Kennedy Alencar fala sobre pedido de demissão do SBT: "não fazia mais sentido ficar trabalhando lá"

Jornalista comandava série de entrevistas e tinha programado FHC, Lula, Bolsonaro, Alckmin e Marina Silva

Divulgação

Publicado em 09/10/2017 às 14:32:24 , atualizado em 09/10/2017 às 18:50:12

Por: Sandro Nascimento com Fabrício Falcheti

Conforme noticiado pelo NaTelinha na semana passada, insatisfeito com as matérias que vinham sendo exibidas no "SBT Brasil", Silvio Santos interveio no jornalismo e ordenou que pautas de comportamento e outras mais frias não sejam mais produzidas. O foco total devem ser as notícias mais factuais, hard news.

Diante disso, nomes como Bruno Vicari, do esporte, Carolina Aguaidas, da previsão do tempo, e Kennedy Alencar, de política, ficaram sem função. Este último, que vinha comandando uma série com possíveis protagonistas das eleições em 2018, pediu demissão e deixou a emissora depois disso.

Em entrevista ao NaTelinha, o jornalista confirmou que essas mudanças e o cancelamento da série "Cenários 2018" o fizeram pedir demissão - e não foi a primeira vez.

"O que o Maurício Stycer (colunista do UOL) escreveu é o registro factual do que aconteceu. Houve mudanças no jornalismo e eu fui comunicado que a série 'Cenários 2018' seria cancelada. Diante disso eu achei que não fazia mais sentido eu ficar trabalhando lá e pedi demissão. Na verdade eu reiterei um pedido de demissão que havia registrado em abril, eles não tinham aceito e diante dessas mudanças eu falei: 'Olha, eu gostaria de reiterar aquele me pedido de abril e quero sair'. Foi isso que aconteceu, bradou ele, por telefone.

Kennedy Alencar desmentiu a versão oficial do SBT, que disse que sua saída foi motivada por novos projetos em 2018. "Essa versão não é verdadeira. Você pode checar isso", sentenciou.


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Depois de tudo isso, o jornalista não tem seu futuro definido. Só pensa em férias. "Eu ia tirar férias a partir do dia 13, porque eu vou fazer 50 anos no dia 23 e ia ficar três semanas fora. Eu já havia programado as minhas férias. Então minha prioridade agora é tirar as minhas férias e depois continuar trabalhando no meu blog e na rádio CBN, vou tocando a minha vida. Mas não tem nada sendo tratado não. Até porque acabou de acontecer e eu quero tirar férias", comentou. "Eu tinha programado do dia 14 de outubro a 5 de novembro para fazer uma viagem, dar uma descansada porque, enfim, não para de acontecer coisa", completou.

Na conversa, ele mostrou que aceita a decisão de Silvio Santos. "Tinha uma programação na sexta (6) de gravar três entrevistas, com Rodrigo Maia, Chico Alencar e Álvaro Dias, para eu deixar essas entrevistas prontas e poder tirar minhas férias. E depois me disseram que a série tava cancelada... Eu agradeci, enfim, eu reconheço, o Silvio Santos tem todo o direito de tocar a televisão dele do jeito que ele bem entende. E eu tenho o direito de tocar minha carreira como eu acho melhor", disse.

E elogiou o SBT: "O SBT é uma casa ótima, sou grato, fui muito feliz lá, ótimo lugar para trabalhar... Mas eu achei melhor cada um seguir seu caminho agora. Mas fica registrado que nunca reclamaram de um comentário que eu tenha feito, de uma entrevista que eu tenha feito. Não há intereferência editorial, é uma casa muito boa para trabalhar pela liberdade editorial que dá. Eu tive toda liberdade no tempo que trabalhei lá".

Por fim, contou à reportagem do NaTelinha que tinha todo o planejamento da série "Cenários 2018" pronto. E listou: "Não ficou nada gravado. Só cancelou o que seria gravado daqui para frente. Foi ao ar entrevista com o João Dória, Fernando Haddad e Ciro Gomes. Já havia confirmação do João Amôedo, do partido Novo, para 30 de outubro. Estava negociando a data para levar o Jair Bolsonaro em novembro... Aí teria Marina Silva no dia 13 e Lula no dia 20 de novembro. Em dezembro viriam Geraldo Alckmin no dia 4, Henrique Meirelles no dia 11 e Fernando Henrique Cardoso no dia 18".

"A série tava toda produzida", finalizou.

Com os desmandos de Silvio Santos na semana passada, o clima na redação de jornalismo da emissora ficou pesado. Relatos apontaram que na quinta-feira (5) muita gente ficou revoltada e até chorou, tamanho desesperado pelas mudanças, numa fase em que os programas jornalísticos do SBT estavam bem e na vice-liderança.



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