Persona NT

"O líder que só quer ver seus netos" - Persona NT apresenta: Reinaldo Gottino

Fotos: Divulgação/ Record TV

Publicado em 16/01/2019 às 11:39:28

Por: Gabriel Vaquer

Apresentar um programa popular é uma missão para poucos. Fazer um programa popular ser líder é mais puxado ainda. Fazer os dois e ainda manter a emoção em tom positivo é algo que este repórter só viu em Reinaldo Gottino até o momento.

Gottino não se encaixa exatamente no estereótipo de apresentador popular. Mesmo egresso do esporte, como outros nomes da área, ele não é radical. Pelo contrário: sempre diz que é a favor da vida e não gosta de responder violência com violência.

Aiás, amor à vida é algo que ele exala. E não é pouco. Gottino se emociona ao falar de seus medos. Sim, ele tem medos. E são muitos. Mas Reinaldo Gottino tem história, e são muitas. De um "mosh" em um show privado da banda Ira!, até o dia em que teve de sair de uma rádio para entrar na Record TV.

No entanto, o que mais chama a atenção no apresentador de 41 anos é sua vontade de ver seus filhos crescerem. Mais que isso, ver seus netos e abraçá-los. Reinaldo Gottino é líder de audiência no Ibope, foi um dos responsáveis pelo cancelamento do "Vídeo Show" na Globo, é um profissional respeitado e com certeza ganha um salário que muitos queriam ganhar. Mas ele só quer uma coisa: ver seus netos chegarem a esta vida com ele ainda por aqui.

Leia a entrevista na íntegra:

NaTelinha - E o Palmeiras, Gottino?

Reinaldo Gottino - Palmeiras é meu clube de coração, minha paixão. Palmeiras, minha vida é você! Tô muito mais envolvido. Vou anunciar em primeira-mão pra você: vou ser candidato ao conselho do Palmeiras. Me convidaram pra ser conselheiro, vamos ver se dá certo. Dia 9 de fevereiro tem a eleição.

NaTelinha - Você tem noção que faz a Globo se movimentar, cancelar o "Vídeo Show"? E me parece que é um horário meio sem saber o que fazer....

Reinaldo Gottino - Muito legal essa pergunta. Você é jovem e eu sou jovem. Quando você estiver escrevendo essa matéria, e você gosta dessa área, e quando eu também estiver em idade mais avançada posso dizer isso... Mas você pode escrever que estamos fazendo história na televisão. Acho que esse é um ponto muito legal. Fizemos história. E a gente tem uma noção exata. Temos a noção que não podemos nos exaltar, ficar soberbo, tudo pode mudar a qualquer momento. Mas temos a noção exata do que a gente fez.

Ganhar do "Vídeo Show" foi histórico, ganhar do "Jornal Hoje" foi... Em 2016, eles perderam um dia pra gente. Em 2017, perderam alguns dias, em 2018 foi inúmeras vezes. Em novembro, vencemos por um décimo, mas time que termina com saldo de gol melhor ganha o campeonato. Um feito histórico maravilhoso, e estamos fazendo história. Fazemos com prazer o programa. É isso que é complicado de pegar. É com naturalidade. Não existe criação de personagem no entorno. É um programa espontâneo.

Nota da redação: O "Balanço Geral" fechou o ano de 2018 com recorde de audiência e o quadro "A Hora da Venenosa", pelo segundo ano consecutivo, foi líder, batendo o "Vídeo Show" - e colaborando para o seu fim, anunciado no último dia 08.

NaTelinha - Vocês (Reinaldo, Fabíola Reipert e Renato Lombardi) têm convivência fora daqui?

Reinaldo Gottino - A Fabíola gosta do meu cachorro. A gente se dá muito bem. No programa, eu não tenho a pretensão de ser mais que a Fabíola. Não existe isso. Sou apenas um cara que toca a notícia, porque a Fabíola comenta e o Lombardi dá os pitacos dele. É esse respeito, cumplicidade. São quase cinco anos, é muito tempo convivendo junto.

NaTelinha - Quando assumiu esse programa, você estava em baixa. Como chegou o convite pra você e qual foi o ritmo que você deu? Quando você falou: "agora esse programa será meu!"?

