Com reprise de Roque Santeiro, Globo quer repetir feito de Terra Nostra
Clássico da TV volta ao ar em 5 de outubro, em Edição Especial; entenda a escolha
Publicado em 24/09/2026 às 12:33,
atualizado em 02/10/2026 às 12:05
A Globo tenta repetir o feito de Terra Nostra (1999) ao apostar em Roque Santeiro (1985) como o próximo cartaz da faixa Edição Especial. Clássico da TV, a trama de Dias Gomes (1922-1999) e Aguinaldo Silva volta ao ar em 5 de outubro, substituindo Além do Tempo (2015) na sessão de reprises.
Êxito absoluto de audiência e crítica em sua exibição original, entre 1985 e 1986, Roque Santeiro se consolidou como uma das novelas de maior audiência da TV brasileira. A boa repercussão motivou algumas reapresentações, e uma delas acabou deixando um trauma na emissora.
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Na Globo, Roque Santeiro só foi reprisada duas vezes: em 1991, no fim de tarde, e entre 2000 e 2001, no Vale a Pena Ver de Novo. Nesta ocasião, acabou derrubando os índices de audiência do horário e chegou a fazer a Globo perder para o SBT, que exibia o mexicano Chaves.
Desde então, a saga ambientada na fictícia cidade de Asa Branca nunca mais voltou ao ar na TV aberta. Suas únicas reprises nas últimas décadas foram no Canal Viva, entre 2011 e 2012 e entre 2024 e 2025.

Algo parecido ocorreu com Terra Nostra. Escalada para o Vale a Pena Ver de Novo em 2004, a trama dos italianos não teve um bom desempenho na ocasião, o que deixou na gaveta por um bom tempo. Depois de uma reprise no Canal Viva em 2019, voltou à Globo em Edição Especial no ano passado.
O romance entre Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) agradou na nova reapresentação. Desta vez, os números registrados foram considerados satisfatórios, o que motivou a Globo a dar uma nova chance a outra novela que não foi bem na reprise mais recente.
Essas apostas mais arriscadas, contudo, ficam restritas à faixa Edição Especial, no início da tarde. Há maior cuidado na escolha dos títulos do Vale a Pena Ver de Novo, que precisa “entregar” o público em alta para o horário nobre da programação, ocupado pelas novelas inéditas.
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Ambientada na fictícia Asa Branca, a trama gira em torno de Roque Santeiro (José Wilker), artesão de santos que teria morrido ao defender a cidade do temido bandido Navalhada. Transformado em mártir e santo popular pelos moradores, Roque passa a ser venerado como responsável por milagres e curas atribuídos à sua intercessão. A fama do herói movimenta a economia local, atrai romeiros e fortalece interesses políticos, religiosos e comerciais que passam a depender diretamente da manutenção de sua lenda.
Mas tudo muda quando Roque retorna a Asa Branca, vivo, 17 anos depois de ter sido dado como morto. Sua reaparição ameaça desmontar uma estrutura de poder construída em torno do mito do santo, colocando em xeque figuras influentes da cidade, como o poderoso fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte), o padre Hipólito (Paulo Gracindo), o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura) e o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus), que lucra com a venda de objetos ligados à devoção do suposto mártir.
No centro da narrativa está também Viúva Porcina (Regina Duarte), personagem que se tornou um dos maiores ícones da televisão brasileira. Apresentada como a viúva do herói, embora jamais tenha sido casada com ele, Porcina ajudou a alimentar a lenda de Roque ao longo dos anos. A chegada do verdadeiro santeiro provoca mudanças profundas em sua vida e dá origem a um dos triângulos amorosos mais marcantes da dramaturgia nacional, envolvendo também Sinhozinho Malta.
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Inspirada na peça O Berço do Herói, de Dias Gomes, a novela teve uma primeira versão proibida pela censura em 1975, poucos dias antes de sua estreia. Dez anos depois, finalmente chegou às telas e se transformou em um dos maiores sucessos da história da Globo, tornando-se um marco cultural que permanece presente na memória afetiva do público.
Também integram o elenco Yoná Magalhães, Fábio Jr., Lídia Brondi, Lucinha Lins, Cássia Kis, Eloísa Mafalda, Cláudio Cavalcanti, Cláudia Raia, Patrícia Pillar, Maurício Mattar, entre outros. A direção geral é de Paulo Ubiratan.