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A dor da saudade

Mazzaropi negou 5 milhões de dólares da Globo por amor a Hebe Camargo

40 anos sem Mazzaropi: Especial do NaTelinha fala sobre o cineasta, empreendedor e o homem além do artista

Amácio Mazzaropi no campo e fumando cigarro
Amácio Mazzaropi marcou história no cinema - Foto: Divulgação
Thiago Forato

Publicado em 13/06/2021 às 06:00:00,
atualizado em 13/06/2021 às 12:26:57

A morte de Amácio Mazzaropi (1912-1981) completa 40 anos neste domingo (13). Filho de imigrante italiano com uma filha de portugueses, o menino que tinha tudo para ser mais uma engranagem na pujança industrial da época, se tornou um dos maiores artistas e cineastas do nosso país. Durante sua trajetória, produziu 32 filmes entre 1952 e 1980, levando mais de 30 milhões de pessoas às salas de cinema. E quem foi Mazzaropi? Na arte de fazer rir e como cineasta, a unanimidade de que foi um gênio. Empreendedor visionário e um homem correto, o paulistano também deixou marcas em quem conviveu com ele. A seguir, o especial do NaTelinha mostra as outras facetas de Mazza, para os íntimos.

Depois de perambular por diversos circos e teatros e ter feito participações em programas televisivos, Mazzaropi recebeu uma proposta da Companhia Cinematográfica Vera Cruz para ir para as telonas com um personagem que fez história: o Jeca. O caipira interpretado por ele marcou uma geração que se sentia representada, desmistificando o estereótipo do caipira que era tido como um sujeito ultrapassado, inocente e pouco astuto. Mazzaropi surpreendia com um personagem interiorano, mas que possuía sabedoria. Foi assim que Mazza conseguiu passaporte para a fama, dinheiro e dezenas de filmes com enorme bilheteria.

Mazzaropi teve, no total, cinco filhos considerados de criação: Péricles Moreira, o primeiro de todos, já falecido, João Batista de Souza, o Joãozinho do filme Casinha Pequenina (1963), Pedro Francelino de Souza, o filho preto que ele também criou, e que esteve no filme Jeca e o Seu Filho Preto (1963), Carlos Garcia e André Luiz de Toledo, o caçula. Caçula este que adicionou Mazzaropi ao seu nome e é um dos personagens desta matéria.

O personagem Jeca, que lançou Mazzaropi ao estrelato, é uma adaptação do Jeca Tatu de Monteiro Lobato (1882-1948), que ele criou para a marca Biotônico Fontoura. "O Jeca Tatu de Lobato era um cara que tinha doença, indolente, preguiçoso, queria na esperteza passar a perna nos outros. O Biotônico Fontoura fez bem pra ele até ficar forte. E o Mazza se inspirou nessa história até fazer o primeiro Jeca", resume à reportagem José Adalto Cardoso, roteirista e que foi assistente de direção em dois filmes de Amácio, O Jeca Macumbeiro (1974) e O Jeca Contra o Capeta (1975).

Para Adalto, Mazzaropi foi um gênio. "Ele era muito simples. Os filmes dele são muito simples. Não tem nenhum recurso, uma sofisticação. São histórias comuns, mas acho que tudo deve a ele. É uma espécie de Charles Chaplin (1889-1977). Como falamos dele até hoje, vamos falar de Mazzaropi até sempre. Era um cara genial. Emplacou bem como caipira. É um tipo social do Brasil que todo mundo conhece. Quem não conhece um caipira?", reflete.

Segundo André, o filho caçula de criação do cineasta, ele jamais aceitou que o Jeca fosse discutido. "O Mazza pega nos anos 30, 40 e 50, o êxodo rural, quando o povo saía da roça para viver na cidade. Quem era esse povo? Os caipiras. Esse caipira vivia dentro da cidade. Às vezes até de terno. Mas, era caipira", enfatiza ele ao NaTelinha, explicando a aceitação do personagem.

Engane-se quem acredita que Mazzaropi não possua fãs mais jovens. Luan Amaral, jornalista de 29 anos, é a prova viva disso. Em 2014, realizou um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre Amácio Mazzaropi. "Era um humor muito inteligente para aquela época. Não se tinha maldade. Aquilo me cativou. Ele conseguiu romper gerações", analisa ele, que foi influenciado a gostar do Jeca em virtude dos avós.

A genialidade do artista Mazzaropi

José Adalto, que foi assistente de produção em duas obras de Mazzaropi, relembra que o Jeca Macumbeiro teve alguns problemas. O roteiro era curto e algo precisava ser feito para aumentá-lo. Sem conseguir os 90 minutos necessários para sua finalização, isso deixou Mazza chateado, e a partir daí, ele conta um dos casos em que entrou em ação o gênio.

