Na disputa do Oscar

Mais um filme sobre a ditadura? Veja 5 diferencias de O Agente Secreto

Longa com Wagner Moura em nada lembra títulos ambientados no período do regime militar, como Ainda Estou Aqui; saiba por quê


Wagner Moura no filme O Agente Secreto
Wagner Moura concorre ao Oscar de melhor ator pelo desempenho em O Agente Secreto - Foto: Divulgação/Vitrine Filmes

Candidato ao Oscar 2026 em quatro categorias, O Agente Secreto está fazendo história no cinema nacional. Além do sucesso em premiações no exterior, quem assistir ao longa estrelado por Wagner Moura perceberá que não se tratava apenas de mais um filme sobre a ditadura militar – principal crítica feita à produção antes mesmo da estreia nas telonas.

Ambientado no Recife, em 1977, O Agente Secreto é um thriller e narra a história de Marcelo (Wagner Moura). Professor universitário cercado por mistérios, ele foge de um passado misterioso e volta à cidade em busca de paz. Contudo, percebe que o local pode não ser o refúgio seguro que procura.

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A produção foi indicada ao Oscar 2026 em quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor seleção de elenco. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada em 15 de março de 2026, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O longa-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho em muito se difere de outros filmes sobre o período do regime militar no Brasil, como o recente Ainda Estou Aqui (2024), também premiado no exterior. Confira, a seguir, as cinco principais diferenças em relação a esse e outros títulos sobre a época:

  • História ficcional

Em O Agente Secreto, a ditadura é tratada de forma mais implícita do que nos outros longas e atravessa a história quase como um pano de fundo. A narrativa também é totalmente de ficção, com apenas passagens inspiradas em fatos, sem presença de personagens reais da História do Brasil, como costuma acontecer.

  • Drama dá lugar a suspense, ação e terror

Ao contrário dos demais retratos sobre a ditadura, focados no drama, O Agente Secreto mistura gêneros como suspense, ação e terror. Há espaço para elementos fantásticos e simbólicos, com uma tendência para o sobrenatural – um destaque é a sequência da Perna Cabeluda, em alusão à lenda urbana de Recife.

Tânia Mara e Wagner Moura em O Agente Secreto
Tânia Maria e Wagner Moura em O Agente Secreto - Foto: Reprodução/Vitrine Filmes

 

  • Ambientação em Recife

As locações também diferem o novo filme de anteriores, geralmente ambientados no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Há um grande foco no contexto específico no Recife dos anos 1970 – a capital pernambucana é terra do diretor e recorrente em seus trabalhos. A reconstituição de época, aliás, é um dos pontos altos do filme.

  • Menção a fatos contemporâneos

Além da lenda da Perna Cabeluda, popular na cidade, há o tubarão que surge na praia e uma referência ao caso do menino Miguel Otávio – que morreu em 2020 após a patroa de sua mãe, uma empregada doméstica, deixá-lo sozinho, o que resultou em uma queda do prédio.

  • Trilha sonora regional

Em filmes sobre a ditadura, a trilha sonora costuma apostar em nomes da MPB que sofreram com a censura, a tortura e o exílio. Já em O Agente Secreto, há um recorte para artistas menos lembrados nesse contexto, como Zé Ramalho, Lula Côrtes, Waldick Soriano, Orquestra Nelson Ferreira e a Banda de Pífanos de Caruaru, entre outros nomes.

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