Morre o jornalista Nelson Hoineff, criador do Documento Especial, aos 71 anos
Reportagens sobre a fome no Nordeste e o preconceito social no Rio marcaram a TV
Publicado em 15/12/2019 às 18:30
O jornalista Nelson Hoineff morreu na tarde deste domingo (15), aos 71 anos. A informação foi confirmada pelos familiares nas redes sociais.
Ele foi criador do Documento Especial, programa jornalístico que fez sucesso na Manchete, nos anos 1980. Em décadas seguintes, a atração foi para o SBT e depois para a Band, sempre com o exitoso formato desenvolvido por Nelson Hoineff.
Nascido em 1948, o jornalista passou por alguns dos principais veículos do país. Além da trajetória acadêmica paralela, começou sua carreira como repórter no impresso O Jornal, na década de 1960. Consolidou-se como nome importante na crítica cinematográfica brasileira.
Anos mais tarde, na TV Manchete, foi chefe do departamento de jornalismo. Seu maior feito, o Documento Especial, estreou em 1989 e apostava forte no realismo. A atração produziu reportagens emblemáticas na TV brasileira.
Uma das mais lembradas, intitulada Os Pobres Vão à Praia, exibiu a discriminação contra classes menos favorecidas e as disparidades sociais no Rio de Janeiro do fim dos anos 1980.
O documentário Vidas Secas, sobre a fome no Nordeste, veiculado no Documento Especial, foi premiado no Festival de Monte Carlo, um dos principais voltados para o jornalismo em todo o mundo.
Temas polêmicos eram sempre levantados na atração, que também abordou a epidemia da AIDS, a prática do surfe ferroviário, a dependência química, a criminalidade nos centros urbanos, entre outros assuntos urgentes de sua época. O programa ficou no ar até 1997, quando já era veiculado pela Band.
Nos anos seguintes, Hoineff passou a se dedicar a filmes independentes no cinema por meio de sua própria produtora, a COMALT - Comunicação Alternativa.
Como diretor, fez os documentários Alô, Alô, Terezinha!, sobre o apresentador Chacrinha; Caro Francis, dedicado ao colega Paulo Francis; 82 Minutos, sobre a escola de samba carioca Portela; e Cauby - Começaria Tudo Outra Vez, sobre Cauby Peixoto; entre outros.
Seu último projeto, inacabado, era um documentário que narrava a trajetória do amigo Agnaldo Timóteo.
Ele também era presidente do Instituto de Estudos sobre Televisão, responsável pelo Festival Internacional de Televisão, realizado no Rio de Janeiro.
O sepultamento de Nelson Hoineff será nesta segunda-feira (16), no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio, a partir do meio-dia.
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