TVs perderam mais de R$ 30 milhões após FHC proibir publicidade de cigarro
Publicidade já tinha limitações, mas passou a ser proibida na TV
Publicado em 13/12/2025 às 11:51
Em dezembro de 2000, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sancionava a lei que restringia a propaganda de cigarro. A publicidade de derivados do fumo poderia ser feito somente por pôsteres, painéis e cartazes na parte interna nos locais de venda. Ou seja: longe da TV.
Aos cofres das emissoras, a perda não foi tão sentida, mas não era de se jogar fora. A indústria do tabo disponha um valor de R$ 55 milhões para publicidade, sendo que R$ 33 milhões iam para a TV aberta, como relatou uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo em junho daquele ano.
Os anúncios do setor equivaliam a menos de 1% do faturamento das emissoras, e a 1,1% do das revistas. Na Globo, por exemplo, a receita auferida com propaganda de cigarro equivalia a 1,5% do seu faturamento. "A Globo não fará campanha contra nem a favor da aprovação do projeto que proíbe a propaganda de cigarro", dizia o ex-fumante José Roberto Marinho.
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"Cigarro faz mal até na propaganda". Esse era o slogan do governo. O tucano injetou mais de R$ 4,5 milhões em campanhas na TV para conscientizar a população sobre os perigos do tabaco. O projeto proibindo propagandas de cigarro na televisão virou lei há 25 anos. Desde 96, comerciais do tipo só podiam ir ao ar entre 21h e 06h.
Todo o trabalho de conscientização do governo deu certo. O então ministro da Saúde, José Serra (PSDB), recebeu, em 2002, o prêmio Limpando o Ar pela Organização Pan-Americana de Saúde. Ele ajudou a elaborar a lei que restringiu a propaganda de cigarros na TV.
Números de fumantes adultos caiu após proibição de comerciais na TV
Uma pesquisa realizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou em 2013 que, entre 1989 e 2010, 33% dos brasileiros deixou de fumar depois que medidas restringindo a propaganda de cigarros em veículos de comunicação de massa entraram em vigor.
No ano passado, o Brasil registrou, no entanto, o primeiro crescimento de fumantes adultos desde 2007. Os dados são do Ministério da Saúde e apontam que 11,6% da população faz uso do cigarro.
Globo tinha política dura para fumantes na TV

A emissora já proibia o merchandising de cigarros nos programas e personagens só apareciam - e ainda aparecem - fumando apenas se o autor considera isso dado essencial para a composição do personagem. Quando Boni era vice-presidente-executivo da Globo, também permitia que personagens fumassem, mas sempre determinava que os fumantes tivessem um destino ruim.
Na novela Vale Tudo (1988-89), que está disponível no Globoplay, o ator Daniel Filho interpretou o pianista Rubens, um pianista que fumava como uma chaminé. O personagem teve um infarto, quase morreu e teve que parar de fumar.
Relembre um comercial de cigarro na TV: