Troféu Cerejinha 2025: Padre Fábio de Melo, Virginia Fonseca e sangue na Record; os piores do ano
Confira os eleitos do piores do ano na 6ª edição do Troféu Cerejinha
Publicado em 26/12/2025 às 07:09
Está no ar a 6ª edição do Troféu Cerejinha destacando os piores do ano na televisão. Foi difícil escolher, afinal, em 2025, a televisão aberta sofreu tropeços feios na questão da criatividade. Difícil dizer se foi com o pé direito ou com o esquerdo, mais seguro é dizer que tropeçou com os dois ao mesmo tempo.
De manhã, ninguém aguenta mais tantos programas policiais ou revistas eletrônicas com pautas que dão mais sono do que as piadas de Carlinhos Maia. À tarde, sem novidades: filmes da Sessão da Tarde, reprises de novelas e programas de celebridades.
Band e RedeTV! parecem que já assinaram contrato com a desistência: o foco é só pagar as contas e fingir que tá tudo bem. Record e SBT brigam por décimos de audiência como se fosse final de campeonato de várzea. O Brasileirão, que foi a grande novidade da Record em 2025, teve efeito zero no hábito do telespectador aos domingos.
Trocando de canal, na Globo, a maior aposta da dramaturgia foi um remake, e aí já fica difícil. Depois da tristeza que foi Vale Tudo, veio Três Graças onde a mocinha que passou a vida inteira sem trocar uma palavra com o pai resolve finalmente abrir a boca… mas só pra arquitetar um roubo de dólares escondidos numa estátua, dentro de uma mansão cuja janela dá direto pra rua em São Paulo.
É tão inverossímil que parece roteiro escrito numa mesa de bar às três da manhã. Só perde mesmo para os segredos do João Kleber na RedeTV!. Silvio de Abreu anda fazendo falta lá.
Vencedores do Troféu Cerejinha 2025

Troféu Azedou a Receita
Sabe aquele momento em que você chega em casa, abre a geladeira, vê um macarrão esquecido da semana passada e decide virar chef do improviso? Vai jogando ingredientes aleatórios: tomate meio murcho, queijo passado, e pronto, nasce uma “receita exclusiva”. Pois é, parece que a Manuela Dias resolveu aplicar exatamente essa filosofia culinária na hora de escrever Vale Tudo.
A novela virou uma espécie de rodízio de ideias. O público até se engajou no fim e repercutiu, mas elogiar Vale Tudo é quase como dizer que miojo com catchup é alta gastronomia. Dá pra comer? Dá. Dá pra chamar de obra-prima? Só se você estiver com fome de elogiar qualquer coisa.
Troféu Pula e Muda
Em 2025, o SBT resolveu brincar de roleta do Bom Dia & Cia com a própria programação. Sob a batuta de Rinaldi Faria, Aqui Agora foi de programa local a nacional e vice-versa na mesma velocidade de um ciclone extratropical.
Teve mais! Uma novela mexicana recomeçou do meio para ser exibida para todo país, e o Casos de Família primeiro era depois do almoço, depois jogado pro jantar.
Em resumo, a grade do SBT parecia uma festa junina: cada atração pulava de horário como se fosse quadrilha, e o telespectador que se vire para acompanhar.
Troféu Casal 20-20

A Record resolveu apostar alto e achou que Felipe Andreoli e Rafa Brites seriam o novo “casal sensação da TV”. Gastou uma grana, importou dois formatos, Game dos 100 e Love & Dance.
Mas no ar, parecia mais um casamento arranjado entre emissora e público: todo mundo foi convidado, mas ninguém apareceu na festa. Audiência decepcionou.
Faltou química, faltou timing, faltou… basicamente tudo. O ‘casamento televisivo’ não deu liga e entregou aquele casal do condomínio tentando animar churrasco com karaokê desafinado.
Troféu Tente de Novo
A Globo resolveu ressuscitar o humor com o formato Aberto ao Público. Só esqueceram de incluir o ingrediente básico: a graça. O resultado foi um espetáculo onde o público ria mais do constrangimento do que das piadas.
No teatro, o formato funcionava porque a plateia estava ali, quente, reagindo na hora. Mas na TV, tudo soava como pré-combinado.
O esforço foi digno, mas humor sem espontaneidade é como stand-up sem microfone: você até vê alguém falando, mas não entende por que deveria rir.
Troféu Espirra Sangue
Na grade diária, em 2025, a Record continuou apostando no quanto mais sangue, melhor. É sangue no café da manhã, sangue no almoço, sangue no jantar… se deixar, até no lanche da madrugada, mas espaço alugado pela Universal salva.
O cardápio é variado: Hoje em Dia já virou “Hoje em Morte”, o Balanço Geral parece “Necrotério Geral”, e o Cidade Alerta fecha o expediente como se fosse plantão do IML. O pior é que o SBT decidiu imitar tudo isso com o Primeiro Impacto.
Se continuar assim, daqui a pouco o slogan da emissora vai ser: Record, a caminho da liderança no Hemocentro.
Mas calma: tem motivo para festa no jornalismo além da entrada de Dudu Camargo! O Balanço Geral Rio deve estar estourando champanhe porque Milena Macedo conseguiu sobreviver um ano na Hora da Venenosa. Um ano! Isso, na Record Rio, é quase milagre.
Troféu Bombadão
No mundo dos famosos, Padre Fábio de Melo virou trending topic sem falar de fé. Ele conseguiu transformar o preço do doce de leite em escândalo nacional. Tudo lamentável e desnecessário. Troféu Bombadão para Padre Fábio de Melo.
Troféu Midiática do Ano
Antes de encerrar, precisamos entregar o Troféu Midiática do Ano para Vírginia Fonseca. Em apenas um ano, ela conseguiu separar de Zé Felipe, virar pauta na CPI das Bets, arrumar namorado famoso, separar de novo, voltar, postar foto na cama para marcar o reencontro e, como se não bastasse, ainda decretar que o Natal era dela com Vini Jr. O que tudo isso acrescenta à vida de alguém? Absolutamente nada. Mas, justiça seja feita: ninguém tirou dela o título de personalidade mais midiática do ano.
Até 2026!