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Assim como "Sassaricando", casal coadjuvante toma "Haja Coração" de assalto

Antenado


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Fotos: Divulgação/TV Globo

Em 1987, "Sassaricando" contava a história principal de Aparício Varella (Paulo Autran), um homem que foi pobre e deixou Rebeca (Tônia Carrero), o grande amor da sua vida, para dar o golpe do baú na milionária Teodora Abdalla (Jandira Martini), uma das três herdeiras das Tecelagens Abdalla.

Na releitura "Haja Coração", essa história existe, mas é tratada como trama paralela. Tudo porque, em 1987, um trio roubou a cena da parte principal. Tratava-se de Tancinha (Claudia Raia), que vivia um relacionamento apimentado com seu vizinho, Apolo (Alexandre Frota), um lutador valentão e cômico. A vida da moça muda quando ela conhece Beto (Marcos Frota), um publicitário que vai até a feira e se apaixona por ela à primeira vista, fazendo de tudo para conquistá-la.

A trama principal foi deixada de lado e o trio foi alçado ao protagonismo, com muitos merecimentos. Em "Haja Coração", algo engraçado está acontecendo.

O trio principal agora, pra valer, é Tancinha (Mariana Ximenes), Apolo (Malvino Salvador) e Beto (João Baldasserini). Só que, como na original, um trio coadjuvante tomou de assalto a novela e chama mais a atenção do público - como o destino é caprichoso, não é mesmo?

Agora, uma trama que nem existia na original se destaca. O casal Shirlei (Sabrina Petraglia) e Felipe (Marcos Pitombo), uma empregada e outro ricaço, se apaixonam numa história digna de Cinderela moderna. Para tentarem ser felizes, passam pelas maldades armadas por Jéssica (Karen Junqueira).

Na última quinta-feira (1), por exemplo, o primeiro beijo entre o casal rendeu picos de 33 pontos no Ibope, um dos maiores da novela na Grande São Paulo. O casal, lógico, ganha o protagonismo com merecimento.

Não que Mariana Ximenes, Malvino Salvador e João Baldasserini estejam mal, mas é que o triângulo amoroso principal não anda. "Haja Coração" é uma novela curta e esta trama, na teoria, está tendo barrigas, nada de novo acontece há algumas semanas.

Além disso, a química entre Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo é assustadoramente grande. Se ninguém me avisa que é uma novela, eu realmente acredito que estes dois são namorados e foram feitos um para o outro na vida real também.

O trio protagonista, na teoria, até tem sincronia, mas não tão forte, não tão contundente quanto "Shirlipe", que praticamente tem levado o folhetim nas costas nos últimos dias.

"Haja Coração" é uma boa novela, mas não vai ser lembrada, pelo visto, por conta de seu canal protagonista ou de seu humor - que é bom, mas tem cara de datado. E sim por, assim como na original que se baseou, um casal coadjuvante ter sido alçado ao protagonismo pelo carisma e pela aceitação do público. E justo na única trama "inédita" da releitura.


Gabriel Vaquer escreve sobre mídia e televisão há vários anos. No NaTelinha, é responsável por reportagens variadas e especiais. Ainda assina as colunas "Antenado", sobre TV aberta, e "Eu Paguei pra Ver", sobre TV por assinatura. Converse com ele. E-mail: gabriel@natelinha.com.br / Twitter: @bielvaquer

 

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