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Até quando o jornalismo nacional do SBT vai ser levado de qualquer jeito?

Direto da Telinha

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Joyce Ribeiro e Patrícia Rocha foram dispensadas do SBT - Divulgação
Redação NT

Publicado em 23/01/2017 às 11:19:07

Assim como mais uma de suas mudanças repentinas, a dispensa de Joyce Ribeiro e Patrícia Rocha, bem como a retirada de Marcelo Parada da direção nacional de jornalismo do SBT, causaram espanto, surpresa e até temor dentro da emissora.

Mas essas situações, que até seriam naturais em outro contexto ou fase, deixam uma triste mensagem, já conhecida de outrora: a má condução do jornalismo nacional da TV de Sílvio Santos.

Atitudes controversas, especialmente tomadas desde 2016, dão a entender isso nas entrelinhas. A começar pelo tratamento dado às grandes coberturas, como o Impeachment, Tragédia da Chapecoense e a morte do relator da Lava-Jato Teori Zavascki, com plantão mostrado só para os telespectadores que assistiam o sinal do SBT de São Paulo capital.

Outro ponto que merece ser mencionado é a extinção do “Jornal do SBT”, símbolo forte e resistente do jornalismo da casa, que ininterruptamente, de 1999 até 2016, atravessou tempos de glória, de decadência e de reerguimento.

De certo que o patrão nunca foi lá muito chegado na atividade jornalística. Não é de hoje que situações assim acontecem. Em 1998, o departamento de jornalismo foi extinto - e a atividade se restringia a meros boletins espalhados nos intervalos da programação.

Em 2006, a saída de Ana Paula Padrão do “SBT Brasil” causou outro baque, já que ela era símbolo da “retomada” do jornalismo no canal. Mesmo que Ana tenha continuado na emissora, aquilo desestabilizou o compasso com que o núcleo vinha sendo tocado. Reflexo da crise que tomou conta do SBT inteiro, durante, pelo menos, três anos.

Não se pode deixar de mencionar a insistência no apresentador Dudu Camargo, que pelo que se vê, mesmo diante de todas as críticas - algumas maldosas, outras bastante justificáveis - segue blindado. Enquanto isso, se dispensa Patrícia Rocha, que sempre foi correta no seu trabalho; e Joyce Ribeiro, que era ícone do jornalismo da emissora. Estava no canal desde 2006 e não hesitava em topar os projetos em que era inserida. Alguém que vestia, de fato, a camisa.

Quanto ao Marcelo Parada, a troca dele não deve comprometer o jornalismo da casa, já que seu substituto é José Occhiuso, que comandava a redação da emissora em Brasília com bastante competência. Inclusive, cabe afirmar aqui que as emissoras próprias do SBT, especialmente Brasília e Rio, bem como as afiliadas, como a TV Jornal, de Recife, ou a TV Aratu, de Salvador, encaram com bem mais seriedade a atividade - na cobertura da tragédia com o avião do ministro do STF, o jornalismo local do Rio teve até entrada ao vivo de dentro do mar.

Por enquanto, é apenas lamentar a saída das profissionais neste contexto. E esperar que grandes nomes, como Roberto Cabrini, Hermano Henning e Carlos Nascimento, não sejam as próximas vítimas.


Diogo Cavalcante é formando em jornalismo. Amante de televisão e apaixonado por novelas, fala sobre o assunto desde 2013. É um dos maiores especialistas sobre Classificação Indicativa na internet.

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