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Record enfrenta surto de Covid-19 e demite funcionários afastados

Sindicato dos Radialistas diz que está "acuado" e numa situação difícil

 Record enfrenta surto de Covid-19 e demite funcionários afastados
Sede da Record na Barra Funda, em São Paulo

Gabriel Vaquer

Publicado em 02/12/2020 às 04:01:01,

A Record está vivendo um surto de casos de Covid-19 nas últimas semanas. Por causa de diversos testes positivos para o novo coronavírus, mais de 40 profissionais estão afastados do trabalho na sede da emissora paulista. Mesmo com a equipe reduzida ao máximo, a Record decidiu ir além: dispensou contratados ainda que com esse aumento de casos, alguns deles em quarentena, para reduzir custos de produção.

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Segundo apurou o NaTelinha, neste momento, o jornalismo tem diversos profissionais sem trabalhar, a maioria deles de bastidores, em funções como produção e edição. Um deles é o repórter Michael Keller, do Domingo Espetacular, que foi contraído pela Covid-19. Outro nome conhecido que está afastado é Grace Abdou, que atua no Cidade Alerta. Eles só vão retornar ao trabalho quando testarem negativo no exame PCR.

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Por essa escalada, a Record tentou tomar algumas medidas. Depois de promover o retorno de nomes como Celso Freitas e Marcos Hummel, que fazem parte do grupo de risco, os âncoras voltaram para casa e só irão novamente para a TV após a situação acalmar novamente - ou se a vacina for aprovada pelo Governo Federal. Outra medida foi pedir para que repórteres voltem para suas moradias assim que finalizarem seus trabalhos na rua, sem ir para a redação.

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Ao todo, são mais de 40 profissionais afastados. Por causa disso, a equipe esportiva da casa segue toda emprestada para o jornalismo geral, e sem previsão de volta aos trabalhos normais. Equipes em carros também estão redobrando o cuidado, e passaram a ter uma capacidade reduzida quando vão a rua.

Mesmo com a situação calamitosa, a Record está demitindo profissionais. A reportagem soube que, só na semana passada, foram nove contratados desligados e que estavam afastados, todos eles cinegrafistas e que fazem parte do grupo de risco. Antes, foram cinco maquiadores na mesma situação dispensados.

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Figurinistas e camareiras, que também estavam de licença por causa da pandemia, também foram mandados embora. Do vídeo, nos últimos tempos, a jornalista Cláudia Reis, que foi apresentadora do Esporte Fantástico e estava no jornalismo geral desde o início do ano, foi demitida.

Internamente, o clima é pesado, pois a interpretação é que todos os dispensados não tinham culpa de ter problemas e serem mais sensíveis ao novo coronavírus. A tendência é que a Record siga fazendo demissões, aos poucos, de pessoas afastadas por não conseguir manter o quadro em alta pela redução de investimentos publicitários.

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Sindicato diz que está "acuado"

Ao NaTelinha, Sérgio Ipoldo Guimarães, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo, disse que o órgão está acuado, tentando organizar reuniões com os trabalhadores, mas sem ter muito o que fazer porque a Record e outras emissoras têm amparo legal para as demissões.

"Nós estamos vivendo uma situação muito atípica. Nossa convenção vai para o quarto ano sem ajuste, e o sindicato patronal ainda quer retirar 19 cláusulas dessa convenção. Dito isto, veio o momento da pandemia, e, com isso, a nova legislação que permite demissões em massa e suspensão de contratos sem nenhum tipo de problema para os empregados. A Record tem demitido a conta gotas, o SBT, por exemplo, mandou 300 embora de uma vez só", disse, citando também o caso do SBT.

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"Na legislação, Bolsonaro nos colocou como serviço essencial. Mas que serviço essencial é esse que tem diminuição de horas de trabalho, diminuição de salário, suspensão de contratos? As TVs estão fazendo isso amparadas pela lei. Não adianta a gente ir na Justiça com um processo, por que existe um amparo legal", completou.

Por fim, Sérgio explicou que é difícil mudar essa situação, com as leis trabalhistas atuais: "Estamos acuados neste momento. Nossa trabalho é tentar organizar os trabalhadores, fazer reuniões, assembleias, mas nós estamos com problemas para fazer isso justamente porque as pessoas estão com medo de perderem seus empregos no momento de pandemia. Infelizmente, com as leis trabalhistas atuais, estamos tentando fazer o que é possível. Mas está difícil. Sem a renovação da convenção de trabalho e com a pandemia, ficamos acuados".

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A reportagem também entrou em contato com a Record, que não se manifestou até a publicação deste texto.

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