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Faustão renova com a Globo; uma história de disputa e sucesso na audiência

Enfoque NT

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Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 12/11/2014 às 20:42:39

Amado por muitos, odiado por tantos outros. Desde 1989, quando Fausto Silva passou a ocupar boa parte dos domingos da Globo, lá se foram 25 anos. Desses quais, grande parte no primeiro lugar de audiência.

Criticado por querer falar em cima do entrevistado e no português claro, ser “chato”, Fausto Silva alcançou um posto invejável: um dos maiores faturamentos da Globo, salário milionário, contrato renovado por mais sete anos e o programa de auditório mais visto da televisão brasileira.

Na Globo, é um dos poucos que cita seus concorrentes. Sempre o fez. Nunca teve seu horário alterado, e sempre foi bem-sucedido com seus pedidos na emissora, como quando seu programa era dividido em duas partes (15h e 18h) e queria a extinção da primeira. Sim, Faustão conquistou a posição de intocável dentro da rede e não por acaso.

O surgimento

Em 1988, Faustão foi tirado da Bandeirantes, quando ainda comandava o extinto “Perdidos na Noite”, que é frequentemente lembrado até hoje. O objetivo? Vencer Silvio Santos nas tardes de domingo com um programa ao vivo, algo que a Globo não fazia há muitos anos, na época.

As comparações com Silvio eram iminentes. Até porque, os programas eram bastante similares, sobretudo os quadros e até mesmo as pegadinhas. Qualquer semelhança não era mera coincidência. A Globo tinha tirado de cena grandes sucessos do cinema para empregar mais de 300 pessoas num projeto arrojado e longínquo.

Faustão, com toda sua irreverência, deboche e achincalhe, logo tomou a ponta do SBT no Ibope e só foi ter algum trabalho realmente significativo anos depois, com a concorrência de Gugu Liberato.

Baixaria e crise

No ano de 1997, Gugu e Fausto Silva passaram a concorrer de verdade, ao vivo quase que na totalidade de suas atrações. A partir daí, desenhava-se o duelo mais acirrado da televisão.

O SBT debochava quando vencia. Fazia chamadas, colocava “bonequinhos” no “Domingo Legal” ao vivo quando estava em primeiro. E Faustão se virava como podia. Se apoiava no elenco estelar da Globo e começou a se afundar, naquela que foi uma de suas piores fases (na verdade, a pior): a do “Sushi Erótico”. O quadro consistia em colocar uma modelo nua, coberta apenas por comida japonesa enquanto artistas degustavam a iguaria nipônica.

A repercussão, é claro, foi negativa e muito se falou sobre os limites para dar audiência. Não foi o bastante para vencer Gugu.

No período que compreende de 1997 a 2002, a disputa entre Globo e SBT nas tardes de domingo eram acirradíssimas. No ano de 2001, Faustão disputou com Gugu 52 vezes. Destas, venceu apenas duas e empatou quatro. Absurdamente humilhante. Foi aí que cogitou-se a hipótese do “Domingão” ser substituído até mesmo pelo “Caldeirão do Huck”. Fato que não aconteceu.

A Globo teve persistência, e venceu pelo cansaço. Investiu. Apostou. Depois de um 2001 difícil, Faustão empatou com Gugu em 2002 e em 2003 deslanchou. Nunca mais largou o primeiro lugar na média anual e raras vezes perdeu na média fechada de seu programa.

Gugu colocou tudo a perder no escândalo PCC, em 2003. Isso ajudou ainda mais Faustão a ampliar sua vantagem desde então, aliado à queda natural do SBT naquela época.

Soberania

Não raras às vezes hoje em dia, o “Domingão” dá mais que o SBT e Record somados no horário. Mas o caminho trilhado até essa liderança incontestável, foi árdua.

Melhora

É notável a melhora de Fausto Silva como animador e até entrevistador. Um comunicador nato que improvisa como poucos. Os mesmos que os criticam, talvez sejam os mesmos que o assistem.
 


Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há nove anos e assina a coluna Enfoque NT há três, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @Forato_

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