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Apesar de formatos equivocados, debates evoluíram ao longo da campanha

Confira análise geral da coluna Território da TV sobre os encontros entre presidenciáveis

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William Bonner mediou o último debate do primeiro turno
Redação NT

Publicado em 03/10/2014 às 09:32:45

Ainda não há nenhum voto computado nas urnas eletrônicas, mas a disputa eleitoral de 2014 já pode ser considerada uma das mais surpreendentes da história.

Midiaticamente, o país saiu do clima de Copa para o eleitoral exatos 30 dias depois do tetracampeonato da Alemanha. E por causa de uma tragédia.

O acidente aéreo que vitimou fatalmente Eduardo Campos, então terceiro colocado, ocorreu dias antes dos primeiros debates estaduais na Band. Por causa do desastre, os embates entre os postulantes aos governos foram adiados, assim como o também inicial entre os presidenciáveis.

Mas a Band, mesmo que com atraso, manteve a tradição de dar a largada nos confrontos. Já com Marina Silva como postulante pelo PSB, ali foi dada a virada em que a desconstrução de adversários se sobressaiu diante das propostas.

Só que quem brilhou diante dos ataques foi Eduardo Jorge, que surpreendeu pelo tom sincero e desapegado, como quando abriu mão de tempo de resposta.

Na sequência, o debate do SBT ousou pelo horário (17h45), mas não mostrou grandes variações no quadro de disputa. De positivo, a plena recuperação do mediador Carlos Nascimento sendo evidenciada.

Nesses dois primeiros encontros, chamou atenção a prática de alguns dos jornalistas que fizeram perguntas ao vivo utilizando tons bem diferentes dependendo do candidato questionado. Uma firmeza seletiva que não ocorreu nas sabatinas, por exemplo.

Na TV Aparecida, que teve seu debate retransmitido também pela Canção Nova e redes Vida e Século 21, as perguntas vieram principalmente de bispos. A emissora foi a única a convidar José Maria Eymael, além dos sete de partidos que tem representação na Câmara dos Deputados.

O confronto entre os candidatos virou uma entrevista dos membros da CNBB com eles. Apesar da fórmula questionável, o horário nobre fica de exemplo, já que o embate iniciado por volta de 21h30 terminou antes da 0h, enquanto Band, Record e Globo entraram pelo dia seguinte ao de começo dos seus debates.

A Record foi a primeira a ter audiência significativa (apesar da Band ter ficado acima de sua média habitual) e a única a contar com uma dupla de mediadores: Celso Freitas e Adriana Araújo.

E o que foi falado na emissora paulista ecoou na Globo: Eduardo Jorge e Luciana Genro usaram o debate global, nesta quinta (02), para questionar Levy Fidelix por declarações homofóbicas realizadas 4 dias antes na emissora rival.

O debate da Globo teve mais audiência que a soma dos quatro confrontos anteriores e foi marcado por polêmicas.

Luciana Genro foi a primeira a falar de acordo com a ordem definida por sorteio e abriu seu discurso criticando a cobertura do canal por priorizar os três primeiros colocados nas pesquisas e lembrou que sua presença se devia ao peso da lei eleitoral.

Por causa dessa obrigação de convite para alguns nanicos, afiliadas de diversas emissoras no Paraná dispensaram a realização de debates.

Mas quem quis mais tempo foram justamente candidatos do chamado "G3": Aécio Neves e Dilma Rousseff pediram direitos de resposta, negados pelo mediador William Bonner, que pouco precisou intervir por estouros de tempo, mas se viu obrigado a interromper o pastor Everaldo quando o candidato do PSC não respeitou o tema sorteado para formular um questionamento, e também como quando Marina Silva se irritou com Dilma Rousseff e começou a falar com o embate já encerrado.

O formato que colocou os candidatos frente a frente aumentou a intensidade dos duelos, mas poderia ter ficado mais atraente ao público com a tela dividida entre quem pergunta e responde, como fez a Record.

Aliás, os debates repercutiram bem em geral nas redes, concentrando comentários enquanto eram exibidos, mas o público pouco pode interagir pela web. A louvável exceção ficou com a Band Rio.

Agora, resta a expectativa sobre quem estará nos debates de um quase certo segundo turno, em que os formatos pesam menos, mas a atenção despertada será ainda maior.

 

No NaTelinha, o colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

 

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