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Enfoque NT: A volta da grade voadora do SBT e o problema do "PSS"

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Divulgação/SBT
Thiago Forato

Publicado em 02/09/2013 às 15:15:49

No período que compreendeu de 2002 a 2007, o SBT viveu seu ápice no que a imprensa chama de “grade voadora”. Programas eram trocados de horário a torto e a direito, enquanto outros eram limados do ar sem a menor cerimônia.

A partir de 2008, quando Silvio deixou de comandar a programação com mãos de ferro, a política da emissora mudou e o discurso de uma grade com estabilidade e sólida surgiu. Daniela Beyruti foi a responsável por adotar essa linha e fazer com que aquela montanha russa terminasse. Ou ao menos, desse uma trégua.

Houve três exemplos cabais, mais recentemente, exemplificando do que é a grade voadora: a extinção de três novelas sem qualquer tipo de aviso prévio. “A Vida é um Jogo”, “Destilando Amor” depois de amargar 1 ponto de média e ficar atrás até da TV Gazeta e TV Cultura às 18h, e “As Pupilas do Senhor Reitor”, que saiu sob o pretexto de que estaria negociando os direitos autorais dos profissionais envolvidos na trama. Todas em 2007.

Ninguém estava imune à temida “grade voadora”, exceto Gugu, que quando teve seu horário alterado, sempre foi para melhor. Com sua saída, em 2009, no entanto, a programação se manteve ao longo desses quatro anos com o “Domingo Legal” às 11h, Eliana às 15h e Silvio Santos na sequência, às 19h.

Estabilidade na grade de programação é algo que agrada o mercado publicitário. Ficou até clichê dizer isso, mas é a pura verdade. Não é por acaso que a Globo atingiu recorde de faturamento em 2012 e fechou o balanço financeiro com R$ 12 bilhões.

O SBT, que se mantinha estável durante a semana e aos domingos por tanto tempo, mudou bastante coisa nos últimos dias, fez com que o “Domingo Legal” perdesse duas horas e encaixou o “Conexão Repórter” às 22h. O resultado foi negativo. Foi tão ruim que a emissora já voltou atrás na decisão e no próximo domingo (08) tudo voltará a ser como antes, com Silvio Santos às 20h.

Essa mudança foi baseada em que, exatamente? Qual o intuito dela? Fazer com que a mudança fosse benéfica somente para um, no caso, o dono? Ontem, enquanto Celso Portiolli e Eliana ficaram com o segundo lugar, Silvio Santos é quem continuou em terceiro: 8 pontos contra 11 da Record e uma derrota que talvez ele não esperasse para Rodrigo Faro e seu “O Melhor do Brasil”.

Quem fez mágica foi o Portiolli, encaixando merchandisings e intervalos no seu programa de duas horas, no que era para ser de quatro. O “Domingo Legal” teve apenas cerca de 45 minutos ao vivo e se continuasse assim, com duas horas e o “Passa ou Repassa” como quadro, perderia a necessidade de ser ao vivo. Se fosse, seria apenas pelo fato de ser uma marca forte e com história dentro da emissora. Mas, seria questão de tempo para ser completamente gravado.

O verdadeiro problema

O “Programa Silvio Santos” nessa roupagem que conhecemos estreou em junho de 2008 com a promessa de divertir o público durante horas com o regresso dos aviõezinhos que o apresentador jogava nos tempos de “Topa Tudo por Dinheiro”. Com o passar do tempo, e com a saída de Magrão da direção (hoje no “Domingo Legal”), a atração ficou cansativa e repetitiva. Parece que toda semana é uma reprise, o que não desperta o interesse do público.

O "PSS" precisa de novidades e parar de apostar apenas na simpatia do apresentador que ainda garante uma audiência fiel. O que Silvio Santos precisa em seu programa, é de conteúdo, novidades. Assim, talvez, não ocorram tantas derrotas vexatórias para seu concorrente direto, o “Domingo Espetacular”.


Contatos do colunista: thiagoforato@natelinha.com.br - Twitter: @Forato_

 

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