Diretor rival espalha fake news sobre O Agente Secreto no Oscar; entenda
Oliver Laxe afirma que brasileiros votariam até em um "sapato", mas dados da Academia mostram que profissionais do país representam menos de 1% do total de votantes
Publicado em 24/01/2026 às 13:40
O cineasta franco-espanhol Oliver Laxe, diretor do longa Sirat — que concorre diretamente com o brasileiro O Agente Secreto nesta temporada —, afirmou em entrevista que o volume de votantes do Brasil na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas teria peso decisivo no resultado do Oscar. Durante participação no programa La revuelta, da emissora espanhola TVE, Laxe declarou que os profissionais brasileiros são "ultranacionalistas" e que votariam em qualquer indicação do país.
"Há muitos brasileiros na Academia, e nós os adoramos... Mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele", disse o diretor. A fala ocorreu no momento em que os indicados ao prêmio foram divulgados. Sirat disputa as categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som, enquanto O Agente Secreto soma quatro indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura.
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A afirmação de Oliver Laxe sobre uma suposta predominância numérica do Brasil é contestada pelos registros oficiais da organização. Atualmente, a Academia do Oscar é composta por cerca de 10,9 mil membros, dos quais pouco mais de 9,9 mil possuem direito a voto. O contingente de brasileiros aptos a votar é de 68 pessoas, o que representa apenas 0,6% do total de votantes.
Até fevereiro de 2025, o grupo de brasileiros era formado por 58 profissionais. Em junho do mesmo ano, a instituição convidou mais dez nomes do país, incluindo a atriz Fernanda Torres. Além dela, integram a lista de votantes nomes como Selton Mello, Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Maeve Jinkings e Wagner Moura, além dos cineastas Walter Salles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho.
Repercussão e protestos nas redes sociais
As declarações de Laxe motivaram protestos de internautas brasileiros nas redes sociais, que classificaram a fala como xenofóbica. Em resposta, usuários utilizaram a página oficial do filme Sirat no Instagram para ironizar a produção estrangeira e defender o cinema nacional.
Apesar da repercussão negativa sobre os comentários, Oliver Laxe afirmou na mesma entrevista que a conquista de estatuetas é um tema secundário. "Ganhar prêmios é um bônus. O melhor mesmo é fazer filmes", declarou. Até o fechamento desta reportagem, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não havia emitido posicionamento sobre as declarações do cineasta.