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"O Sétimo Guardião": 10 roteiristas que participaram da sinopse fazem balanço da novela

Com exclusividade, eles toparam falar sobre a novela em reta final ao NaTelinha

Montagem/NaTelinha

Sandro Nascimento
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Sandro Nascimento

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br

Publicado em 13/05/2019 às 06:01:49 Atualizado em 13/05/2019 às 12:17:21

Na próxima sexta-feira (17), após seis meses no ar, a Globo exibe o destino de Valentina Marsalla, Gabriel, Luz, León e a fonte milagrosa, no último capítulo de "O Sétimo Guardião".

Para realizar um balanço da história, o NaTelinha convidou os 26 roteiristas que colaboraram na criação da sinopse da novela no curso de Master Class ministrado por Aguinaldo Silva, em 2015. Diariamente, no encerramento, a Globo credita as participações deles na obra.

Do total convidado, 10 roteiristas toparam enviar seus depoimentos à reportagem, são eles: Andre Wacemberg, Ariela Massotti,  Duque Ólliver, Julielson de Lima, Julio Kadetti, Nina Guaraná,  Ryllberth Ribeiro, Silvio Cerceau, Valtair Barbosa e Victor Darmo.

Com exclusividade, confira na íntegra o balanço de "O Sétimo Guardião" na visão de cada um destes profissionais:

André Wacemberg

"'O Sétimo Guardião' foi uma novela ousada, experimental, que tentou trazer elementos de seriados estrangeiros ao folhetim diário, mas que se perdeu no desenvolvimento da proposta. A tão celebrada volta ao gênero do realismo fantástico em si me parece ter gerado uma estranheza da nova geração. É verdade que havia algumas pontas soltas, mas dizer que a novela não tinha pé nem cabeça, que não conseguiam entender nada, é coisa de espectadores que não viram a Dona Redonda explodir, ou o Sérgio Cabeleira sendo sugado pela lua, ou a flor do Jorge Tadeu caindo sobre uma dama indefesa.

E se é para comparar a séries, dadas suas devidas limitações, talvez nunca tenham visto seriados com elementos fantasiosos como 'Lost' ou 'Game of Thrones'. A premissa era muito simples: uma sociedade secreta protegendo uma fonte de águas milagrosas.

Agora, realmente, acho que a trama se perdeu nessa ideia central básica. O poder da água foi muito mal aproveitado. Quase não houve casos de pessoas buscarem desesperadamente a cura da fonte, e os guardiões quase nunca usavam desse poder para salvar vidas em seus cotidianos, o que deveria ser a função básica deles. Sem isso, terminaram ficando só as desvantagens de ser um guardião, a maldição de não poder ficar com sua amada, de virar gato, de brochar, etc. Então o público é quase levado a torcer contra a Fonte em vez de entender a importância da irmandade e torcer pela sua preservação.

A fonte foi quase uma vilã. E inútil, tanto é que chegou a secar. Falo isso porque fui eu que sugeri a Fonte da Juventude durante a criação da novela, então sofri ao ver a ideia sendo levada para outros rumos. Mesmo assim, acho que 'O Sétimo Guardião' teve momentos memoráveis, personagens divertidíssimos e textos emocionantes. Infelizmente não caiu no gosto do povo, por um lado com razão pelos problemas citados, mas com a ajuda de um movimento ideológico contra a emissora e de uma era em que o streaming é mais interessante que o folhetim. Foi falha, mas acho que ainda assim conseguiu dar pérolas ao público do Aguinaldo, que pôde ver mais uma de suas beatas ensandecidas em cena, um prefeito corrupto planejando ir a Dubai com a esposa vaidosa, um delegado que usava calcinhas, e um gato que virava gente.

Ariela Massotti

“Participar da criação de 'O Sétimo Guardião' foi lindo. A expectativa do que se tornaria a novela originária da nossa sinopse era grande, mas confesso que teria focado toda a trama principal em ambiente de mistério e não de comédia. Embora os elementos se mantenham, o tom foi bem diferente do imaginado. À princípio fiquei triste com a leveza atribuída aos maiores enigmas que envolviam a trama, mas depois procurei entender os caminhos tomados. De qualquer forma foi a realização de um sonho ver a novela no ar. Guardarei com carinho este trabalho e tenho certeza de que todos os meus colegas também."

