Coluna do Sandro

Jornalismo da Record erra na estratégia e joga dinheiro fora

Jornalismo da Record erra na estratégia e joga dinheiro fora
Divulgação/ Record

Sandro Nascimento
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Sandro Nascimento

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br

Publicado em 18/06/2019 às 05:50:31 Atualizado em 18/06/2019 às 21:36:57

O principal do jornalismo de uma emissora de TV é a sua repercussão. De nada adianta um bom Ibope se o que foi exibido no noticiário não repercute na mídia e não influencia em novos rumos da sociedade.

Diante das decisões anunciadas até aqui, com sua nova diretoria, parece que o jornalismo da Record não entendeu ou não dá importância a isso.

Recentemente, contrataram Rogério Gallo para ser diretor de criação do jornalismo. Começa que a criação no jornalismo é algo desnecessário quando o conteúdo tem repercussão. A plástica no jornalismo não vem na frente da relevância do seu conteúdo e nem traz credibilidade.

Tendo a embalagem visual dos noticiários como primeiro objetivo da nova diretoria, a Record faz parecer ignorar a importância da reverberação.

Atualmente, a maior preocupação de Rogério Gallo é criar novos cenários aos noticiários da emissora, como o "Jornal da Record" ou o "Cidade Alerta" no fim da tarde.

É uma pena que a atual direção da emissora desconheça sua história ou então saberia que o mais importante jornal da Record foi o "Record em Notícias", que foi criado por Hélio Ansaldo, na época diretor de jornalismo e apresentador, quando a emissora era da família Machado de Carvalho nas décadas de 70 e 80.

Hélio montou um cenário com três tábuas e dois cavaletes que estavam abandonados na marcenaria da Record e fez sua bancada. Depois pegou os únicos microfones que funcionavam, que eram apenas quatro, com fio e que serviriam a atender seis pessoas que eram os debatedores.

O próprio Hélio comprava jornais de manhã na frente da então TV Record, e escolhia as notícias do dia que seriam debatidas no sua atração da hora do almoço, que ganhou o apelido de "Jornal da Tosse".

O sucesso e a repercussão foi tão grande por tantos anos que este jornal elegeu por mais de três eleições inúmeros deputados estaduais e federais que eram os preferidos das donas de casa.

O poder deste jornal e sua repercussão acabaram quando Edir Macedo comprou a TV Record e demitiu Hélio Ansaldo, acreditando que sem seu criador o jornal teria o mesmo efeito.

Mas depois de Hélio, jamais o "Record em Notícias" foi a mesma coisa ou teve a mesma repercussão.

Poderíamos até citar Flávio Cavalcanti, que fazia jornalismo em seu programa com o mais pobre cenário que a quase falida TV Tupi oferecia e num estúdio sem ar condicionado no bairro da Urca, no Rio de janeiro, e o país todo comentava o programa durante a semana.

Nos dias de agora temos dois exemplos efetivos que acontecem no jornalismo da Record. Na cobertura da trágica morte do cantor Gabriel Diniz, o "Balanço Geral SP" com Reinado Gottino bateu as principais atrações da Globo: "Globo Esporte" e "Jornal Hoje". A audiência foi tão grande que forçou a emissora a suspender a exibição da "Sessão da Tarde" para competir com a Record a liderança de audiência.

Mas parte deste sucesso se deve ao carisma que Reinado Gottino conquistou com o público e o esforço da sua equipe. Cenário? Quem repara nisso?

Na última sexta-feira (14), o "Cidade Alerta" com Luiz Bacci conseguiu se destacar na cobertura do caso do assassinato do ator Rafael Miguel.

Neste crime que abalou o país, o irmão do acusado de matar Rafael foi explorado ao máximo por Luiz Bacci no fim da tarde. Pode até se discutir alguns excessos, mas o apresentador foi inteligente e soube entender o que o público gostaria de assistir na Record.

A repercussão da sua abordagem recebeu apoio público de Ratinho e até Xuxa, além de conseguir destaque em vários sites, jornais e revistas.

Bacci, que teve um grande professor que foi Marcelo Rezende, não apenas aprendeu as lições do mestre como também as aprimorou com seu talento, como consequência, consegue bater no Ibope um veterano do jornalismo policial, José Luiz Datena, na Band.

A leitura disso é que a Record consegue repercussão em seus noticiários vespertinos, mas não alcança o mesmo com seu carro-chefe no jornalismo, o "Jornal da Record". Será que a emissora busca entender esse fato editorial?

A emissora precisa aprender o que acontece com o Bacci e Gottino, o que é estratégia de comunicação para que o jornalismo seja eficiente e consiga reverberar.

Até aqui, ao invés de entender o momento e o que é repercussão, a Record está preocupada em gastar fortunas em cenários do "Cidade Alerta", "Jornal da Record" e "Balanço Geral".

Jornalismo sem repercussão não serve para nada. E quanto aos novos cenários milionários, com certeza não alterarão nem o lucro da empresa e menos ainda seu Ibope. Isso não é conceito deste espaço mas sim a história da TV. Se cenário desse audiência, o marceneiro teria o maior salário das emissoras.


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