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"Babilônia": O sucesso negado de Gilberto Braga

Analisando

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Divulgação/TV Globo
Redação NT

Publicado em 30/03/2015 às 20:44:07

Estreou no dia 16 de março a novela "Babilônia", na Globo. Uma trama contemporânea escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares (dupla de alguns sucessos na emissora) e João Ximenes Braga.

Em resumo, sua história traz fortes críticas sociais e realismo comuns nos folhetins de Gilberto. Gira em torno de uma mulher batalhadora que mora na favela e luta para sustentar a mãe, irmão e filha. Duas vilãs que duelam em partes da história e se unem em outras.

Fazendo uma comparação com seu último sucesso, que foi "Celebridade" (2003), talvez seja uma de suas melhores histórias sendo contada a partir de agora. Há algumas semelhanças entre elas e outras grandes diferenças, que são positivas.  

As vilãs Inês e Beatriz, por exemplo, são um espetáculo à parte. Além de serem interpretadas por grandes atrizes, Adriana Esteves e Glória Pires, respectivamente, as situações te fazem analisar a justificativa de cada uma e talvez até eleger uma preferida.

Não estou aqui para descrever sobre o enredo, que eu já disse ser um dos melhores que já vi de Gilberto Braga, mas sim para entender o porquê da alta rejeição que "Babilônia" e o autor sofrem. "Paraíso Tropical" e "Insensato Coração" foram outras novelas que derraparam no Ibope e sofreram certa rejeição.

"Paraíso Tropical" (2007) iniciou com uma audiência um pouco abaixo do esperado no horário. A história que carregava uma gêmea mocinha e outra vilã foi se reerguer quase dois meses depois. "Insensato Coração" (2011), por sua vez, foi conhecer uma média semanal de 40 pontos quase seis meses após a estreia, perto de sua reta final. Fica evidente que Gilberto ou seu jeito de escrever está sendo rejeitado pelo público.

Temos ainda a forte concorrência, que nas outras oportunidades não existia. "Carrossel" reestreou no mesmo dia da atração global e já se consolidou como uma das principais audiência do SBT, na casa dos dois dígitos. Vale ressaltar que não é a primeira vez que Gilberto Braga enfrenta a história mexicana. Em 1991, "O Dono do Mundo" estreou juntamente com a versão mexicana de "Carrossel" e passou por grandes dificuldades de se estabilizar. Na verdade, as tramas se enfrentavam por pouco tempo, mas a infantil vinha sempre embalada e segurava parte do público enquanto estava no ar.

Como se não bastasse, "Os Dez Mandamentos", novela que estreou na última semana pela Record, tirou preciosos pontos da Globo e também colocou a emissora na casa dos dois dígitos, erguendo toda a continuidade da programação.

Resultado? "Babilônia" tem o pior resultado entre todas as principais novelas na história da Globo. Claro que uma recuperação pode acontecer e há história para isso, mas talvez o público já não queira aceitar algo realista. Os fatos como assassinatos, roubos, pobreza já são tão comuns no dia a dia que a trama pode-se entender como uma continuidade do telejornal.

O público conservador também se chocou logo no primeiro capítulo, pos foram cinco transas só de uma personagem, fora o beijo gay entre os papeis interpretados por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Algo que se torna chocante. Em pleno 2015 ainda haver esse tipo de preconceito.

Quem não se lembra de "Torre de Babel" e a morte da personagem Leila? O motivo foi justamente a rejeição do público por um casal lésbico. E o mais assustador é que as concorrentes compram a ideia e anunciam seus folhetins com o rótulo: "para a família brasileira".

De modo geral, acredito no potencial de "Babilônia" e carimbo como uma das melhores histórias recentes na faixa. Porém, o público se cansou de ver mais do mesmo e parece estar aceitando que novela é um produto ficcional feito para nos entreter e quer ser entretido, sair de sua realidade. Só nos resta aguardar.
 

Luiz Sales é formado em Comunicação Social - Rádio e TV. Aqui no NaTelinha, faz reportagens especiais e análises sobre essa fantástica fábrica de sonhos chamada televisão.

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