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O ano do Pica-Pau


O ano não foi bom para a TV brasileira, mas, apesar disso, um personagem bastante conhecido de várias gerações foi a maior estrela de 2007. Pica-Pau reinou absoluto, e incansável. O sucesso do bichinho fez com que a Record o explorasse a exaustão em edições diárias e intermináveis. Ajudou, sem a menor sombra de dúvidas, no crescimento da rede. Termina o ano com o bico todo dolorido.

As novelas sofreram as conseqüências de quatro emissoras produzirem folhetins ao mesmo tempo: a Globo e SBT viram seus índices despencando; Band e Record podem comemorar. Apesar de Dance, Dance, Dance não repetir o sucesso de Floribella, dá mais audiência que Paixões Proibidas e mais que a média da maioria das atrações veiculadas. E a Record, não perdeu nadica de nada. Roubou o público das novelas globais e se manteve.

A poderosa respirou aliviada ao final de Paraíso Tropical, que conseguiu deslanchar após um conturbado início, entretanto, vê a história se repetir com Duas Caras, que ainda não emplacou. E a situação é crítica na faixa das seis: após o fiasco de Eterna Magia, Desejo Proibido, uma boa novela, já chegou a amargar apenas 15 pontos.

Dias ruins também para o Domingo Legal, que nem com o pessoal do Pânico no palco conseguiu vencer o Domingão do Faustão, e isso mesmo com o programa de Fausto tendo perdido público. O Pânico, aliás, apesar de estabilizado na casa dos seis pontos, se mantém como um forte concorrente aos domingos, assim como o Show do Tom e Eliana, que garantem a vice-liderança absoluta para a Record.

2007 não foi bom inclusive para o maior animador da TV brasileira. Silvio Santos, promessa no início do ano com chamadas ao estilo “a concorrência vai tremer” após seu retorno aos domingos, amargou médias que variam de cinco a sete pontos, e ninguém tremeu neste período – para não cometer injustiça: isso ocorreu apenas quando Vesgo e Silvio cover estiveram no palco do Qual É A Música.

Ainda no domingo, o Fantástico viu sua audiência despencar, e, como ocorreu durante a exibição da Casa dos Artistas, um sinal vermelho acendeu nos bastidores da atração. Foi um ano ruim até para a criativa Denise Fraga, que pela primeira vez errou em um quadro exibido no show da vida: o Te Quiero América não empolgou.

O Troféu Fubá Grosso do ano fica para Íris Stefanelli e Diego Alemão. Uma dupla impagável durante a exibição do Big Brother, entretanto, um tormento fora da casa mais conhecida do país. Conseguiram mais que quinze minutos de fama, e nós é que pagamos o pato, inclusive ao ter de vê-los como apresentadores de TV.

A falta de respeito das emissoras também imperou neste ano. Não bastasse o já conhecido troca troca na programação do SBT, a Record passou a fazer o mesmo, e com a mesma freqüência. Copiaram até o fato de cancelarem a exibição de uma novela sem ela ter terminado, como foi o caso de Essas Mulheres. Patrícia Maldonado deixou a rede e foi tentar a sorte na Band, a mesma Band que sem mais nem menos dispensou Claudete Troiano.

A TVJB entrou em cena e não durou nem até o primeiro aniversário. Tinha boas atrações, faltou sorte. Sorte essa que teve o reality Mudando de Vida. Líder de audiência durante vários episódios, o programa foi uma das gratas surpresas do ano, ao lado de Tomã Lá, Dá Cá, hoje imperdível às terças – ainda assim, Marinete deixa saudades.

O ano de 2007 também foi de perdas irreparáveis. Depois de Ronald Golias e Rogério Cardoso, uma parceira dessa impagável dupla foi deixar o céu ainda mais animado. Uma triste despedida: após semanas internada, mas mantendo a esperança de conseguir se recuperar, o humor perdeu uma de suas maiores estrelas: Nair Belo deixa saudade. Paulo Autran foi outra estrela de primeira grandeza ao abandonar os palcos da Terra.

Este ano deixa outro marco: após muita ameaça, a Record conseguiu ultrapassar de verdade o SBT de Silvio Santos. Primeiro passou a rede no horário nobre, depois na média-dia em São Paulo. E o que ninguém esperava aconteceu: venceu primeiro na média das 7 às 0h no território nacional, e, em novembro, fechou na vice-liderança na média Brasil durante as 24h do dia. O feito ganhou até a capa de Veja.

A Record este ano deu outro passo importante com a criação da Record News, primeiro canal com 24h de notícias da TV aberta – o que é uma inverdade, afinal de contas, até os especiais de final de ano da Rede Record serão exibidos pelo canal de notícias.

E 2007 não foi bom para o SBT por ter deixado até a fraca Band ultrapassar a emissora durante o horário nobre. Mas isso, foi apenas um susto, comparado ao fato de terem perdido uma das melhores – dentre as poucas – atrações dos últimos tempos: por bobeira, deixaram a Record levar para casa o Ídolos.

Outros dois fenômenos da temporada foram a Dança do Siri, que foi parar até na tela da Globo, contando com locução de Galvão Bueno, e também Tropa de Elite, sucesso entre os camelôs, e agora com a versão cor-de-rosa de Tom Cavalcante, líder aos domingos com o Bofe de Elite.

Já a TV paga estreou sua nova temporada de séries com gratas surpresas, como o retorno de Betty, a Feia, agora com a versão americana, Big Day, Samantha Who, Brother´s And Sisters e The Tudors. O problema fica para as séries que entram em cena a partir de fevereiro, afinal de contas, os roteiristas estão em greve e muitas serão exibidas pela metade.

Mais um ano termina e com ele chegam novas expectativas para um outro novinho em folha que se aproxima. A coluna Cena Aberta (www.cenaaberta.blogger.com.br) se despede de 2007 desejando um 2008 ainda melhor. Que todos tenhamos muitos motivos para comemorar.

Enquanto o ano novo não chega, a Cena Aberta entra em férias, após um longo período de publicações ininterruptas. A gente se encontra muito em breve, com novidades. Até lá.

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