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Atriz de Malhação revela que foi vítima de assédio: "Depressão profunda"

Personagem de Dig Dutra no seriado culpa a filha e defende abusador

 Atriz de Malhação revela que foi vítima de assédio: "Depressão profunda"
Dig Dutra está no ar em três produções da TV Globo - Divulgação

Taty Bruzzi

Publicado em 11/11 às 04:59:00

No ar como a Kátia em Malhação - Viva a Diferença (2017), Dig Dutra diz em entrevista exclusiva ao NaTelinha que assim como muitas mulheres já foi vítima de assédio. "Sofri assédio psicológico, o que resultou em uma depressão profunda. O mais assustador é que você não percebe de imediato. É algo que vai minando sua autoestima e te destruindo aos poucos até você se anular totalmente", relata.  "E o pior é que não é lenda, você realmente se convence que a culpa de tudo é sua. Só consegui sair dessa com terapia, medicamentos e muito amor de pessoas importantes pra mim", recorda.

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Na novelinha escrita por Cao Hamburger, e que está sendo reprisada na TV Globo, a atriz curitibana vive uma mãe que sai em defesa do namorado abusador e acusa a filha adolescente, K1 (Talita Younan), pelo assédio.

Curiosamente, a trama das duas começou a ir ao ar na semana em que aconteceu o julgamento de um empresário de Santa Catarina acusado por uma modelo de estupro. O caso ganhou grande repercussão devido ao tratamento, apontado como inadequado pelas pessoas, com a vítima e o resultado, já que o rapaz foi inocentado.

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"Eu vejo o caso Mari Ferrer com total indignação. Os argumentos usados pelo advogado do acusado são absurdos. Sem falar na maneira inadmissível que trataram a vítima", reage, Dig. "Fiquei muito orgulhosa quando as cenas da Malhação foram ao ar mostrando respeito e cuidado com a vítima, além de ressaltar que em caso de assédio/estupro a vítima nunca tem culpa", complementa.

Para interpretar a Kátia, a atriz optou por não se aproximar muito da intérprete de sua filha na novelinha antes de gravar. "Não tive dificuldade pra compor a personagem, mas tem uma curiosidade interessante. Eu não conversava normalmente com a Talita antes das cenas. Porque ela é um amor de menina e se eu me apegasse a ela, seria mais difícil manter o tom hostil da cena", revela.

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"Então, nos bastidores, eu ficava olhando pra ela com desprezo, se ela se dirigisse a mim eu respondia: 'não fala comigo que eu não tô podendo olhar pra sua cara'. Tudo isso para que, na hora da cena, a gente estivesse nessa vibe. E a Isabella Sechin, preparadora, fez um trabalho muito bacana pra gente encontrar o tom dessa relação", explica.

Para Dig, existem mulheres como a Kátia. "Infelizmente não é coisa de novela. Casos como o de Kátia e K1 são muito mais comuns do que a gente imagina. Mulheres carentes, totalmente dependentes emocionalmente, que amam demais e não conseguem enxergar a realidade. Ficam cegas e colocam o amor doentio pelo parceiro acima delas mesmas e dos filhos. É muito triste", lamenta.

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Atriz também pode ser vista em A Força do Querer e Zorra Total

Ainda sobre Malhação, Dig Dutra ressalta a importância do seriado teen em abordar temas polêmicos e do cotidiano do adolescente, gerando uma forte ferramenta de discussão. "Acho importantíssimo justamente pela variedade de assuntos abordados na tela. A exposição de tantos temas diversos e relevantes gera debate nas rodas de amigos, nas escolas, e até em casa. A identificação faz com que o espectador adolescente não se sinta sozinho com suas questões", avalia.

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No ar também na reprise de A Força do Querer (2017) como a Rochelle, amiga do personagem Nonato (Silvero Pereira), a atriz elogiou o trabalho social de Gloria Perez no folhetim das nove.

"Outra novela que presta um super serviço em relação aos temas abordados. Muita gente não tem conhecimento sobre as questões de gênero e nem tem com quem conversar a respeito", sinaliza.

"Gloria Perez tratou tudo de forma didática, explicando e mostrando as diferenças entre trans e travestis, de forma que o público em casa pudesse entender que são coisas diferentes. E, principalmente, que o público olhasse esses personagens como pessoas que existem de fato, que sofrem e amam, e não como simples estereótipos da dramaturgia", elogia.

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Aos 44 anos, Dig Dutra tem uma sólida carreira na televisão. Com participações em novelas e seriados, a atriz até hoje é lembrada pelo papel de Maria da Abadia, no Zorra Total (2008-2009). Questionada se é mais difícil fazer o público rir ou chorar, ela aponta o humor como um desafio. "O drama acessa com facilidade o emocional do público. Traz alguma memória emotiva, alguma identificação, mexe nos medos e inseguranças que todo mundo tem. Está tudo lá", observa.

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"Mas o humor encontra uma resistência maior. Nem todo mundo está predisposto ao riso. Muitas vezes para fazer rir é preciso desarmar a pessoa. E isso não é tarefa fácil" finaliza.


Fique por dentro dos próximos capítulos de Malhação - Viva a Diferença e outras produções acessando o canal de Novelas do NaTelinha.

Quer saber mais? Confira o resumo semanal de Malhação: Viva a Diferença de 09/11/2020 a 13/11/2020

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