Silvio Cerceau

Adeus, Manoel Carlos: A força do cotidiano na dramaturgia

Manoel Carlos eternizou o cotidiano humano em novelas marcantes e protagonistas inesquecíveis


Manoel Carlos sentando e usando óculos escuros
Manoel Carlos morreu neste sábado (10) no Rio - Foto: Memória Globo
Por Silvio Cerceau

Publicado em 10/01/2026 às 21:45,
atualizado em 10/01/2026 às 21:58

Manoel Carlos de Almeida, conhecido popularmente como Manoel Carlos ou Maneco, cumpriu sua missão hoje, seu falecimento é muito triste, embora seja nossa única certeza. Uma das minhas referências, Maneco seguiu um estilo inconfundível, é associado ao realismo crônico. Sua marca registrada, as protagonistas femininas. 

Clássico e contemporâneo foi um dos nomes mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira e uma referência incontornável quando se fala na representação do cotidiano humano na ficção televisiva. Com uma carreira que atravessa mais de seis décadas, o autor construiu uma obra marcada pela sensibilidade, profundidade psicológica e pela capacidade de transformar pequenas histórias em grandes novelas. 

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No meu olhar, diferentemente das tramas pautadas por grandes vilões ou reviravoltas mirabolantes, Manoel Carlos consolidou um estilo próprio ao colocar o ser humano comum no centro da dramaturgia. 

Seus textos abordaram temas como amor, envelhecimento, ética, família, amizade, culpa e redenção, sempre a partir de conflitos íntimos e reconhecíveis em qualquer cultura. 

Essa abordagem conferiu à sua obra um caráter universal, permitindo que suas histórias dialogassem com públicos diversos, mesmo quando profundamente enraizadas na realidade brasileira. 

Um dos maiores legados de Manoel Carlos é a criação das chamadas Helenas, protagonistas femininas que aparecem em várias de suas novelas. Fortes, sensíveis, contraditórias e profundamente humanas, essas personagens se tornaram um símbolo da complexidade feminina na televisão e ajudaram a elevar o nível da construção psicológica de personagens nas novelas.

Embora Manoel Carlos seja essencialmente um autor da TV, sua contribuição ultrapassa fronteiras nacionais. Sua forma de narrar, mais próxima do cinema autoral e da literatura intimista, influenciou roteiristas, dramaturgos e showrunners interessados em narrativas realistas e emocionalmente verdadeiras. 

Adeus, Manoel Carlos: A força do cotidiano na dramaturgia

Suas novelas foram exportadas para diversos países, reforçando a ideia de que boas histórias humanas não dependem de contexto geográfico para serem compreendidas. 

O legado de Manoel Carlos na dramaturgia

A importância de Manoel Carlos na dramaturgia mundial residiu justamente em sua capacidade de valorizar o silêncio, o diálogo e o tempo emocional, elementos raros em um meio frequentemente marcado pela pressa e pelo espetáculo. 

Ele mostrou que o cotidiano também é épico, e que a vida, com suas imperfeições, pode ser o maior drama de todos. 

Hoje 10 de janeiro, ele cumpriu sua, a última cena da vida de todo ser humano, todavia, seu legado permanece vivo não apenas nas reprises de suas obras, mas na forma como a teledramaturgia contemporânea passou a enxergar o personagem como centro da narrativa. Manoel Carlos provou que contar histórias é, acima de tudo, um exercício de empatia, e isso é universal. 

Eu deixo, respeitosamente, apenas: MUITO OBRIGADO, GRANDE MESTRE.

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