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OlharTV: Um mesmo autor, duas novelas
Por Redação NT
Publicado em 26/07/2012 às 19:47
Que novela de horário nobre tem 90% de chances de se tornar um sucesso, todos já sabem. Afinal, teoricamente, isso se daria graças ao fato de a maioria das famílias estarem reunidas em casa nessa hora. Não é à toa que até os comerciais para serem veículados nesse horário são mais caros.
Porém, para uma história ser realmente sucesso ela precisa atingir o telespectador de alguma forma. Nessa hora, vale um bom roteiro com uma história envolvente, capaz de prender a atenção de quem está assistindo, e a atuação de seus intérpretes.
Assim como a maioria das telenovelas que ocupam o horário nobre da TV Globo, "Avenida Brasil" estreou com a obrigação de conquistar os saudosos de "Fina Estampa" que, apesar dos altos e baixos, é considerada uma produção de sucesso, chegando a atingir altos índices de audiência.
Assinada por João Emanuel Carneiro, mesmo autor de outras obras memoráveis como as novelas "Da Cor do Pecado e Cobras & Lagartos", além da minissérie "A Cura", o folhetim começou a chamar atenção a partir das chamadas fortes: menina tem o pai roubado pela madrasta, é morto e ela abandonada em um lixão.
Tempos depois, essa criança é adotada por uma família de estrangeiros, levada para fora do país e retorna, anos mais tarde, crescida, bem sucedida e com sede de vingança. Mesmo sentimento que a acompanhou durante todo esse tempo, fazendo com que sua vida valesse a pena.
Velhos clichês que sempre dão certo
Mocinha antes sofrida, outrora sedenta de vingança, é o tipo de clichê que sempre dá certo. Principalmente quando o alvo é aquele vilão capaz de embrulhar o estômago de quem assiste às suas maldades. Ou seria o contrário?
No entanto, do mesmo jeito que não gostamos de ver alguém sofrer nas mãos de um mal caráter, é praticamente insuportável ter que lidar com o sofrimento ou a inocência exagerada por parte de alguma personagem.
Odiávamos Nazaré Tedesco, de "Senhora do Destino", mas nos divertíamos com seu humor irônico. Por outro lado, quem não tinha vontade de calar Giuliana, de "Terra Nostra", cada vez que a mocinha ameaçava cair na choradeira? E olha que foram muitas.
Muito prazer, somos assim: emotivos, sarcásticos, engraçados, bipolares, sutis... Dois lados de uma mesma moeda que serve para mostrar que, por mais evoluídos que somos, ninguém é bom ou mau, “all the time”.
A hora da virada
Na semana passada, ficamos perplexos vendo Nina ser deixada em uma cova por Carminha. E quando acreditávamos que este capítulo teria o índice de audiência mais elevado da novela até agora, nesta semana a mocinha, com ar de justiceira, foi à forra, fazendo com que sua desafeta sentisse na pele a dor da humilhação.
Ao assistir a cena em que Nina surpreende Carminha, dando boa noite e informando que o jantar estava servido, com uma luz que emanava da lanterna refletida em sua face, recordei-me daquela que para mim é uma das melhores vilãs de todos os tempos: Flora, de "A Favorita".
O mesmo ar doce, a mesma sede de vingança, vida um tanto quanto sofrida, índoles diferente, outra novela, mesmo autor. Apesar de personagens distintas, a caraterística de João Emanuel Carneiro está ali, brilhantemente presente.
Eu não sei quanto à vocês, mas eu já descobri quem é a verdadeira vilã de "Avenida Brasil". Mas, como novela só acaba quando chega ao fim, vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Oi, oi, oi...
Tatiana Bruzzi é colunista do NaTelinha e editora dos blogs:
www.blogespetaculosas.blogspot.com
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