Indenização bilionária

Advogado que processa Porta dos Fundos por R$ 1 bilhão diz: "Denegriram os homossexuais"

Ao NaTelinha, advogado conta como chegou nesse valor e repudia conteúdo do especial

Advogado que processa Porta dos Fundos por R$ 1 bilhão diz:
Fábio Porchat e Gregório Duvivier protagonizaram A Última Tentação de Cristo - Divulgação/Netflix

Publicado em 15/02/2020 às 08:23:50

Por: Thiago Forato com Naian Lucas

O especial de Natal lançado no final do ano passado pelo Porta dos Fundos e Netflix ainda está dando o que falar. Em nome da Igreja Pentecostal Brasa Viva, o advogado Anselmo Melo está processando as duas empresas pelo valor de R$ 1 bilhão, na 5ª Vara Civil do Fórum de Campo Grande do TJ do Rio de Janeiro. A Última Tentação de Cristo, título que teve o especial da Netflix, é "infame e satiriza símbolos sagrados do cristianismo" segundo o profissional.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, ele explica como chegou às cifras de R$ 1 bilhão como valor indenizatório: "Como se mede um valor de um prejuízo, por exemplo, da imagem denegrida de uma jornalista? Agora pega esse valor e multiplica por milhões de brasileiros que tiveram de engolir total afronta à dignidade de Cristo, que é adorado em todo o mundo. Ofensa a fé de mais de 1 bilhão de pessoas que se declaram cristãs no mundo inteiro".

No entanto, ele enfatiza que o objetivo da igreja, caso vença o processo, não é o enriquecimento, mas sim transformar a situação em algo verdadeiramente benéfico para a sociedade: "O valor da indenização não irá para a igreja e sim para todas as instituições filantrópicas do Brasil, objetivando tornar uma sociedade com mais respeito e dignidade. A igreja entende que o Porta dos Fundos e a Netflix estão prestando um desserviço para a sociedade, e que por isso a compensação indenizatória é justificável".

Para advogado, não há censura ao Porta dos Fundos

"Todas as vezes que alguma categoria ou religião se sente desrespeitada, ela pode entrar na Justiça. Mas alguns diriam que esse tipo de ação é um ato de censura. No entanto, censura é proibir. Liberdade de expressão é falar ou ter opinião sobre qualquer assunto", explica.

E vai além: "Se não existirem limites, poderíamos dizer então que a profissão de jornalista é para vagabundos ou para drogados. Esse tipo de declaração pode até ser noticiada, mas quem noticiar poderá ser processado por danos morais".

Caso inédito

Essa é a primeira vez que o advogado processa um programa ou atração do tipo. "Jamais se chegou a crueldade em rede mundial. Inclusive procurei saber através do meu registro na OAB se eu já tive outros casos como esse. Pesquise e verá que nunca tive. Mas agora terão outros mais", promete.

Anselmo Melo assegura que assistiu ao especial da Netflix na íntegra para poder entrar com o processo bilionário e detalhe o que considera infame no conteúdo: "Você pode até brincar com religião ou outras categorias na sociedade, mas jamais mudar o que a sociedade acredita o que é bom e os ajuda a vencer os problemas".

"Agora, difamar uma imagem adorada pelo mundo inteiro e ainda usar a homossexualidade como chacota, como se ser homossexual fosse motivo de brincadeira, não pode. Eles também denegriram a imagem de toda os homossexuais, faltando com respeito. Foram muito infelizes", conclui.




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