Produtora do "Game Phone" entra com processo contra YouTube para remover denúncias

Rogério Betin denuncia em seu canal no YouTube os caça-níqueis da TV como o "Game Phone"

Rogério Betin em video no YouTube denunciando supostas fraudes do "Game Phone" - Reprodução

Publicado em 21/07/2017 às 15:20:03 , atualizado em 21/07/2017 às 16:56:17

Por: Thiago Forato

Fazendo vídeos contra programas caça-níqueis desde o início de junho, o youtuber Rogério Betin terá que retirar suas denúncias do ar.

Um de seus vídeos mais famosos beira as 4,5 milhões de visualizações, mas Betin relatou ao NaTelinha que a Avatar Tecnologia, produtora do "Game Phone" e "Superbônus", no ar pela Band e outras emissoras, entrou com um processo contra o YouTube. Num primeiro momento, uma liminar foi concedida em favor da produtora.

No último dia 5, o youtuber disse ao NaTelinha que havia sido convidado para realizar uma visita aos estúdios da Avatar, em São Paulo. Acompanhado de seu advogado, Marcelo Campione Franco, visitou a capital paulista nesta quinta-feira (20). "Fiquei sabendo que tem um processo da Avatar contra o Google por conta dos meus vídeos. O juíz determinou que eles fossem tirados do ar, que o Google retirasse", disse.

O NaTelinha teve acesso ao documento. O YouTube tem até a próxima terça (25) para retirar os vídeos de Rogério Betin do ar, sob pena de multa de R$ 10 mil diários.

Alegando danos morais, a produtora diz que "atua com transparência juntos aos seus telespectadores" e que está no mercado de produção artística independente de programas de TV desenvolvendo atrações do tipo há 20 anos, exibindo diversos programas com nomes diferentes.

"A empresa hoje tem expertise no desenvolvimento e produção dos programas veiculados na TV, tais como o 'Game Phone', 'Game Mania' e outros", diz o processo.

O documento possui diversas imagens de vídeos de Rogério Betin e frases que o youtuber disse contra os programas da Avatar, tais como: "Isso aqui é mentira"; "você vai entrar ao vivo, não vai", "são combinados, faz parte da quadrilha, é uma fraude".

A Avatar garante: o programa é real e o participante que estiver com a pontuação mais alta entrará ao vivo, e respondendo a pergunta corretamente feita pelo apresentador, ganhará o prêmio, reiterando que o regulamento está à disposição no site.

"Abriram a empresa pra mim (em visita a São Paulo). Falei com o diretor artístico, com o presidente, vi tudo. Fiquei na frente da apresentadora do outro lado da sala. Me falaram que as apresentadoras estão p... da vida comigo porque estão xingando elas de prostituta pra baixo no YouTube. E estão mesmo", afirma Rogério Betin.

Questionando os ganhadores do programa e os que erram em massa na hora do 'vamos ver', Rogério Betin recebeu uma resposta no mínimo curiosa da produção. "O pessoal erra porque erra. O pessoal erra porque a TV é pequenininha, porque é de tubo, me falaram isso várias vezes. Eu questionei: é isso que eu e o Brasil inteiro não aceita", contou.

Com um minuto custando R$ 5,99 para reponder a "concursos culturais", o telespectador é persuadido por rostos bonitos a pontuar nesses concursos, para se credenciar a entrar ao vivo e responder a grande questão e faturar o "grande prêmio". O formato se perpetua no ar há 20 anos.

Neste mês de julho, o "Game Phone" mudou de nome de um dia para o outro na Band. O novo título é "Superbônus".

O NaTelinha apurou ainda que o contrato entre a Avatar Tecnologia e a Band se encerra somente em 31 de dezembro. A emissora do Morumbi recebe cerca de R$ 2 milhões mensais pelos horários alugados da produtora.

A reportagem enviou vários questionamentos à Avatar Tecnologia há 15 dias. Nenhuma pergunta foi respondida.

Num primeiro contato com o Ministério Público Federal, o órgão disse que recebeu algumas representações de cidadãos ao longo dos últimos meses relatando terem sido lesados ao ligarem para os números indicados. As investigações ainda estão em fase preliminar e o Ministério Público Federal está apurando os fatos e denúncias de fraude.



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