Reinaldo Gottino - Tenho agradecimento eterno ao Geraldo Luis, Virgílio Abranches... De fato, estava meio em baixa, reconheço isso para você. Estava na geladeira porque queria ser apresentador. O projeto que eu estava acabou mudando e eu saí. Só que eu queria fazer alguma coisa interessate, bacana, que me desse vontade. Então, o Virgílio veio com a ideia do quadro "O Povo Sofre". Na primeira semana, fiz reportagens relevantes, o quadro virou sucesso em uma semana no ar. Quando fez sucesso, pintou uma vaga de manhã, no "Balanço Geral Manhã". Muita gente não sabe, mas começamos a entregar na liderança da manhã. Começou a incomodar... Ficávamos em primeiro lugar logo cedo. Voltei pra apresentação. Tô feliz, satisfeito.

Aí, Geraldo sai, vai para os domingos e entra o Bacci. Bacci tá fazendo à tarde, mas aí recebe aquela proposta da Band e deixa a emissora. Nessa, os caras me convidam. O "Balanço" já era um sucesso, ia até 14h15, 14h30. Assumo no dia 26 de maio de 2014, tinha férias, Copa do Mundo e Eleições. Na hora do almoço tinha muita diferença para o que eu fazia de manhã. No início, de fato, não tava rolando, o programa não decolava. Aí, cheguei no Virgílio e falei pra ele que, se em três ou quatro meses não tivesse decolado, eu entregava o chapéu. Tava fazendo o máximo, tava colocando minha cara, mas parecia que não tava agradando. Mas ele disse que não mudaria nada, pediu para eu continuar assim. Tô falando de novembro e dezembro de 2014. O programa estava patinando ali. Mas eles tinham confiado muito em mim e continuei. Quando é fevereiro de 2015, 7 ou 8 pontos de média, o programa começou a decolar de um jeito... Sucesso! Ganhamos 15 minutos, depois até 3 da tarde e hoje tá consolidado e tem 22% de share, o que é fantástico.

NaTelinha - Você é do esporte. Como é que você foi parar fazendo programa popular?

Reinaldo Gottino - Eu amo esporte. Fui goleiro da Portuguesa, sempre gostei de futebol, por isso fui trabalhar com esporte na TV. Fui trabalhar na CBN e na Gazeta. Eu trabalhava no "Mesa Redonda", na época em que ele dava uns 6 pontos de audiência. Era um sucesso. Na Gazeta, o Rogério Barolo (jornalista experiente, atualmente no SBT) sai e vem pra Record. Quando ele tá conversando com a Record, a emissora diz que estava precisando de um cara que fizesse tudo. O diretor-geral de jornalismo na época me conhecia de me ouvir na CBN. Fui o primeiro a fazer o teste, fui aprovado na hora. Saio da Gazeta e venho pra Record. Saiu no jornal que eu fui contratado pela Record. Aí, eu cheguei pra trabalhar na CBN... Marisa Tavares era a diretora. Ela me chama e pergunta se acertei com a Record. Eu confirmo, digo que agora tô na Record e na CBN. Ela disse: "Não, ou você tá na CBN o você está na Record". É Globo ou Record, não tem a menor possibilidade. Eu argumentei que o pessoal trabalhava na Gazeta, na Cultura, na Band, além da CBN. Ela responde: Record não. Aí falei: então tá bom, vou pra Record que é a grande oportunidade da minha vida. Quando souberam que saí da CBN, fui pra Rádio Record, onde fiquei por dois ou três anos. Daí, começa minha história. Começo com os plantões e quem fazia isso era o Celso Zucatelli. Celso sai de férias, tenho um bom desempenho, eles estavam com a ideia de ser correspondente e fiquei apresentador do "SP Record". Foi bem legal. No acidente da TAM, ganhamos do "JN" por 24 a 21, uma loucura. Fizemos coisas bem legais. Aí, a Record começou a comprar eventos esportivos grandes. Fiz Pan-Americano, Olimpíada... México, Rio, Londres... Então, a gente... Foi assim a história, me desliguei, mas não totalmente.

