Opinião

Biógrafo destaca "profundo amor que Gugu sentia pela TV"

Gugu Liberato morreu nesta sexta-feira (22)

Biógrafo destaca
Divulgação/Record

Publicado em 22/11/2019 às 21:39:06 ,
atualizado em 24/11/2019 às 09:18:46

Por: Redação NT com Fernando Morgado

Trabalhar na televisão é o desejo de muitos. Ter seu próprio programa, ganhar dinheiro, ficar famoso e, claro, conviver com seus ídolos. Poucos, porém, são aqueles que conseguem realizar sonhos assim, tão grandes. Augusto Liberato foi um deles.

Filho de humildes imigrantes portugueses, Gugu demonstrou desde cedo sua vocação para a comunicação e o empreendedorismo. Aos seis anos de idade, fez seu primeiro negócio: fabricou e vendeu perfumes misturando álcool com pétalas de flores amassadas.

Mais do que sonhar com a televisão, Gugu sonhou em trabalhar com Silvio Santos. E conseguiu. De tanto mandar cartas com sugestões de quadros, Gugu foi contratado por Silvio como assistente de produção. Anos depois, recebeu sua grande oportunidade no então nascente SBT: animar o "Viva a noite", atração que fez história nos sábados dos anos 1980.

Em 1987, o outrora menino pobre viu sua vida mudar de vez: foi contratado pela Globo para comandar as tardes de domingo do canal e concorrer com seu mestre Silvio Santos. O dono do SBT, porém, não demorou a trazê-lo de volta, pagando-lhe o maior salário da história da TV até então. E mais: Gugu passou a dividir o palco com Silvio, tornando-se sucessor artístico do maior animador de todos os tempos. Duas décadas mais tarde, Gugu assinaria outro vultoso contrato, agora com a RecordTV.

"Gugu era uma pessoa generosa"

Augusto Liberato conseguiu realizar muito mais do que sonhara quando criança. Criou conjuntos musicais que venderam centenas de milhares de discos, lançou brinquedos que se tornaram objeto de desejo de pelo menos duas gerações e apresentou programas que, por mais controversos que fossem, tornaram-se parte da cultura popular brasileira.

Mais que um artista talentoso e um empresário atinado, Gugu era uma pessoa generosa. Sou testemunha disso. Sem que eu pedisse ou mesmo o conhecesse pessoalmente, Gugu leu os dois livros biográficos que escrevi ("Blota Jr.: a elegância no ar" e "Silvio Santos: a trajetória do mito") e deixou belas recomendações em suas redes sociais. Recentemente, enviei um exemplar autografado do meu mais novo trabalho, o "Comunicadores S.A.". Trata-se do único livro que conta a vida dele de forma mais aprofundada. Eu estava ansioso em receber o retorno dele. E agora estou triste pela sua partida tão prematura e inesperada.

Como biógrafo, o que mais me chamou atenção em Gugu foi perceber o profundo amor que ele sentia pela TV e a forma intensa com que ele expressava esse sentimento. Poucos brasileiros entendiam tanto desse meio quanto ele. Por ironia do destino, o único desejo que ele não conseguiu realizar foi o de formar uma rede de emissoras. "Só sei fazer televisão. É minha sina. Não existe nada que me empolgue tanto", disse Gugu em 1995. E foi essa sina que o guiou ao longo de toda a vida.

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Fernando Morgado é professor, consultor, palestrante e escritor nas áreas de marketing, inteligência de mercado e comunicação. Possui nove livros no currículo, incluindo o best-seller "Silvio Santos: a trajetória do mito" (Matrix, 2017). Coordenador -adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Membro da Academy of Television Arts & Sciences, entidade realizadora do Emmy, maior premiação da TV mundial. http://fernandomorgado.com.br

 


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