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NaTelinha Talk: Ex-diretor revela como Maisa virou máquina de audiência no SBT

Rica Mantoanelli foi convidado do podcast NaTelinha Talk, transmitido pelo canal NT+Talk e apresentado por Carol Gazal


Rica Mantoanelli no NT+TALK
Por Naian Lucas

Publicado em 17/11/2025 às 19:43,
atualizado em 17/11/2025 às 19:52

Em entrevista ao canal NT+Talk, apresentada por Carol Gazal nesta segunda-feira (17), o ex-diretor de teledramaturgia do SBT, Rica Mantoanelli, revisitou o período em que trabalhou com Maisa Silva em Carinha de Anjo e explicou como a participação da atriz levou à criação de conteúdos digitais integrados à novela.

Mantoanelli afirmou ter assumido sua primeira direção geral em novela no período da produção de Carinha de Anjo, destacando que a presença de Maisa já estava prevista desde o início.

“Durante a fase de escolha do elenco, já estava definida a participação da Maísa, que interpretaria a Juju Almeida. A personagem era uma vlogueira, mas, inicialmente, o ‘vlog’ não existia de fato na narrativa; havia apenas cenas dela montando equipamentos, como um recurso para inseri-la nas sequências”, explicou.

Segundo o diretor, a ampliação do papel da atriz começou em conversas com a autora Leonor Corrêa. “Discutimos a possibilidade de ampliar a presença da Maísa. Ela já começava a produzir o próprio vlog pessoal — à época chamado assim, antes do termo ‘canal’ se popularizar. Decidimos então criar o vlog da Juju.”

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Ele relatou que o material ganhou projeção no YouTube entre 2015 e 2016 e passou a encerrar capítulos da novela. Para Mantoanelli, o movimento marcou um ponto de virada na integração entre televisão e plataformas digitais dentro do SBT.

“A partir dessa experiência, percebemos um novo universo de possibilidades. A Maísa abordava diversos temas, tinha naturalidade diante da câmera e sugeria pautas. Aquilo abriu uma perspectiva inédita para nós, e, desde então, nunca mais pensei televisão sem considerar o digital”, afirmou.

O diretor também comentou o período da pandemia, quando foi criada a plataforma TVZin, voltada ao público jovem. Ele relembrou uma conversa que ajudou a definir o projeto.

“Você comentou: ‘Ricardo, as novelas têm uma curva: aprendizado, estabilidade e queda quando saem do ar. Por que não colocar tudo no mesmo lugar?’ A proposta fez sentido imediatamente. Assim nasceu a TVZin", detalhou.

Mantoanelli relatou que a pandemia acelerou o processo de produção remota. “Muitos atores estavam contratados, mas em casa. A orientação foi ‘use seu celular, produza seu conteúdo e envie para nós, que vamos organizar e colocar no ar.’ O resultado foi expressivo. Hoje, o canal já supera 7 milhões de inscritos”, disse.

Ele atribuiu parte da força digital de Maisa a esse período de transição em sua carreira. “Ela tomou a iniciativa naquele período — da fase em que ainda era lembrada por Carrossel para o momento em que começava a se posicionar como adolescente na internet. Ela fazia programas no SBT, tinha grande visibilidade e demonstrou percepção ao decidir criar conteúdo no YouTube.”

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O diretor afirmou que a emissora acompanhou o movimento da atriz. “Ela iniciou o próprio canal, e nós aproveitamos esse movimento, ampliando o alcance de forma significativa. Havia a força da televisão aberta somada ao crescimento do digital.”

Ele citou ainda uma entrevista produzida para integrar as duas frentes. “Existe até uma entrevista emblemática: Maísa entrevistando a Juju, ou seja, ela entrevistando a própria personagem", explicou.

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Mantoanelli também mencionou elementos associados à personagem e seu impacto comercial. “A tiara de gatinho, que se tornou um símbolo, teve papel importante. Na época, o sucesso era muito medido pelos itens licenciados, e isso fazia parte de toda a estratégia. Quando se ia à 25 de Março, os produtos ligados à personagem se esgotavam rapidamente.” Segundo ele, o acessório marcou duas fases: “A tiara aparece em dois momentos: em Carrossel e, depois, na fase da Juju.”

Quem é Rica Mantoanelli?

Rica Mantoanelli é o entrevistado desta segunda no NaTelinha Talk; assista

Com uma carreira marcada por grandes sucessos na TV e no streaming, ele esteve à frente da direção artística de produções como Chiquititas, Patrulha Salvadora, Cúmplices de Um Resgate, Carinha de Anjo, As Aventuras de Poliana, entre outras novelas do SBT.

O impacto do seu trabalho ultrapassa fronteiras: Chiquititas entrou no ranking das 50 produções mais vistas da Netflix no mundo, com 162 milhões de horas consumidas e mais de 20 milhões de espectadores mensais no Brasil.

Versátil, Rica também dirigiu realities como Ídolos e Se Ela Dança, Eu Danço, e inovou no digital como criador do canal TV ZYN, com mais de 7 milhões de inscritos. Ele também assinou projetos como Refollow, A Fantástica Máquina de Sonhos e diversos formatos originais.

Reconhecido internacionalmente, Rica Mantoanelli foi jurado do International Emmy Awards 2024 e participou de eventos como SXSW, Rio2C e NAB. Rica também é fundador da B.art – Escola de Audiovisual, onde já formou mais de mil alunos com o curso “Luz, Câmera, Ação”, baseado no conceito de "Ator Realizador".

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