NaTelinha - Em 2017, você deu uma entrevista para os meus amigos do Observatório da Televisão, dizendo que bandido bom não era bandido morto. Você começa a ser criticado por muita gente, até mesmo o Datena falou sobre o assunto. Você esperava outra coisa?

Reinaldo Gottino - É minha opinião. Sou a favor da vida, não a favor da morte. Não temos que pagar o mal com mal. O comentário foi em cima do sistema penintenciário brasileiro, que gera mais violência. Ele tem um grau de periculosidade. Ele sai de lá muito pior. Sou a favor que ele saia de lá e não cometa mais crimes, sem matar ninguém. Meu comentário é muito mais amplo. Inclusive defendo penas mais severas. O Brasil é um dos poucos sistemas que não recupera ninguém. Na Holanda, fecharam presídios nos últimos anos. Eles oferecem oportunidade para os presos voltarem pra sociedade. Existem presos e presos. Presos por atrasar pensão, por roubar manteiga, isso não é bandido. Não quero ter o peso sobre a vida e a morte. Quem sou eu para ter esse poder?

NaTelinha - Nos últimos 15 meses, houve acontecimentos grandes, como a morte de Marcelo Rezende falando algo do nosso meio, mas eleições bem acirradas, e tudo mais. Qual sua avaliação do mundo de meados de 2017 para cá?

Reinaldo Gottino - O Brasil viveu um ano tenso, nervoso e criou expectativa na questão política. A gente não vai aguentar viver nessa tensão mais anos aí. Que dê certo e que a gente toque o baco da melhor maneira possível. Meu ano foi especialmente maravilhoso pessoalmente, principalmente na cobertura política. O "Balanço Geral" foi pra outro patamar e vamos tornar isso uma tradição. Vai ser o programa que vai entrevistar todos os candidatos nas eleições pra prefeito, os debates nesse horário que deu certo. Trouxemos dois debates ano passado, um deles ficou em primeiro. Outro teve audiência legal. Fora que os debates foram quentes. O primeiro foi legal, foi aprovado. Fiz o segundo, foi aprovado.
Querendo ou não, estamos jogando o jogo. Gostaram muito da experiência. O programa é uma revista eletrônica e cabe até política. Esntrevistamos candidatos durante toda a semana. Skaf, Doria, França, o Marinho do PT, rendeu muito bem. Foi muito legal. Muito bacana. Tem a questão da audiência... Fazer um belo programa e não dar audiência. Mas a audiência correspondeu a bela audiência.

NaTelinha - E o Rezende? Como foi dar aquela notícia?

Reinaldo Gottino - O Rezende foi triste, complicado. Alguém tinha que dar a notícia. Entre o Bacci, Geraldo e eu, era o que menos tinha amizade com o Marcelo. Os outros eram grandes amigos. Eles tinham uma relação mais próxima. Marcelo e Geraldo eram muito próximos. Alguém tinha que dar esse plantão. Senti muito. Gostava demais dele e ele de mim. Nossa amizade era mais dentro da emissora. Não sei como seria pro Geraldo ou Bacci. Ele faleceu no sábado à noite. No domingo, no programa do Geraldo, foi o enterro. Eu lembro de uma história que é o seguinte: eu comprei um carro, e quando vim aqui pra Record, ele disse: "isso parece um kart". Encontrava com ele e ele: "e o kart, já vendeu?". Tive que vender o kart, porque realmente não dava (risos). Então, o cara que tava ali até agora, de repente acontece o que aconteceu... Não consegui segurar. Todo mundo entendeu. Ali, já não era mais a questão do profissional. Era próximo. Era meu amigo, mas Bacci e Geraldo eram melhores amigos do Marcelo. Imagino como ficaram destruídos....

NaTelinha - Como faz para ser líder de audiência e não ter vaidade?

Reinaldo Gottino - Luto para continuar com os pés no chão. Se eu segurar isso, ficarei por muitos anos no ar. Eu penso assim: acabou o programa hoje, já pensamos no de amanhã. Vejo como um desafio. Só que mudei um pouco minha cabeça. Penso no programa que as pessoas vão gostar. Temos que pensar isso. Pensar em histórias que vão interessar o público. Como o cara que invadiu a igreja de Campinas e matou várias pessoas. Tem que tentar dar um viés diferente do que os outros estão dando, algo diferente.

