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Com final melancólico, telespectador vê queda e morte de herói em "Império"

Enfoque NT

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Reprodução
Thiago Forato

Publicado em 13/03/2015 às 23:40:26

Chegou ao fim nesta sexta-feira (13) a novela “Império”, de Aguinaldo Silva, repleto de expectativa em torno da morte do herói da história, protagonizado por Alexandre Nero, o popular Comendador José Alfredo.

Com um capítulo de duas horas e repleto de ódio, sentimento de vingança, o folhetim cumpriu sua missão: a de fazer o telespectador voltar a ligar o televisor depois de “Em Família”. “Império” conseguiu juntar os cacos deixados pela última obra de Manoel Carlos. A audiência cresceu 10% no horário e vai entregar um pouco mais alto para “Babilônia”.

O desfecho de “Império” esteve tão sombrio que parecia que não era Aguinaldo Silva como autor. Soube se reinventar e escrever um último capítulo de novela digno no sentido de fazer o público esperar por aquilo. Conseguiu criar uma atmosfera de ansiosos por um fim como há algum tempo não se via.

Um ponto bastante chamativo foi a maneira com que fizeram merchandising da Coca-Cola. Geralmente, propaganda em meio às novelas é sem nexo, jogando a marca para o telespectador. Desta vez foi diferente e inteligente. Inusitado. Fica a lição para que isso continue evoluindo no Brasil e deixe de ser motivo de vergonha alheia.

Com uma fotografia irrefutável e direção competente como sempre lhe é peculiar, no caso do profissional Rogério Gomes, a novela teve um último capítulo recheado de momentos similares às missões mais alucinantes do game "GTA", de séries como "Breaking Bad" e filmes de ação de Hollywood. Não ficou devendo.

Atuação impagável de Othon Bastos interpretando Silviano, quando seu herdeiro, Maurílio (Carmo Dalla Vecchia), foi morto por José Alfredo. A câmera girando posicionada na expressão facial do mentor intelectual de um plano contra o império do Comendador foi simplesmente épica e entrou para o hall das histórias da televisão brasileira.

O grande desfecho

Antológico: José Pedro (Caio Blat) e José Alfredo frente a frente após Silviano tentar uma de esperto pra cima de Josué (Roberto Birindelli) e tomar um par de tiros. Cena eletrizante, paralisante que não vemos num produto dramatúrgico há anos. Um balcão abandonado com todo um contexto por trás como pano de fundo dá a ideia perfeita de um palco triunfante. Mas é ali que começa a melancolia.

Sem coragem de cometer o crime de matar o próprio filho, o Comendador sai por onde entrou acompanhado de seu capanga e filha Cristina (Leandra Leal), mas não foi perspicaz o suficiente pra imaginar que José Pedro teria uma arma na perna como suporte e que todo aquele desmaio não passou de uma encenação. E o que ninguém acreditava, aconteceu: José Alfredo morreu.

Tomada bastante difícil exigindo o máximo de interpretação de todos ali presentes, principalmente do já “órfão” José Pedro, num arrependimento praticamente instantâneo, não parecendo acreditar naquilo que tinha feito. Cristina, perplexa e revoltada com o que viu, logo tira a arma de sua mão, para evitar que ele cometa um suicídio. Ato acertado, já que conviver com tal culpa é ainda pior, beirando o insuperável. Mofou na cadeia.

Nos filmes de super-heróis como Batman ou Superman, você sempre os vê apanhar. Até porque não é nada emocionante bater o tempo inteiro, mas daí a matá-lo é um tanto audacioso, e também perigoso. Um risco que se corre.

O autor resolveu corrê-lo ao mandar o protagonista dessa pra melhor, mas tentando apaziguar e gerando certa dualidade no final, na fotografia do aniversário da Império das Joias, pondo o Comendador saindo entre a cortina da foto, recriando o início da trama.

Frustrante, mas ao mesmo tempo audacioso. Ninguém quer ver seu super-herói morrer e é isso que José Alfredo representava para os telespectadores nesses meses de novela.

Mas um final um tanto quanto diferente caiu como uma tentativa de apaziguar aqueles fãs mais fervorosos do Comendador, deixando uma dualidade no ar.

As “quatro mulheres” da vida de Zé merecem destaque no Monte Roraima jogando suas cinzas ao vento. Afinal, foi lá que a vida dele começou. E terminou. Mais uma pra coleção das cenas épicas das telenovelas. Grande tomada aérea e trilha sonora, tudo na mais perfeita harmonia.

Téo Pereira (Paulo Betti), como não poderia deixar de ser, aproveitou o momento da morte do Comendador para lançar uma biografia do homem de preto, tendo como comprador de um de seus livros, o próprio novelista, Aguinaldo Silva, prometendo que a próxima biografia não autorizada seria a dele.

Audiência

Com desfechos sendo aguardados com muita expectativa pelo público, o último capítulo registrou altos índices de audiência.

No ar das 21h25 às 23h23, ou seja, praticamente duas horas no ar, "Império" registrou média de 44 pontos com picos de 47, segundo dados prévios do Ibope na Grande SP.

Como relatórios consolidados costumam apresentar índices maiores, a trama deve chegar ao fim com recorde. O penúltimo capítulo teve os mesmos 44 pontos.

Para efeito de comparação, sua antecessora, "Em Família", terminou no dia 18 de julho de 2014 com média de 37 pontos.
 

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há dez anos e assina a coluna Enfoque NT há quatro, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter e Instagram: @tforatto

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