Enfoque NT

Essência dos realities e premonitório, "O Show de Truman" completa 20 anos

Mais que um filme, "O Show de Truman" foi lançado há duas décadas





O ator Jim Carrey
Jim Carrey em "O Show de Truman" - Divulgação

Publicado em 03/11/2018 às 08:30:36 ,
atualizado em 03/11/2018 às 15:07:53

Por: Thiago Forato

Há duas décadas, "O Show de Truman" parecia absurdo. A própria atriz Laura Linney, que esteve no filme, declarou neste ano à revista Variety que o elenco ria de situações e coisas que pareciam irreais. O longa completou 20 anos de seu lançamento no Brasil nesta semana.

"Nós não acreditávamos que alguém iria querer se filmar, para que as pessoas pudessem sintonizar e ver o que era considerado na época como mundano, e ver isso como entretenimento", disse ela.

A explosão dos shows de realidade como o "Big Brother" e os derivados "A Fazenda", "Casa dos Artistas" e tantos outros espalhados por aí provam que ela estava errada.

O reality deixa de ser reality quando você sabe que há uma câmera. O único fato real ali é o diálogo, e olhe lá.

A intrincada fábula trazida à tona pelo cineasta Peter Weir está centrada em Truman: um homem otimista, interpretado por Jim Carrey, que gradualmente percebe que toda a sua vida é estrategicamente construída.

Seus amigos e familiares são, na verdade, atores. Cada movimento dele é capturado por cinco mil câmeras escondidas e transmitidas para o mundo. Até suas ações são manipuladas por um diretor, Christof (Ed Harris).

"O Show de Truman - O Show da Vida" previu a moda da realidade televisiva, invasão de privacidade (onde as pessoas se deixam invadir, claro), e o dilema existencial de viver para si ou para o público.

O personagem de Carrey teve que se decidir entre aceitar o mundo artificial que ele conhece ou se aventurar no desconhecido em busca da verdade.

Mudou muita coisa?

20 anos depois, o filme parece até profético. Só nos Estados Unidos, há mais de 800 realities em inúmeras TVs, streamings e internet.

Na web, na realidade, o número ultrapassa isso com ferramentas como Twitter, Instagram, Facebook e YouTube, com incontáveis derivados de conteúdos desse segmento.

Olhando para trás, se torna evidente que não se trata de um filme de ficção científica. Apenas uma realidade aumentada. Afinal, ainda não existe um programa que acompanha a vida de um ser humano desde seu nascimento e controla tudo ao seu redor, num mundo cenográfico.

"O Show de Truman" ainda é um filme que capta exatamente a essência de um reality genuíno. É mostrado em escolas e alvo até de estudos. Destaco como um dos mais importantes longas dos últimos tempos.

Hoje, deve ser mais do que nunca, em um mundo onde há explosão de popularidade em função do que se faz e fala em redes sociais. Em uma época onde todos os aspectos da vida são postados em Twitter, Facebook e Instagram, qualquer um é capaz de alcançar o status de celebridade.

Premonitório

De fato, o filme é autêntico e premonitório, sobretudo que, logo no ano seguinte ao seu lançamento, um avalanche de programas de realidade surgiram, como o "Big Brother", "Survivor" (No Limite) e "American Idol".

Olhando lá para trás, quem diria, o "Show de Truman" era muito mais do que um filme.

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 13 anos e assina a coluna Enfoque NT há sete, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br Twitter: @tforatto



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