NaTelinha - Tem alguma coisa que ninguém sabe sobre você?

Reinaldo Gottino - Sou um cara com muitos medos, porque eu chegar onde cheguei, não imaginava.... Eu cheguei longe pra caramba. Mas ao mesmo tempo, sei que posso chegar mais longe. Não é por fama ou dinheiro, é prazer do que faço. Mas eu tenho muitos medos.

NaTelinha - Que tipo de medos?

Reinaldo Gottino - Quero ver os filhos dos meus filhos. Quero ver meus netos. Luto para chegar a terceira idade com saúde. Isso porque eu tenho 41 anos, olha onde vai minha cabeça. Olha minha preocupação... Eu vejo meus filhos crescendo, eu quero ver eles crescendo. Me abalou muito uma notícia, que foi a morte do filho do Chico Lang. Eu trabalhei com ele na Gazeta por anos. Peguei aquele menino no colo... De vez em quando o Chico levava ele pra TV, e ele ficava correndo, ele tinha um cabelo tigelinha... Eu fico pensando na vida... O que vai me adiantar correr atrás de tantas coisas se eu não chegar lá? Sou um cara que penso positivo. Tenho medo de perder a vida, cara. Eu tenho tanta vontade de viver, que eu não quero perder isso.

NaTelinha - Qual foi a melhor coisa que seu trabalho te proporcionou?

Reinaldo Gottino - Vou falar pra você, a coisa mais prazerosa, e você pode perguntar pra qualquer um se eu sou puxa saco, eu não sou. Sou chato, muito chato. Mas a coisa mais prazeirosa é que eu tenho o respeito dos meus superiores. É a coisa mais gratificante na emissora. O respeito de todos aqui dentro e eles me respeitam. Quando sento para conversar numa reunião, esses caras me respeitam muito, porque entendem de televisão, senão não estariam aí há tanto tempo.

Começaram forte o projeto de jornalismo da Record em 2004. Muitos deles. Então, profissionalmente, o maior prazer é ver o público comprando a ideia do programa. É uma relação hoje, não um produto. Produto é descartável. É uma relação. Tem dia que o programa não tá muito bom, mas o público tá com a gente ali. A aceitação do povo e o respeito pelos superiores, que me tratam como um profissional de televisão. Eu não sou só um apresentador hoje pra eles, eu sou um cara de televisão.

NaTelinha - Beatles, Stones ou alguma outra banda?

Reinaldo Gottino - Olha... Você vai me matar... (risos)

NaTelinha - Não, não mato, fica tranquilo (risos)

Reinaldo Gottino - Beatles e Stone é um nível maravilhoso, mas vou de Ira!.

NaTelinha - E por que eu mataria? (risos) Mas por que a escolha?

Reinaldo Gottino - Tem muito a ver com São Paulo, é uma realidade mais próxima. Sou muito fã do Nasi, do Edgard Scandurra... Tem uma música chamada "O Girassol", que tem muito a ver com minha esposa. Não os conheço pessoalmente, uma pena. Mas teve uma vez que eu subi no palco. Essa história é ótima, nunca contei (risos).

Eu não lembro o ano exatamente, mas teve uma vez que o Ira! fez um show para convidados na Via Funchal, era uma festa do São Paulo. O Ira! começa a cantar "Núcleo Base", e eu me empolgo demais. Quando ele começa a cantar o refrão "eu quero lutar, mas não com essa farda!", eu pulo a grade, subo no palco e começou a cantar com o Nasi. Antes de gritar o "não, não!" da letra, dois seguranças começam a vir correndo pro palco pra me tirar. Só tinha convidado, jornalista... Quando os seguranças estão vindo, eu dou um "mosh" na plateia, e o pessoal vai à loucura. Eu já pedi vídeo, foto, mas não tem registro disso. Já fui muito no show do Ira!, mas nunca fui pra conversar com eles. Mas já fiz um "mosh" no show (risos).


* COLABOROU: THIAGO FORATO


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