Em meio a clipe sem repercussão, Anitta enfrenta sua maior ameaça: o pop empoderamento de Iza

Divulgação

Publicado em 10/04/2018 às 09:47:04 ,
atualizado em 10/04/2018 às 10:53:56

Por: Sandro Nascimento

Anitta é sem dúvidas uma das grandes revelações que a música nacional teve nos últimos cinco anos. Persistente e com uma história de superação, soube transformar o hit "Show das Poderosas" em uma ponte para uma carreira sólida, preponderante e com perspectiva de atravessar fronteiras geográficas.

Porém, um movimento novo está chegando na música jovem: um pop com brasilidade e empoderamento. A protagonista desde desvio de rota no mercado chama-se Iza, uma carioca negra da zona norte, que assim como Anitta, remou contra as adversidades e preconceitos na luta pelo seu espaço.

No seu primeiro single, em 2016, “Quem Sabe Sou Eu”, Iza já quebrou estereótipos trazendo uma canção pop distante das letras onde a mulher apenas se coloca no papel do "quica e rebola". "Abre o olho, eu tô na moda, e quem manda em mim sou eu", cantou, trazendo a discussão e difusão do feminismo.

Em outra música, "Pesadão", com elementos de R&B e reggae, a nova cantora do pop nacional demonstra com quais elemento pretende conquistar um nicho pouco explorado, quando fala de luta, perseverança e autoestima. "Cabeça erguida sempre pra seguir/ Se tentar nos parar, não é bem assim/ Ficaremos mais bem fortes do que antes/ Do sul ao norte/ Sonoros malotes/ Música da alma pra sábios e fortes/ Game Of Thrones com a gente não pode/ Minha ostentação é nosso som...", diz.

Até pouco tempo, seria impossível imaginar letras fortes, de conteúdo, entre um ritmo e outro na balada.

Mas a brasilidade no pop de Iza fica evidente em “Ginga”, que tem referências da capoeira no ritmo e na coreografia. O clipe já ultrapassou sete milhões de visualizações em menos de 20 dias. Em um trecho, canta: "Sagacidade pra viver Lutar, cair, crescer/ Sem arriar ou se render/ Tem que defender...".


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Com uma voz poderosa, e um inglês fluente, a menina de 23 anos já tem uma gravadora internacional por trás e viu seu cachê triplicar nos últimos meses.

Meteórica, a carreira de Iza já se tornou símbolo do empoderamento feminino, da diversidade, virou tema de novela da Globo, garota propaganda da uma linha de cosméticos, se apresentou no Rock in Rio e agora fecha parceria para uma canção com Ivete Sangalo, uma outra cantora de conteúdo e que agrada a diversos segmentos, para seu primeiro álbum.

O crescimento da nova musa pop no cenário musical acontece justamente no momento em que Anitta enfrenta um crise artística com o lançamento do clipe "Indecente". O vídeo parece uma compilação de diversas ideias já utilizadas por astros americanos e sem apresentar novidades, não "causou" da forma que pretendia.

Na busca de sua carreira fora do Brasil, Anitta aposta numa americanização do seu trabalho, mas perde identidade. Na contramão, chega Iza, preenchendo uma lacuna nunca explorada, com um discurso completamente divergente de artistas como Kelly Key, Perlla, Luka, Ludmilla, Lexa e Pabllo Vittar. Com isso, como num ciclo, Anitta hoje enfrenta sua maior e mais ameaçadora concorrência no trono do pop nacional.

Como leitura, o sucesso repentino desta negra poderosa pode indicar que uma nova tendência está chegando ao mercado fonográfico do país: letras que valorizam a força da mulher, da autoestima, da diversidade e a necessidade de lutar contra os preconceitos, tudo com uma original sonoridade pop verde amarela. Assim é Iza.

Sandro Nascimento é jornalista formado, assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br



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