Duque Ólliver

"Estou satisfeito com o resultado, gostei de quase tudo que esteve no ar. Lastimo que nem todos tenham compreendido a história que construímos coletivamente na Master Class 3, ainda que tenhamos vislumbrado e organizado o enredo e os personagens sob uma ótica que sofreu alterações ao longo da exibição.

Não sei se foi intencional ou houve dificuldade de reencontrar o eixo sob o qual as tramas foram pensadas. Em termos de audiência, a novela foi o produto mais assistido do país, não podemos trivializar isso. Um conjunto de fatores para além do enredo deve ser levado em consideração antes de traçar um panorama acerca de sua repercussão: Netflix, canais pagos, etc.

Ademais, 'O Sétimo Guardião' foi meu primeiro trabalho de alcance nacional e a primacial certeza que estou no caminho certo. Independente de qualquer impasse, despeço-me dela com o mesmo orgulho e dignidade com que fui aprovado para a Master Class, com muitas histórias pra viver e contar".

Julielson Lima

"Falar de 'O Sétimo Guardião' para mim, envolve um mix de sentimentos. Porém destes, o que prevalece é o inenarrável orgulho. Orgulho por ter ajudado a criar uma novela das nove, orgulho de ver meu primeiro trabalho como roteirista ir ao ar no horário nobre da globo, orgulho por ter tido a imensa honra de escrever o perfil da personagem Valentina Marsalla(Lília Cabral), e orgulho de mim mesmo e do profissional que me tornei.

Quatro anos atrás saí de Pernambuco e vim para o Rio de janeiro para realizar esse sonho, mal sabia eu, que por aqui mesmo iria ficar e batalhar pelos meus ideais. De certa forma, 'O Sétimo Guardião' mudou a minha vida. Faz parte da minha história.

Embora, tanto na ficção como fora dela eu não me sinta plenamente feliz e satisfeito com o rumo que algumas coisas tomaram, sou imensamente grato pelas oportunidades e pelo caminho que venho trilhando. A novela passou, mas a vida real segue, e eu tenho absoluta certeza que estou no caminho certo. Um caminho de aprendizado,  ética e muita persistência”.

Julio Kadetti

“Dou razão àqueles que afirmam que 'O Sétimo Guardião' não foi uma boa novela. Realmente não foi! Mas a sinopse que causou tanto barulho também não era boa. Nasceu de uma ideia criativa de um grupo de roteiristas inspirados, mas era cheia de furos e colocava no centro da trama sete guardiões que ninguém explicava de onde tinham vindo, porque estavam ali e para onde iam. Nas mãos de bons roteiristas teria rendido uma ótima série, mas não tinha fôlego para uma novela.

Foi aprovada porque a emissora confiou na experiência do Aguinaldo, que é um colecionador de sucessos. Em outra situação ele teria transformado a sinopse em uma novela interessante, mas penso que, devido a todo quiproquó envolvendo a autoria da sinopse, ele ficou sem condições. Todo mundo sabe que ele chegou a desistir da novela e escreveu outra sinopse, por sinal muito boa, mas a Globo praticamente o obrigou a levar adiante 'O Sétimo Guardião'. 

Aguinaldo se esforçou, mas não dependia só dele; a direção equivocada e a escalação errada desperdiçou o talento de grandes atores e o potencial de ótimos personagens. Entretanto, dizer que  não foi boa, não significa afirmar que foi um fracasso, afinal, mesmo enfrentando horário de verão, férias de final de ano, Natal, Réveillon, carnaval e estreando com o país mergulhado em uma disputa política sem precedentes,  sempre esteve entre os três programas mais vistos  e nunca teve a liderança ameaçada.  Estou convencido que, assim como até hoje as pessoas ainda se lembram da flor do Jorge Tadeu, daqui a vinte anos o público ainda vai lembrar do gato León".

Nina Guaraná

"Sobre 'O Sétimo Guardião' assisti somente aos primeiros capítulos, há muito pouco a dizer, apenas que é uma emoção quase indescritível ver seu nome nos créditos de uma produção da TV Globo, mesmo ao lado de mais vinte e cinco outras pessoas (rsrs).

Aguinaldo Silva é uma pessoa extremamente gentil, paciente e generosa. Em um grupo onde as pessoas deveriam ter um mínimo de conhecimento básico, foi incansável, respondendo às perguntas mais descabidas, sempre muito educado.

