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Das apresentadoras infantis, por que só Eliana conseguiu estabilidade na carreira?

Eliana conseguiu fazer a transição de público de criança para adultos e hoje brilha aos domingos no SBT

Das apresentadoras infantis, por que só Eliana conseguiu estabilidade na carreira?
Fotomontagem/ Divulgação

Thiago Forato
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Thiago Forato

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 14 anos e assina a coluna Enfoque NT há oito, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele:

thiagoforato@natelinha.com.br

Twitter: @tforatto

Publicado em 09/04/2019 às 12:06:35 Atualizado em 09/04/2019 às 12:13:24

As décadas de 1980 e 90 foram pautadas por inúmeras apresentadoras infantis na televisão, em um tempo onde as manhãs eram dedicadas quase que exclusivamente aos pequenos.

Os principais nomes eram as loiras Xuxa, Angélica, Eliana, Jackeline Petkovic, Mariane e a morena Mara Maravilha.

De um verdadeiro "boom" naquela época para um tempo que a função foi deixada completamente de lado, bem como programas infantis de uma maneira geral. Já há algum tempo, somente a TV Cultura e o SBT ainda mantém uma grade de programação regular infantil.

Mas, de todas essas listadas, somente Eliana continua firme e forte na televisão, com um programa aos domingos, dia mais concorrido na TV.

Seria muito fácil falar como arquiteto de obra pronta, de que Eliana teve um gerenciamento de carreira mais competente que as outras e por isso se mantém no ar. Mas é uma verdade que prevalece.

Eliana conseguiu fazer com extrema naturalidade a transição de seu público, de infantil na década de 1990, infantojuvenil no início dos anos 2000 até estrear seu primeiro dominical, em 2005, o "Tudo é Possível", na Record.

Ela não parou desde então. E claro que unir uma direção competente e antenada faz toda a diferença. Com alguns formatos que são sucessos internacionais para compor seu programa, aliado a elementos clássicos de auditório, o "Eliana" é competitivo. Não à toa está há 10 anos no ar.

Conteúdo questionável, é verdade, regado a muito choro e por vezes uma atração maçante. Mas, querendo ou não, ainda assim, competitivo.

Já as outras...

Angélica, que tinha tudo para estar no mesmo patamar que Eliana, e até esteve por um tempo, começa a cair no esquecimento da TV, sendo deixada de lado. Há um ano fora do ar, não há perspectivas para sua volta.

E pensar que nos anos 90, Angélica apresentava vários programas. Só no SBT foram vários, como o "TV Animal" e o "Passa ou Repassa". Quando se mudou para a Globo, dominava as manhãs.

A troca de público começou a acontecer com o quadro "Video Game", atrelado ao "Vídeo Show", que teve uma volta fracassada no final de 2017 e logo saiu do ar.

O reality "Fama" não teve tanto êxito e o "Estrelas", que demorou anos para ser exibido para todo o país foram primordiais para definhar a carreira da apresentadora.

Angélica, já no ano passado, não tinha tanta relevância televisiva. Um grande talento fora do ar. Espaço não falta.

Dia desses, Angélica postou uma foto no Instagram e um internauta questionou o que era "aquilo" em sua perna. Era sua pinta. Chegamos a geração que não sabe que Angélica tem uma pinta.

Espaço na Globo é o que não faltou. Várias atrações poderiam ter o comando dela, como o "The Voice Kids", "Os Melhores Anos de Nossas Vidas", "Popstar", etc. A emissora a preteriu. Paciência.

Xuxa, por sua vez, teve um auge mais meteórico. Teve um "Planeta Xuxa" que até hoje é lembrado pelos fãs no final da década de 1990, mas a verdade é que nunca chegou a fazer sua transição de público de verdade.

Ficou marcada como a "Rainha dos Baixinhos" e até hoje é lembrada como tal. Na Globo, já nos anos 2000, teve inúmeros formatos em diferentes horários e nenhum conseguiu ter o sucesso esperado.

Contratada a peso de ouro pela Record, o programa que levava seu nome saiu por baixa audiência e hoje apresenta formatos estrangeiros, atuando como coadjuvante.

Já Jackeline Petkovic, que apresentou o "Bom Dia & Cia" entre 1998 e 2003, nunca conseguiu se firmar depois. Fez até programas caça-níquel.

Mariane que teve até um programa que levava seu nome na década de 1990 teve um auge mais breve. Depois de cortar seu cabelo em 1991, foi demitida sumariamente do SBT e nunca mais conseguiu a mesma exposição.

Mara Maravilha, outra apresentadora infantil, também jamais conseguiu fazer a transição de público. Recentemente, voltou com tudo à TV com direito a confinamento em "A Fazenda" e apresentação em programas de fofocas no SBT, mas seu desempenho foi tenebroso.

Afinal, o que Eliana tem de diferente?

Eliana teve, provavelmente, mais vontade de continuar no ar. Mais inquietação, sem deixar entrar na zona de conforto, e mais flexibilidade frente às câmeras.

Consegue apresentar diferentes tipos de conteúdo e uma aceitação maior perante ao público.

Angélica, é verdade, poderia até dar a volta por cima, devido ao seu potencial.

Aguardemos.


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