"Ele começou a inventar piada e conseguiu a metragem que ele queria. Mas estava decepcionado com o filme. Não era bem aquilo que ele tinha pensado na visão inicial. Ele achava que o filme não era bom. Mazzaropi era muito perfeccionista e não se desculpava por ter feito um roteiro curto. E quebrou um galho", recorda, que para a surpresa do próprio Mazzaropi, o filme foi um grande sucesso.

A capacidade de improvisação, aliás, veio  muito antes, quando ele tinha 17 anos de idade. Adalto ouviu a história da boca do próprio Mazzaropi. "Ele [Mazza] tinha 17 anos, e queria ir para o circo. Mas, com essa idade não era maior. Então, fez um documento dizendo que tinha 21 anos. Ele morreu com 69 anos, mas tinha 65. Com 17, juntou toda a documentação e mudou."

A pergunta que não quer calar: como Mazzaropi conseguiu modificar toda sua documentação? Com bom humor, o roteirista resumiu: "Naquela época podia tudo. Ele foi quem me contou. Ele falsificou toda a documentação e foi para o circo".

A ojeriza de Mazzaropi por TV, quase ida para a Globo e ajuda à Hebe Camargo

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Mazzaropi era avesso à televisão. Tanto José Adalto como André Luiz confirmam isso. "Ele tinha uma certa ojeriza por televisão. Ocupava tempo demais dele. Ele achava que a TV ia massificar muito, não ia ser legal. Ele acreditava que ela era mais ou menos um concorrente dele. O forte dele era o cinema", diz Adalto.

André Luiz ratifica: "Ele não quis. Ele começa a trajetória dele no rádio, que foi o maior, e é o maior veículo de comunicação do mundo. A televisão era um concorrente direto dele". O filho caçula do Jeca, a seguir, narra uma história sobre uma quase ida de Mazzaropi para a Globo.

Em 1978, se eu não estiver enganado, ligou lá no escritório da PAM Filmes, o Boni e o Augusto César Vannucci (1934-1992). Eles queriam fazer um especial. O Vannucci ligou para o Mazza, que falou: 'Tô velho. Se quiserem pagar o que eu quero, eu vou'. Marcamos uma reunião, conversamos. O Mazzaropi disse o seguinte: 'Vocês me dão 5 milhões de dólares. Eu tenho 100 vezes esse valor. Mas se vocês me derem isso, eu faço. Quer pagar eu vou'. Passado uns 10 dias, ele [Vannucci] liga para o Péricles [um dos filhos de criação]: 'Fala pra ele que a Globo topou os 5 milhões. E aí... Quem era o maior interessado em aparecer na Globo? Eu! André Luiz de Toledo, hoje André Luiz Mazzaropi. Eu iria apresentar o programa dele lá. Chamamos o Vannucci, começamos a conversar. Toca o telefone e... Era a Hebe Camargo (1929-2012)! A paixão platônica da vida dele! A Hebe disse que a Band encerraria seu contrato e a Meridional não a patrocinaria mais. 'Mas se você for no meu programa, eles renovam', disse Hebe ao Mazza. Fazia 30 anos que o Mazzaropi não aparecia na televisão. Fomos até lá na porta da Meridional. O Mazza pediu pra falar com o dono. 'Vocês vão rescindir com a Hebe? Eu vou no programa dela!'. E eles falam: 'Se você for lá, a gente renova mais 5, 10 anos com ela. Voltamos. Falei com o Péricles. Quando foi domingo, naquela mesma semana estavam jogando Corinthians (Mazzaropi era corintiano) e São Paulo no Morumbi. E nós fomos, claro. Pedimos pra sentar no camarote, pedimos para ir ao da Band. Nos receberam com uma festa tremenda, todo mundo veio abraçá-lo. E dia tal ele falou que ia aparecer no programa da Hebe, anunciando. Quando voltamos, quem estava no telefone em casa? Roberto Marinho (1904-2003)! Ele perguntou: 'Quantos milhões você está ganhando para ir na Hebe?'. O Mazza respondeu: 'Nenhum! A Hebe é minha amiga. Lá em casa eu tenho isso [5 milhões de dólares] guardado!'. E tinha isso mesmo. Tínhamos 10 milhões de dólares guardados lá, em dinheiro vivo. E Mazzaropi não foi para a Globo.

André Luiz, filho de Mazzaropi

A ascensão de Mazzaropi como empreendedor

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Além de um artista completo, Mazzaropi se destacava como empreendedor. Por já possuir experiência no cinema e sabendo de seu potencial, ainda em 1958, decidiu abrir sua própria produtora, a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi). Ousado, vende boa parte de seus pertences para alugar equipamentos de filmagens da extinta Vera Cruz. O primeiro filme rodado pela PAM Filmes é Chofer de Praça (1959).

