Reportar erro
Colunas

Multigênero, Supermax é um bom produto, mas exige paciência do telespectador

"Enfoque NT" analisa primeiro episódio da nova série da Globo

participantessupermax.jpg
Os participantes escutam atentamente Pedro Bial - Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 21/09/2016 às 00:21:04

A Globo estreou nesta terça-feira (20), um de seus produtos mais aguardados para 2016: a série "Supermax", que teve grande burburinho durante suas gravações no ano passado. A emissora optou por estreá-la agora em razão do momento econômico da publicidade e do país como um todo em 2015, que era (e ainda é) ruim. 
 
Dos 12 episódios da série, 11 já estão disponíveis no Globo Play para quem for assinante. Entretanto, em respeito àquele que não tem acesso ao restante do material (geralmente, o público de TV mesmo), ficarei restrito a comentar apenas o primeiro episódio. O último será exibido no dia 12 de dezembro.
 
A série mostra logo de cara os 12 participantes viajando de helicóptero para uma prisão de segurança máxima no meio da Floresta Amazônica. O que eles têm em comum? Problemas com a Justiça.
 
Nos primeiros 20 minutos, é clara a sensação de reality. E a série até quis passar exatamente isso. Dar ares de "Big Brother Brasil", que o público está acostumado a acompanhar todos os verões na Globo desde 2002. As falas e intervenções de Pedro Bial, que faz uma participação especial, são bastante verossímeis e o telespectador, até aí, se sente à vontade. É um formato que ele conhece há muito tempo. 
 
Pedro Bial é o apresentador do reality na série
 
Já que cada participante tem um segredo, o primeiro não demora muito a aparecer. Bial diz que quem tirar o menor palito ao lado da televisão, terá que revelar o seu. 
 
A "sortuda" é Diana (Fabiana Gugli), uma ex-prostituta que, em meio a uma discussão com o marido após ser agredida, pega uma arma e lhe dá um tiro na cabeça. Posteriormente, o esquarteja e coloca seu corpo em três malas.
 
As câmeras internas do elevador de seu prédio flagram isso e é clara a alusão de um crime real cometido em 2012, quando Eliza Matsunaga fez o mesmo com seu marido, o empresário Marcos Kitano.
 
À esquerda, crime cometido em 2012, e à direita, referência em "Supermax"
 
A partir daí, o mistério toma conta de "Supermax" e o público tem que ter paciência. São muitos segredos para serem revelados e muitos podem desistir de acompanhar o segundo episódio. Falta um "amarro" mais forte para o público de TV aberta seguir assistindo, e esse é justamente o medo da Globo.
 
O exterior do presídio no meio da Floresta Amazônica 
 
Para quem pensa em seguir acompanhando a série, posso garantir que a história vai se desenrolando aos poucos e desatando grande parte dos nós. De novo, a palavra é paciência.
 
"Supermax" é uma série distinta, e difícil de rotular. A emissora deu liberdade ao diretor artístico José Alvarenga Jr. e seu time roteiristas para criar. O produto é bom. Muito bom, diga-se.
 
O interior do presídio
 
Tem uma trilha sonora correta, fotografia acertada, mas a percepção de que a forma de conduzir a história é pecaminosa fica evidente. O telespectador pode, sim, se sentir confuso e bagunçado.
 
A Globo ousou em lançar a série, que deveria ter estreado após "Verdades Secretas" no ano passado. Mas, fez o correto em liberar quase todos os episódios na sua plataforma sob demanda. 
 
Assistindo o primeiro episódio, não é difícil descobrir a razão. Se não fizer um grande sucesso aqui, certamente fará lá fora. 
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto 

TAGS:
Mais Notícias