Opinião

Por que Dona de Mim fez tanta diferença na faixa das 7 da Globo

Dona de Mim renovou a faixa das sete com leveza, emoção e temas atuais, conquistando público pela coerência e maturidade narrativa


Cena da novela Dona de Mim
Dona de Mim chega ao fim nesta sexta-feira (09) - Foto: Reprodução/Globo
Por Silvio Cerceau

Publicado em 09/01/2026 às 09:27,
atualizado em 09/01/2026 às 15:14

Mais do que apenas um sucesso de audiência, Dona de Mim representou um respiro criativo para a faixa das sete da Globo. Em um horário que vinha oscilando entre fórmulas repetidas e tentativas de novelas maiores do que o próprio horário, a trama acertou justamente por entender onde estava inserida. Não tentou ser uma novela das nove disfarçada, nem uma comédia pastelão sem alma. Foi, acima de tudo, uma novela das sete, consciente de sua identidade.

Um dos grandes méritos foi a coerência narrativa. A história teve começo, meio e fim bem delimitados, sem barrigas excessivas ou mudanças bruscas de rumo para atender modismos ou pressões momentâneas. Isso é raro.

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O público sentiu que estava acompanhando uma trajetória pensada, não improvisada. O encerramento em janeiro acontece no momento certo, sem desgaste, algo que valoriza ainda mais a obra, embora o grande número de capítulos.

Também merece destaque a forma como Dona de Mim tratou temas contemporâneos sem didatismo excessivo. Questões como independência feminina, autoestima, relações tóxicas, amadurecimento emocional e redefinição de família foram incorporadas organicamente à trama.

A novela confiou na inteligência do público, evitando discursos óbvios ou lições de moral explícitas. Quando emocionou, foi pela identificação, não pela imposição.

No campo dos personagens, houve uma decisão acertada: ninguém era totalmente vilão ou totalmente herói. Até mesmo os antagonistas tinham camadas, motivações compreensíveis e momentos de humanidade. Isso enriqueceu os conflitos e deu mais verdade ao texto. O público gosta de se ver refletido, inclusive em personagens falhos, e a novela entendeu isso muito bem.

Dona de Mim foi um acerto da Globo

Outro ponto que merece opinião clara: Dona de Mim reconquistou um público que havia se afastado da faixa. Jovens adultos e mulheres se reconheceram na narrativa, nos diálogos e nas situações cotidianas. A novela conversou com o presente sem parecer “forçada a ser moderna”, algo que costuma ser um tropeço frequente.

Por que Dona de Mim fez tanta diferença na faixa das 7 da Globo

Ao final, fica a sensação de que Dona de Mim não precisou de grandes polêmicas, viradas mirabolantes ou choques narrativos para se destacar. Seu sucesso foi construído no detalhe, na constância e no respeito ao telespectador. É o tipo de novela que talvez não gere manchetes explosivas, mas que deixa saudade, e isso, na televisão diária, é um enorme elogio.

Na minha opinião o sucesso de Dona de Mim passa, antes de tudo, pela maturidade autoral demonstrada ao longo da obra. A autora Rosane Svartman mostrou pleno domínio da faixa das sete, compreendendo seus limites e potencialidades.

O texto nunca subestimou o público, mas também não se deixou seduzir por excessos dramáticos que descaracterizam o horário. Houve um equilíbrio raro entre leveza, emoção e comentário social, sinal claro de uma autora em sintonia com o momento da teledramaturgia.

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