Sabemos que ele, como autor de novelas, ocupa um espaço disputadíssimo na, possivelmente, maior emissora de TV do Brasil. E, diferente dos demais, abriu as portas para que novos autores pudessem surgir, crescer e seguir seus caminhos, assim como um pai faz com seus filhos.

Quanto aos bastidores dessa história... Bem, sugiro que ele escreva uma minissérie sobre o tema. E me chame para colaborar, claro! (Rsrs) Seria um trabalho divertidíssimo com muito DNA de Aguinaldo Silva!"

Ryllberth Ribeiro

“Todos que participaram da criação da obra deram o seu melhor, ou o que acreditávamos ser o melhor naquele momento. De debates criativos surgiam ideias que se completavam e resultaram numa história repleta de magia e fantasia que, pensávamos, ajudaria a entreter o público da realidade tão dura que vivemos. Independente dos rumos que a novela tenha tomado, acho que é oportuno agradecer ao elenco da novela que, em sua maioria, correspondeu às expectativas. Os atores deram um show de talento e profissionalismo dentro das possibilidades.

Acreditávamos muito na história. Ela uniu tanta gente talentosa e uma verdadeira força tarefa ocorreu para que fosse produzida. Muita coisa inesperada aconteceu desde então, mas acredito que nada é por acaso e me despeço da novela fortalecido para enfrentar qualquer coisa, seja no âmbito pessoal ou na profissional. Foi e tem sido uma verdadeira lição de vida tudo o que passamos com 'O Sétimo Guardião'. Seguimos agora cada um nossos caminhos. A jornada continua. Sob a proteção do gato León."

Silvio Cerceau

"Não tenho muito o que dizer, afinal, no desenvolvimento dos capítulos de uma novela os personagens podem tomar outros rumos, nesse ponto a arte imita a vida. A sinopse da novela era espetacular e a Globo aprovou-a sem ressalvas, o próprio autor dos capítulos declarou isso na época.

Não vejo 'O Sétimo Guardião' como um fracasso total, apesar da audiência distante dos números alcançados por 'O Outro Lado do Paraíso'. Ainda assim, foi o programa de maior audiência na TV durante esses 6 meses e alguns dias. Um fato importante é que os colaboradores e a própria coautora da criação dos capítulos não são referências no gênero, isso ajudou muitas cenas, histórias e personagens ficarem a deriva.

Joana Jorge é autora de novela portuguesa, Zé da Silva é um ótimo cartunista, Maurício Gibosky teve 2 sinopses reprovadas e esse tal de Virgílio Silva é o mesmo autor do roteiro "Crô 2", e  recebeu críticas negativas arrasadoras. Enfim, Aguinaldo Silva não tinha uma boa equipe para desenvolver os capítulos da nossa sinopse".

Valtair Barbosa

"Achei fabuloso ver no ar o produto de uma história que ajudei a criar e à revelia de qualquer intempérie o sentimento de satisfação prevalece. O tom com que a história foi contada não foi exatamente o modo como boa parte de nós a imaginou, embora todos os elementos e praticamente todos os personagens elaborados na sinopse lá estivessem, acredito que na intenção de atingir um público que migra cada vez mais para outras plataformas. Independente de qualquer crítica nada é só preto ou branco, por isso a novela teve sim seu naco de ótimas surpresas, atuações, textos e boas tramas.  Cada qual que reserve em sua memória o que lhe parecer melhor. Vamos adiante."

Victor Darmo

"Achei q foi uma novela que ousou. Ousou resgatar o universo do realismo fantástico, que estava sumido havia anos no horário nobre, sem perder o frescor dos temas atuais que uma novela inserida numa grande cidade poderia tratar. Temos aí a luta da Afrodite e sua família contra o marido violento e preconceituoso e a luta de seus seus filhos para seguirem seus sonhos. Temos a ganância pelo poder capaz de tudo, no caso da Valentina e o Olavo.

Temos o político corrupto. E também um elemento vindo com a fonte, que é a sensação de um chamado para algo especial. Na vida real, milhares de pessoas se "consagram" a diversas fontes: um sacerdote, uma mãe ao cuidado de um filho especial, um missionário. Temos também a relação do homem com o sobrenatural: até onde ir por uma crença? Enfim, acredito que foi uma novela rica, bem humorada e como tinha que ser: com a assinatura do Aguinaldo. A linguagem dele de apresentar e conduzir todos esses dramas."


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