"Hoje em Dia" transforma apresentadores em leitores de luxo de teleprompter

Divulgação/TV Globo

Publicado em 16/05/2018 às 09:16:59 ,
atualizado em 16/05/2018 às 10:23:57

Por: Sandro Nascimento

A intenção era ser uma revista eletrônica, mas quem liga na Record TV para assistir ao "Hoje em Dia", fica na dúvida se vê mais um telejornal. A atração inspirada no "Good Morning America", da rede americana ABC, possui uma das melhores formações de apresentadores desde sua criação, mas ao mesmo tempo, eles se tornaram leitores de luxo de teleprompter.

O atual formato do "Hoje em Dia" está engessado, previsível e algumas vezes exibe matérias que parecem longas-metragens, difícil para a dona de casa acompanhar durante uma tarefa e outra.

Um exemplo aconteceu nesta terça-feira (15). O programa exibiu uma reportagem de quase sete minutos, tempo infinito para TV, falando sobre problemas que podem ocasionar aos praticantes de Crossfit, sem acrescentar nada de novo num assunto extremamente batido: lesão durante atividade física.

Além disso, a matéria foi produzida numa linguagem de telejornal, se esquecendo que o programa é uma revista eletrônica, que permitiria falar de uma forma mais informal com telespectador no intuito de criar uma identificação maior com sua audiência.

O atual formato do "Hoje em Dia" aposta em inúmeros VTs e esquece de investir em seu excelente elenco de apresentadores, restringe o talento de todos, fica tudo frio, cansativo e sem espontaneidade. O que deve ser dito está tudo no teleprompter.

Ana Hickmann, Ticiane Pinheiro, César Filho e Renata Alves teriam muito mais para acrescentar, além de ficarem no palco com a responsabilidade de fazerem as cabeças das matérias. Todos são carismáticos, espontâneos e tem a identificação do telespectador. Porém, a direção do programa precisa deixar que o fator talento se sobressaia em relação às infinitas reportagens exibidas.

O único que permanece indomável, por enquanto, é Ronaldo Ésper com seu quadro semanal. Sua participação sempre é algo fora da curva.

Até a Globo, que em outros anos tinha a fama de robotizar seus apresentadores, hoje, reviu seus conceitos e colhe bons resultados com "Encontro com Fátima Bernardes" e "Bem Estar". A Record TV, com seu matinal, faz um caminho inverso, acredita que seus apresentadores sejam robôs e esquece que sua audiência quer assistir pessoas.

Do jeito que está, até Silvio Santos se tornaria um Cid Moreira nos tempos de "Jornal Nacional".

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br



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