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Por audiência

De volta no Globoplay, Era uma Vez… foi resposta a fenômeno do SBT

Segundo autor, novela de 1998 foi encomendada para levar público infantil de volta às 18h

Luiza Curvo, Elias Gleizer, Alessandra Aguiar, Alexandre Lemos e Pedro Agum em cena da novela Era uma Vez..., de volta no Globoplay
Crianças têm destaque em Era uma Vez..., novela exibida há 23 anos que está de volta no Globoplay - Foto: Reprodução/Globo
Walter Felix

Publicado em 16/08/2021 às 05:41:00,
atualizado em 16/08/2021 às 09:46:22

Era uma Vez…, novela de Walther Negrão com direção de Jorge Fernando, chega ao Globoplay nesta segunda-feira (16). Exibida originalmente em 1998, a produção foi uma resposta da Globo a um fenômeno do SBT que havia fisgado o público infantil: a primeira versão brasileira de Chiquititas, que entrou no ar em 1997 com grande audiência.

As duas histórias tinham pouca coisa em comum. A novelinha do SBT, escrita por Cris Morena e gravada em Buenos Aires, na Argentina, era centrada no dia a dia do orfanato Raio de Luz, comandado por Carolina (Flávia Monteiro). Os dramas das crianças órfãs eram o fio condutor da trama, que teve cinco temporadas e ficou no ar até 2001 na emissora de Silvio Santos.

Já Era uma Vez… narrava a trajetória de Madalena (Drica Moraes), uma forasteira que chega à cidade de Nova Esperança e conquista o coração de Álvaro (Herson Capri). As crianças também eram personagens de destaque: neste caso, os quatro filhos do protagonista, que rejeitam o casamento deste com a megera Bruna (Andréa Beltrão). Eram eles: Glorinha (Luiza Curvo), Zé Maria (Alexandre Lemos), Marizé (Alessandra Aguiar) e Fafá (Pedro Agum).

De volta no Globoplay, Era uma Vez… foi resposta a fenômeno do SBT

A novela tentava surfar no sucesso de Chiquititas com as crianças, mas ia ao ar mais cedo: às 18h, antes da rival indireta, que era exibida às 20h. A trama principal fazia mais referência ao clássico do cinema A Noviça Rebelde (1965), que também contava a história de uma governanta que conquista o amor do patrão e das crianças.

"Não gosto de escrever personagens infantis", relatou Walther Negrão, autor de Era uma Vez...

Em entrevista ao livro Autores: Histórias da Teledramaturgia, de 2008, Walther Negrão deu detalhes sobre a concepção de Era uma Vez…: “Tive que fazer essa novela às pressas. Havia uma pesquisa indicando que a criança de certa idade estava abandonando o horário das 18h. A gente precisava de algo que atraísse de novo a criança”.

“Na verdade, eu não gosto de escrever personagens infantis, mas personagens para a criança. Eu ia fazer só uma ou duas crianças na trama, mas a Elizabeth Jhin, minha colaboradora na época, brigou porque queria que a história tivesse meia dúzia de crianças, e disse que ela escreveria os personagens”, detalhou Negrão.

A trama global passou longe da repercussão da concorrente de origem latina. O tom infantil também foi diminuído no decorrer da história. As maldades dos vilões Bruna e Danilo (Tuca Andrada), e também o triângulo amoroso entre Filé (Cláudio Heinrich), Emília (Deborah Secco) e Babi (Nívea Stelmann), suplantaram as crianças da história.

Era uma Vez… chegou ao fim com média de 30 pontos no Ibope na Grande São Paulo, satisfatória para os padrões da época, mas abaixo da antecessora, Anjo Mau (1997), que registrou 32. Por outro lado, conquistou alguns fãs, que fizeram o sucesso da reprise mais recente, no primeiro semestre deste ano, que levou o Viva à liderança da TV paga.

O tema de abertura, homônimo ao título do folhetim, era cantado por Toquinho e pela dupla Sandy & Junior, que bombava entre as crianças nos anos 1990. Relembre:

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