Belas imagens tentam compensar clichês e déjà-vu em A Nobreza do Amor
Novela reúne tramas já exploradas no horário, disfarçadas por espetáculo em paisagens e direção de arte
Publicado em 24/03/2026 às 06:39,
atualizado em 24/03/2026 às 10:41
Déjà-vu é um termo que vem do francês, usado para expressar aquela sensação de estar diante de algo "já visto" antes. Uma impressão que certamente acompanha quem assiste aos primeiros capítulos de A Nobreza do Amor, nova novela das 18h, que estreou semana passada, na Globo. A trama é um compilado de clichês que deram certo em produções anteriores no horário, agora revertidos por elementos que dão algum verniz.
Se Êta Mundo Melhor, a antecessora, não primou pela originalidade, recorrendo a personagens do passado e reprisando as histórias de Êta Mundo Bom (2016), a substituta na faixa também não é tão inovadora quanto pode parecer. A grande novidade – a ser celebrada, aliás – é a ambientação inicial na África e as ligações da cultura local, por meio do fictício reino de Batanga, com os costumes e a tradição do Brasil.
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Afinal, a obsessão de um vilão tirano, Jendal (Lázaro Ramos), pela mocinha, Alika (Duda Santos), que busca refúgio no Brasil, já foi vista no enredo central, voltado para cultura árabe, de Órfãos da Terra (2019) – da mesma Duca Rachid, que na ocasião assinava com Thelma Guedes. Agora, a autora reaproveita o storyline, com nova roupagem, na parceria com Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr.
O tom de fábula com que a história se desenvolve, unindo realeza ao Nordeste brasileiro, é uma menção direta à bem-sucedida Cordel Encantado (2011), também de Duca e Thelma. Tanto que dois personagens daquela novela, Augusto (Carmo Dalla Vecchia) e Maria Cesária (Lucy Ramos), fizeram participação especial na nova história para confirmar a ligação entre as tramas.
A locação em um interior do Nordeste aparentemente perdido no tempo também remete ao que se via em Mar do Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024), ambas de Mário Teixeira. Desta vez, ao menos, houve a preocupação de situar a fictícia cidade de Barro Preto no passado, de modo a evitar a ambientação anacrônica vista nas outras duas produções, em que a ação era contemporânea.
Também em Cordel Encantado e Mar do Sertão havia a rivalidade entre um jovem rico e um humilde trabalhador, acirrada pela atenção dada pelo coronel ao empregado em detrimento do filho – dinâmica que surge nas figuras de Mirinho (Nicolas Prattes), Tonho (Ronald Sotto) e Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), respectivamente. Os rivais, é claro, ainda vão disputar o amor da protagonista.
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Sorte é que Lázaro Ramos não parece ter a intenção de reprisar nada que remeta a seu trabalho anterior no horário – o infeliz e esquecível remake de Elas por Elas (2023), em que deu vida a uma versão histriônica e sem graça do detetive Mário Fofoca. O ator acerta o tom e volta à cena em melhor forma. Ele tende a se destacar no elenco, garantindo bons momentos com seu primeiro vilão em novelas.
Apesar das repetições, A Nobreza do Amor está longe de ser uma produção descartável. O texto bem-intencionado, a direção de Gustavo Fernandez e os atores, no geral, são competentes no que se propõem. Há belas paisagens e um espetáculo em direção de arte, figurinos e cenografia. O que se lamenta é que ingredientes tão bons tenham sido usados em uma receita que o telespectador já provou tantas vezes.
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