Copiado, imitado e amado: o adeus a Marcelo Rezende

Apresentador e jornalista faleceu neste sábado (16), em São Paulo

Divulgação/RecordTV

Publicado em 16/09/2017 às 19:23:16 , atualizado em 16/09/2017 às 21:37:59

Por: Thiago Forato

Aos 65 anos, faleceu neste sábado (16) o jornalista Marcelo Rezende, vítima de um câncer no pâncreas e fígado que foi potencializado por uma pneumonia.

Rezende sai da vida para entrar na história. Das pessoas. Da televisão. Do Brasil.

Seu nome se confunde com o do jornalismo, sobretudo o do investigativo, e sempre será lembrado por seus bordões, sua capacidade de se comunicar e as camadas que conseguia atingir ao mesmo tempo.

Seu último trabalho na televisão foi na RecordTV, por onde estava há quase cinco anos à frente do "Cidaade Alerta", que em seus áureos tempos dava expediente por quatro horas diariamente.

Com uma voz inconfundível e trejeitos peculiares, Marcelo Rezende foi um dos jornalistas mais admirados, imitados e amados do país. Seja por ser a voz do povo na TV, a voz da indignação, ou por mergulhar profundamente em investigações comprometedoras, como a do épico "Globo Repórter" de 2002 mostrando os bastidores da CBF e os podres de Ricardo Teixeira, então presidente da entidade.

Marcelo Rezende conseguiu o status que poucos conseguiram. Entra para um seleto hall de personalidades do meio que são imortais. Insubstituíveis. Imensuráveis na sua importância.

De repórter na Globo a âncora de jornalístico policial, Rezende deixou marcas por onde passou. Prestativo e atencioso, é elogiado também, além de seu profissionalismo, pela sua humanidade e generosidade. Acolhimento aos colegas.

Não se fabricam mais Marcelos Rezendes. Claro, só teve um. Mas profissionais desse naipe estão em extinção. Seres humanos, então, nem se fala.

Rezende largou o tratamento convencional para apostar na fé. E teve fé que conseguiria. Conseguiu? Isso envolve dúvidas. Crença é crença. Rezende poderia estar se preparando apenas para fazer uma passagem mais tranquila, depois de ter seu corpo fragilizado e vulnerabilizado ainda mais pela forte quimioterapia. Pode ter optado por ter seus últimos meses sem tanto sofrimento. Não sabemos.

O que nós sabemos é a falta que ele fará. Lacuna que não será preenchida. Espaço que não será ocupado. Lugar que não será tomado.

Não podemos nos entristecar por sua morte, mas nos alegrar por sua vida. Foram anos dedicados à TV e a a fazer a diferença na casa das pessoas. E isso tem que ser ressaltado. Mostrado. Divulgado. Retratado.

Aonde quer que esteja, Rezende deve estar em paz. Consigo. Contigo. Comigo. Paz era o que ele já estava demonstrando em seus últimos dias de vida. Que assim seja.

Adeus, Marcelo Rezende. Descanse em paz!

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 12 anos e assina a coluna Enfoque NT há seis, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br Twitter: @tforatto



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