpadora, agora no Globoplay
Com Gaby Spanic e Fernando Colunga, A Usurpadora roubou telespectadores da Globo há 22 anos - Foto: Reprodução
Walter Felix

Publicado em 14/11/2021 às 15:35:00,
atualizado em 16/11/2021 às 01:02:25

O ano de 1999 não foi nada bom para a Globo. Enquanto boa parte de suas novelas fracassava na audiência, a emissora via sua principal concorrente prosperar no horário nobre com o fenômeno mexicano A Usurpadora indo ao ar pela primeira vez no SBT. A trama latina, que um dia já foi pedra no sapato do canal, é agora a aposta do Globoplay, com estreia nesta segunda-feira (15).

Vendida àquela altura para 120 países, A Usurpadora alcançava no Brasil índices de audiência entre 19 e 21 pontos, segundo o Ibope, quando cada ponto equivalia a cerca de 80 mil telespectadores na Grande São Paulo. Os números foram revelados em uma reportagem de Andréa de Lima, em maio de 1999, para a Folha de S. Paulo.

Por vezes, a atração batia as tramas inéditas da Globo de outros horários. Exibida às 18h, Força de um Desejo era bastante elogiada, mas não conseguia grande público, com médias entre 20 e 23 pontos, as mais baixas já registradas na faixa até então. O insucesso se repetia com Suave Veneno, que oscilava entre 35 e 38 pontos - também a menos vista às 20h.

A crise “global” só seria estancada no segundo semestre, quando entrou em cena Terra Nostra, superprodução assinada por Benedito Ruy Barbosa. Mesmo a história dos imigrantes penou para barrar o sucesso da trama encabeçada por Gaby Spanic. Os primeiros capítulos da novela com sotaque italiano enfrentaram a reta final de A Usurpadora na concorrência.

Em entrevista à repórter Sônia Apolinário, de O Estado de S. Paulo, o diretor de Terra Nostra, Jayme Monjardim, não desconsiderou o potencial mexicano. “Enquanto a novela do SBT não acabar, seu público não vai mudar de canal”, admitiu. “E eles estão com uma média de 20 pontos de audiência que é um número que não se pode menosprezar.”

Há 22 anos, Gaby Spanic criticou novelas brasileiras: “Há tantas subtramas que você não sabe quem são os protagonistas”

Aposta do Globoplay, A Usurpadora já foi pedra no sapato da Globo

Ainda que não tenha vencido diretamente os números das novelas da Globo, A Usurpadora deu bastante dor de cabeça à emissora, retirando dela uma parcela considerável de telespectadores. No SBT, o folhetim fazia dobradinha com o Programa do Ratinho, também muito popular na época.

Até a estrela mexicana foi chamada para opinar sobre as produções daqui. "Nas novelas brasileiras, há tantas subtramas, que você não sabe quem são os protagonistas. No México, as coisas são mais simples", analisou Gabriela Spanic, em visita a São Paulo para promover a novela. O depoimento foi concedido a Alexandre Maron, da Folha de S.Paulo.

O sucesso fez com que a história das gêmeas rivais se tornasse um curinga para o SBT, sempre acionada a fim de elevar os índices de sua programação. A primeira reprise foi à tarde, em 2000, ano seguinte à primeira exibição. Na segunda reprise, em 2005, também à tarde, voltou a causar problemas: ganhou em algumas ocasiões de Laços de Família, então em cartaz no Vale a Pena Ver de Novo.

Passados 22 anos, chegou a vez da própria Globo desfrutar desse sucesso. Disponível no catálogo de streaming a partir de amanhã, A Usurpadora foi exibida originalmente pela Televisa em 1998. Traz Gaby Spanic como as irmãs Paulina e Paola Bracho, que trocam de vida após se conhecerem já adultas. A primeira, boa, se apaixona pelo marido da irmã má, Carlos Daniel, vivido por Fernando Colunga.



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