Personagens da Netflix fumam três vezes mais que em séries da TV aberta e preocupa nos EUA

Estudo apontou que "Stranger Things" teve 182 cenas com uso de tabaco

Cena da série "Stranger Things" - Divulgação/Netflix

Publicado em 20/03/2018 às 10:28:53 ,
atualizado em 20/03/2018 às 10:34:29

Por: Thiago Forato

Os serviços de streaming não estão sujeitos às mesmas restrições de conteúdo que a televisão aberta. O resultado, para a alegria de uns e desgosto de outros, é mais violência e sexo em conteúdos de outras plataformas.

O tabaco é um dos itens que entra com mais força neste meio. Foi o que constatou a The Truth Initiative (A Iniciativa da Verdade), organização sem fins lucrativos anti-tabaco nos Estados Unidos.

De acordo com um estudo realizado por ela e publicado no Washington Post, os personagens de séries da Netflix fumam três vezes mais que os shows produzidos pelas redes abertas do país, como a ABC, CBS e NBC. Foram comparados sete séries entre as plataformas.

A organização argumenta que isso pode levar adolescentes e jovens adultos a fumar. "Houve uma revolução na televisão que agora abrange um universo complexo, incluindo Hulu e Netflix", disse Robin Koval, CEO da Iniciativa da Verdade.

"Enquanto todos estão assistindo, ninguém presta atenção, mas estamos vendo um ressurgimento generalizado da imagem da glamourização do fumo, renormizando um hábito mortal para milhões de jovens", disse Koval.

Em resposta à revista Variety, um representante da Netflix se limitou a dizer: "Estamos interessados em saber mais sobre esse estudo".

O exemplo mais emblemático do levantamento é a série "Stranger Things". O programa continha 182 cenas com uso de cigarro.

Na era de ouro de Hollywood, entre as décadas de 1940 e 1950, os cigarros eram recorrentes. Estrelas como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Gary Grant, James Dean e Marilyn Monroe raramente filmavam uma cena sem o cigarro na boca.

Obviamente, isso não foi coincidência. A indústria do tabaco é quem usava os filmes como um veículo para anunciar seus produtos. O Jornal The New York Times chegou a apresentar uma reportagem em que Sylvester Stallone recebeu US$ 500 mil para apresentador os cigarros Brown & Williamson em cinco de seus filmes, incluindo "Rambo" e "Rocky IV".

Para as autoridades americanas, a presença do cigarro em cena impacta diretamente o uso dele no futuro de um jovem.



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