Considerado visionário nos negócios, Mazzaropi inovava com a produção dos filmes. Cuidava do lançamento e da distribuição das películas em todo o Brasil, conseguindo assim controlar o faturamento das bilheterias. Apesar de fazer todos rirem a cada apresentação, quanto o assunto era negócios, Mazzaropi não brincava em serviço. Anualmente, havia pelo menos um longa-metragem lançado pela PAM Filmes. A cada filme produzido, a grande bilheteria já tratava de financiar sua próxima produção.

Toda essa estrutura foi parte imprescindível para que ele fizesse fortuna. André lembra bem disso. "Dentro de casa, tínhamos uma mesa bancária. Eu emprestava dinheiro para banco. Emprestava 1 milhão para o Itaú, 5 para outro... Naquele tempo tinha bastante banco."

José Adalto também se recorda do período que Mazza chegou a socorrer bancos. "Ele passava uma grana alta para as agências de banco de Taubaté. Todo fim de mês, dia 28, 29, iam lá pedir dinheiro emprestado, para fechar com saldo alto e mostrar para a matriz. E dia 1º ou 2 do mês seguinte, devolviam o dinheiro", diz ao NaTelinha.

Adalto, aliás, tem uma história um tanto quanto curiosa sobre Mazzaropi e dinheiro. O intérprete de Jeca era tão correto que não devia 1 centavo a ninguém. Literalmente falando. Duvida?

Quando fiz um filme em 1974, ficávamos sete semanas em Taubaté. A cada semana você recebe um salário semanal, a gente é pago em cinema por semana... E assina recibo. No final do filme, você cancela os recibos semanais e faz um total onde abate o imposto de renda, INSS, essas coisas que tem que fazer de lei. Eu me lembro que ele me pagou semanalmente, quando foi acertar o recibo final, vi que tinha a diferença de 1 centavo, nas deduções lá do documento. Falei: 'Esse 1 centavo vai dar um problema pro contador...' Hoje você aperta uma tecla e resolve o problema. Naquela época, tinha que procurar em todos os pagamentos, mexer em tudo pra achar 1 centavo para bater a contabilidade dele. Liguei para o contador do Mazzaropi e falei: 'Olha, tem 1 centavo de diferença no pagamento que você me fez. Eu não quero esse 1 centavo, é claro, não tem sentido, mas tô dizendo, te descomplicar quando for fechar a conta, pra você saber que é meu.' Só avisei ele. Passado três, quatro dias, aí fui, o gerente me chama lá, me esperando com um cheque de 1 centavo pra me dar. Parece piada. Não era nada, mas tava com um cheque de 1 centavo. O que vou fazer? O Mazza é muito sério. Poxa vida. Fiquei encantado com a seriedade do Mazza. Peguei o cheque. 'Não sei o que fazer com esse cheque, vou deixar na minha carteira'.

José Adalto Cardoso, roteirista e assistente de direção em filmes de Mazzaropi

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A história não para por aí. José Adalto não imaginava que esse 1 centavo poderia comprar mais coisas do que ele pudesse imaginar.

"Uns dias depois, chamei os outros três para ir almoçar em Pedreira, na região de Campinas para comer um leitão a pururuca. Fomos até lá e disse pagava a conta. Era um presente para os outros três. Quando fui pagar, o dono do hotel, que estava no caixa, viu de raspão o cheque que eu tinha na carteira e pediu para ver. 'É 1 centavo e não sei o que fazer com ele', disse. Essa assinatura do cheque é do Mazzaropi?', perguntou. Eu disse que sim. 'Então me dá esse cheque e tá paga a conta'. Paguei um belo de um almoço pra quatro pessoas com um cheque de um centavo", conta.

De fato, Mazzaropi não devia 1 centavo para ninguém, e quem trabalhou com ele, confirma, como vocês leram anteriormente. E apesar de interpretar um Jeca, Mazza tinha gostos e costumes longe de um. "Ele era um homem muito chique", diz André.

"Gostava de carros importados. Não tinha mansão porque não quis. Mas tinha uma casa muito boa. Só ficava em grandes hotéis. Ele gostava de luxo. Usava sapatos sutoris. Ele tinha meia dúzia, era de luxo. Aliás, eu também tinha porque ele comprava pra mim. Uma coisa que ele nunca foi, foi miserável", assegura o caçula do eterno Jeca.

Produzindo um documentário sobre Mazzaropi, Luan Amaral também atestou isso conversando com diversas fontes que estiveram ao lado do cineasta. "Apesar de interpretar um cara do campo, era um cara vaidoso, tinha gostos caros. Estava junto com a galera da alta sociedade. Era um popstar", conta ele, que se surpreendeu como seu objeto de estudo conseguiu acumular riqueza.

