Despedida

Novela que terminava há 36 anos perdeu protagonista para a Aids

Novela das seis acabou sendo a última participação de Lauro Corona na TV, que precisou deixar a trama pela metade para intensificar seu tratamento contra a Aids


Lauro Corona em Vida Nova
Lauro Corona em Vida Nova

Há exatamente 36 anos, no dia 5 de maio de 1989, a Globo exibia o último capítulo de uma novela das seis que ficou marcada por um triste acontecimento.

Estamos falando de Vida Nova, de Benedito Ruy Barbosa, cujo protagonista, Lauro Corona, precisou deixar o elenco durante a produção para intensificar seu tratamento contra a Aids.

Além do ator, o elenco contava com nomes como Yoná Magalhães, Carlos Zara, Osmar Prado, Nívea Maria, Deborah Evelyn, Paulo José, Giuseppe Oristânio, Patrícia Pillar e José Lewgoy, entre outros.

Despedida

A Globo caprichou e fez uma brilhante reconstituição da São Paulo dos anos 1940. Após o fim da Segunda Guerra, um cortiço no Bixiga centralizava a história da novela. No entanto, isso não foi suficiente para despertar a atenção do público.

Após ter papéis de destaque em tramas como Dancin' Days, Baila Comigo, Elas por Elas, Louco Amor, Vereda Tropical, Corpo a Corpo, Memórias de um Gigolô e Direito de Amar, Lauro Corona teria em Vida Nova sua última novela.

O ator também apresentou alguns programas no canal, como Cometa Loucura, Vídeo Show e Globo de Ouro, sendo um dos campeões no recebimento de correspondências naquela década.

Seu personagem, Manoel Victor, era um português aventureiro, que vendeu tudo o que herdou dos pais e veio para o Brasil tentar a vida. Na viagem, conhece e se apaixona pela jovem Ruth (Deborah Evelyn).

Só que ela era judia, e o amor dos dois se tornaria impossível. Ele ainda se uniu a Michel (Luiz Carlos Arutin), seu companheiro de quarto na pensão de Sarah (Aída Leiner), com o propósito de enriquecer rapidamente.

Afastamento

Novela que terminava há 36 anos perdeu protagonista para a Aids

Já debilitado, o ator teve que se afastar da produção em fevereiro de 1989, para tratamento das complicações decorrentes do vírus da Aids - vale ressaltar que o astro jamais admitiu que tinha a doença.

"O Manoel Vítor me exige demais, um grande cansaço mental, além de um torpor, ou melhor, uma sensação desagradável. Pedi dez dias de descanso, que viraram dez dias de entrevistas. Se todo mundo aguentava e eu não, o que era? Cansaço. Então, resolvi dar um tempo. O chato é que as notícias e os boatos a meu respeito me metralharam", disparou o ator ao jornal O Globo de 14 de fevereiro de 1989.

O caso comoveu o Brasil, ainda mais depois da bela cena de despedida do personagem. Manoel Victor partiu de volta para sua terra-natal, em um carro escuro, em noite de chuva e declamou, em off, o poema “Viajar! Perder países!”, de Fernando Pessoa.

De acordo com reportagens da época, o ator se isolou em uma chácara no interior de São Paulo. Ainda havia a expectativa de que ele pudesse retornar às gravações na reta final, mas isso não ocorreu.

Após perder muitos quilos e o cabelo, Corona ficou na casa dos pais e depois foi internado Clínica São Vicente, no Rio, morrendo um mês e meio após o final da novela, em 20 de julho de 1989, com apenas 32 anos.

Quem matou

Para suprir a falta do personagem de Corona, Benedito resolveu matar o judeu Samuel, vivido por José Lewgoy, “para criar um impacto maior na história”, segundo ele mesmo declarou na época.

De acordo com o especialista Ismael Fernandes no livro Memória da Telenovela Brasileira, a novela não pegou porque “faltava um filão central, um fio condutor que despertasse o interesse geral”.

A trama, que foi a última de Benedito na Globo antes do sucesso Pantanal, na Manchete, nunca foi reprisada e ainda não foi disponibilizada no Globoplay.

TAGS:
Mais Notícias

Enviar notícia por e-mail


Compartilhe com um amigo


Reportar erro


Descreva o problema encontrado