Coluna do Sandro

Saída de Amaury Jr. escancara erro estratégico da Band em 2018

Amaury Jr e Roberto Carlos
Roberto Carlos foi uma das atrações de estreia do "Programa Amaury Jr." na Band

Publicado em 30/01/2019 às 08:49:12 ,
atualizado em 30/01/2019 às 09:41:45

Por: Sandro Nascimento

Após uma reunião com o diretor artístico da Band, Juca Silveira, realizada na tarde da última segunda-feira (29), Amaury Jr. e o canal decidiram não renovar seu vínculo para uma nova temporada.

O apresentador tinha retornado em 2018 após 17 anos fora - passando 15 na RedeTV!. Uma das justificativas utilizadas seria a incompatibilidade em conciliar um projeto diário na Band com um programa ao vivo que ele pretende comandar em um canal de internet sediado nos Estados Unidos.

Isso soou estranho. Amaury Jr. troca o quarto maior canal aberto do Brasil para uma plataforma digital que atinge em torno de um milhão de pessoas.

Em conversa com o NaTelinha, uma fonte do mercado publicitário contou que a informação da saída Amaury Jr. da Band não foi uma surpresa para o setor. A decisão, entre outros motivos, deveria passar pelo retorno financeiro. Justificam que se o patrocinador mensurar a audiência da atração nos últimos meses, concluiria ser similar ao que Amaury atingia na RedeTV!. Com isso, chegaria a conclusão que estava pagando mais para obter o mesmo Ibope. "Uma questão de matemática e não interpretação de texto", concluiu.

O fim do "Programa Amaury Jr." é mais um elemento que expõe os erros da estratégia criada pelos diretores da emissora para a programação de 2018, liderada pelo seu vice-presidente, André Aguera, que assumiu o cargo em dezembro de 2017.

Agora, com exceção do "Melhor da Tarde", todos os novos programas foram extintos da programação. O NaTelinha apurou que Cátia Fonseca permanece com seu espaço vespertino no canal por possuir um patrocinador que garante seus custos. Em relação a audiência, gira em torno de 1 a 1,5 ponto - próximo do que atinge o "Mulheres", da TV Gazeta.

O começo do desmantelamento da super grade criada para o ano passado ocorreu em novembro, com o fim do matinal "Superpoderosas", um projeto idealizado por Ana Paula Padrão para bater de frente com o "Hoje em Dia" e o "Mais Você". Seu Ibope ficava entre traço e 0,5 de média.

No início deste ano, a Band comunicou o fim de duas atrações que seriam carro-chefe da emissora nos domingos de 2018: "Show do Esporte" e "Agora é Domingo". Ambos não atingiram suas metas de audiência e faturamento.

No caso do esportivo comandado por Milton Neves, em comparação com seu antigo programa, "Terceiro Tempo", retomado agora em janeiro, a reportagem obteve a informação que a queda no volume de merchandising chegou a ser superior a 70%. Já o dominical de Datena contava com um patrocínio de um banco privado no início da sua trajetória, mas não foi renovado no fim do ano.

Além dos resultados decepcionantes da super grade, outra frustração da Band no decorrer de 2018 foi justamente aquilo que não foi ao ar.

O contrato com o grupo Disney que injetaria por ano, de acordo com pessoas ligadas ao mercado, um valor beirando 30 milhões de reais, naufragou. Ficou apenas nas negociações lideradas pelos emissários do canal paulista na Argentina.

O resultado disso tudo foi a criação, às pressas, de uma faixa infantil matutina para, ainda, tentar seduzir os diretores americanos. Mas parece que o tiro saiu pela culatra. O programa alcança no máximo 0,7 ponto.

Com tantos equívocos, não é exagero afirmar que 2018 foi um ano perdido para a Band. Diante deste cenário, duas perguntas precisam ser feitas: quem é o culpado por tantos de erros? Quem arcou com tantos prejuízos?

A crise na Band pode ser agravada em 2019, ou não. A emissora entrará no tudo ou nada no novo ano. Boa sorte.

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br


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