Mazzaropi e a crítica

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José Adalto e André Luiz afirmam que Mazzaropi nunca foi perseguido pela crítica. O ex-assistente, aliás, é taxativo: "Ele não era criticado. Ele era ignorado. Eu imagino o seguinte, se a imprensa fosse falar do Mazzaropi, tinha que falar mal. Mas se falasse mal de um ídolo nacional, não pegaria bem. A crítica quase não falava nada de Mazzaropi. Que eu saiba, não era criticado. Não era elogiado, mas ele não estava preocupado com isso. Não dava entrevista, não aparecia, ele tinha o mundinho dele".

André concorda. "Nunca foi perseguido pela imprensa. Isso nunca existiu. Acontece que nós, brasileiros, sempre privilegiamos os de fora. E não os de dentro. Vem muito da nossa cultura latina. Brasileiro sempre valorizou o que era de fora. Ninguém nunca perguntou quanto Mazzaropi gastou num filme. O mínimo que ele gastou foi 1 milhão de dólares em Jeca Macumbeiro. O resto, todos 3, 4 milhões de dólares."

Caso fosse exibido hoje, as coisas poderiam, e provavelmente seriam diferentes. Adalto conta que Mazzaropi era ateu e não acreditava em religião. O Jeca Macumbeiro, aliás, era uma brincadeira que fazia com a umbanda. "Ele até desrespeitava. Naquela época podia. Hoje ele não faria isso com tanta veemência", diz ele.

Luan Amaral é da turma que acredita que Mazzaropi se reinventaria nos tempos atuais. "Tudo tem que evoluir. É uma linguagem que não caberia hoje. Existe um processo natural de evolução de adequação da sociedade. O Mazzaropi era tão genial, à frente do seu tempo, que talvez ele fosse um dos primeiros a conseguir enxergar essa mudança da sociedade, a se adaptar mais fácil. A genialidade era tão grande que acho que ele se adaptaria sem grandes problemas."

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Luan Amaral ao lado do DVD com seu TCC: Ele se surpreendeu com o Mazza

Um dos grandes legados que Mazzaropi deixou, na visão de Luan, é que é possível fazer cinema nacional sem se inspirar no que acontece no exterior. "A gente tem nossa cultura, personalidade. A gente pode muito bem transformar isso em cinema. A gente pode transformar isso em arte, sem querer copiar. A gente tem capacidade, profissionais de todos os lugares que podem conquistar sem depender do que vem de fora, de colocar o brasileiro no cenário do cinema. E fazer cinema de humor."

A doença e morte de Mazzaropi

Mazzaropi faleceu de um câncer na medula em 13 de junho de 1981. André acredita que ele se originou de um acidente de trânsito nos anos 60, perto do Parque do Ibirapuera, quando caiu de um carro, quebrando o braço e o cóccix.

O grande combustível do Jeca eram os shows, que o levou até o final da vida, até o fatídico dia 13 de junho, como define André, que se emocionou narrando os derradeiros momentos que viveu ao lado do pai e ídolo. "Aquele dia não acabou até hoje", comove-se.

"Eu estava tomando banho, minha sogra bateu na porta e falou: 'André, você vai para São Paulo agora? A rádio tá dizendo que o Mazza morreu'. Quando cheguei lá, já estava no caixão. Na verdade, me despedi dele em 9 de abril de 1981. Eu sabia que ele ia embora e ele também sabia. Falei que ia colocar o nome dele no meu nome."

Naquele dia de outono, Mazzaropi chamou André para uma conversa e abriu o jogo. "Na conversa, falou que não dava mais. O remédio não fazia mais efeito e as dores estavam muito fortes. Ele dizia: 'Sou muito frágil. Sou muito forte pra tudo, mas isso não tem o que fazer. Sei que vou embora. Está cumprida minha missão aqui'", profetizava.

Mazzaropi se foi. E se foi sabendo quem era, tendo a noção exata do que representava. "Nunca usou isso [sua posição] como privilégio para nada", afirma André. José Adalto também faz questão de ressaltar sua lucidez nesse aspecto. "Ele tinha a plena noção da importância dele. Mazzaropi tinha plena consciência disso", assegura.

Para André, José Adalto e tantos outros fãs de Amácio Mazzaropi, fica um dos versos da música A Dor da Saudade, de Elpídio dos Santos (1909-1970), seu compositor favorito.

"A dor da saudade... Quem é quem não que tem? Olhando o passando, quem é que não sente saudade de alguém..."

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Assista ao trailer do filme Jeca Macumbeiro (1974):

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